No cenário externo, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos de julho apresentou variação em linha com as estimativas medianas do mercado, tanto em sua leitura cheia quanto em seu núcleo. A ausência de surpresas contraria os temores de que as tarifas de importação implementadas pelo governo americano desde abril pudessem exercer pressão acima do esperado sobre os preços ao consumidor. A relativa moderação dos dados de inflação reforça a percepção de que o nível de preços segue em trajetória de estabilização, e que, portanto, o Federal Reserve poderia cortar juros ainda este ano. Esse cenário tende a reduzir as expectativas de rendimento dos títulos públicos americanos, pressionando o dólar em âmbito global e favorecendo especialmente moedas de países com diferencial de juros mais elevado, como o real.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,26% em julho, abaixo da mediana das projeções de mercado, que apontava para um avanço de 0,34%. Apesar da maior moderação, a inflação acumulada em 12 meses permanece acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central (BC), ao atingir 5,23%, frente ao teto de 4,5%. A persistência da inflação em patamar superior à meta reforça a expectativa de que o Banco Central deve manter a taxa básica de juros (Selic) em níveis elevados por um período prolongado, diante da permanência de riscos inflacionários relevantes. Esse cenário tende a elevar as expectativas de retorno dos títulos públicos, favorecendo a atratividade dos ativos brasileiros no mercado internacional. Para acompanhar os principais temas que movimentam os mercados, acesse a Abertura de Câmbio.
Soja em baixa
Os preços futuros da soja, que registraram fortes altas na manhã de ontem (11), encerraram o pregão noturno desta terça-feira (12) com baixas significativas. O contrato com vencimento em novembro/25, por exemplo, recuou 12,25 pontos no pregão, apresentando fechamento em torno de 999 cents/bushel.
A esperança de um aumento da demanda chinesa impulsionou os preços da soja em sessões anteriores, no entanto o sentimento otimista apresentou um arrefecimento nesta manhã, de modo que o mercado não conseguiu se sustentar nos níveis anteriores.
Milho em baixa
Os preços futuros do milho também iniciaram a terça-feira (12) operando no campo negativo, enquanto os investidores aguardam as estimativas mensais sobre a oferta e demanda globais para o milho, no relatório WASDE, que será divulgado às 13h (horário de Brasília) pelo USDA.
No relatório semanal de acompanhamento de safra, divulgado no fim do dia de ontem pelo USDA, foi apontada uma queda no percentual de milho classificado como excelente. Ainda assim, a pontuação do milho segue sendo a melhor nos últimos nove anos.
Trigo em baixa
O mercado do trigo, de modo semelhante aos demais grãos, também encerrou o pregão noturno com perdas nesta terça-feira (12), na véspera da publicação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA, o WASDE. O foco do mercado agora se volta para a expectativa de uma grande oferta, devido às colheitas abundantes do trigo de inverno e o desenvolvimento satisfatório da safra de primavera, no Hemisfério Norte, assim como as perspectivas que indicam uma boa produção também em países produtores no Hemisfério Sul, como Austrália e Argentina.
TABELAS E INDICADORES
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.