No cenário internacional, o mercado repercute a demissão de membra do Fed por Donald Trump. Na noite de ontem (25), o presidente dos Estados Unidos anunciou a demissão da membra do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Lisa Cook. Cook, por sua vez, afirmou que o presidente não deixará o seu cargo, pois Trump não possuiria justa-causa para sua demissão e, por isso, não possui autoridade para removê-la. O mandato de Cook vai até 2038. Os ataques frequentes de Trump e líderes do partido Republicano ao Federal Reserve e seus integrantes gera temores de uma interferência política na condução da política monetária, o que tende a diminuir a credibilidade das instituições econômicas americanas e, por consequência, penalizar o desempenho dos ativos do país, desvalorizando o dólar globalmente.
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem criticado o Federal Reserve e seu presidente, Jerome Powell, quase diariamente, frustrado pelas decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de não reduzir as taxas de juros americanas. Em 20 de agosto, a Casa Branca ampliou sua pressão ao Fed, com o diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional dos Estados Unidos, Bill Pulte, acusando Lisa Cook de cometer fraude hipotecária. Há desafios jurídicos importantes para a demissão de um integrante do Federal Reserve. A Suprema Corte americana decidiu em 1935 que membros de órgãos independentes, como o Fed, não podem ser demitidos sem justa causa. Se a Casa Branca tiver sucesso na demissão de Cook, Trump poderá indicar mais um membro ao Federal Reserve.
No cenário doméstico, IPCA-15 registra primeira deflação desde julho de 2023, mas núcleo do indicador segue resiliente. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou deflação de 0,14% em agosto, após alta de 0,33% em julho. A divulgação registrou a primeira variação negativa do indicador desde julho de 2023. Apesar da desaceleração do índice cheio, o núcleo, que exclui itens voláteis como alimentação e energia, permaneceu resiliente, com alta de 0,40%, após avanço de 0,42% no mês anterior. A moderação do índice cheio, por um lado, contribui para reduzir o acumulado em 12 meses e pode reforçar a percepção de convergência da inflação à meta do Banco Central. Para que ocorra uma reprecificação mais ampla das apostas de corte da Selic ainda no segundo semestre, devem ser necessários mais sinais consistentes de estabilização da inflação, especialmente nos núcleos. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam o mercado internacional, acesse a Abertura de Câmbio.
Soja em alta
O mercado da soja em Chicago apresentou leve recuperação na manhã de hoje (26), com o contrato futuro de novembro/25 sendo negociados a US$ 10,53/bushel. Apesar da alta nesta sessão, os ganhos são limitados pela melhora na avaliação das lavouras norte-americanas. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 69% da safra do país foi classificada como boa a excelente, acima dos 68% da semana anterior, de modo que reforça as expectativas de uma colheita abundante no país.
Esse cenário de maior oferta pressiona os preços, sobretudo em um momento em que a China permanece afastada das compras de soja americana devido às tensões comerciais com Washington. A falta de demanda chinesa, aliada às perspectivas de safra robusta nos EUA, reduz o espaço para avanços mais expressivos nas cotações.
Milho em alta
No mercado do milho, os preços em Chicago operavam próximos da estabilidade, encerrando o pregão noturno com perdas curtas. O contrato futuro de dezembro/25 recuou, passando a ser sendo negociado a US$ 4,11/bushel. A pressão sobre o mercado está relacionada, principalmente, à manutenção da qualidade das lavouras norte-americanas em níveis elevados. De acordo com o relatório semanal do USDA, 71% da safra de milho dos Estados Unidos foi classificada como boa a excelente, repetindo o índice da semana anterior e contrariando as expectativas de analistas, que previam uma leve piora.
Esse resultado reforça a perspectiva de uma colheita robusta no país, o que limita movimentos mais expressivos de valorização. Assim, o mercado do cereal se mantém relativamente estável, sustentado por fundamentos sólidos de oferta, mas com espaço restrito para altas diante da expectativa de produção elevada.
Trigo em alta
No mercado do trigo, os preços em Chicago avançaram levemente, sendo cotados a US$ 5,31/bushel, enquanto no Kansas e em Minneapolis os preços recuam. A pressão baixista veio da ampla disponibilidade global do cereal, reforçada pela revisão positiva das estimativas de produção da Rússia. Uma consultoria local (IKAR) elevou sua projeção para a safra russa de 2025 para 86 milhões de toneladas, acima das 85,5 milhões estimadas anteriormente, além de aumentar sua expectativa de exportações para 43 milhões de toneladas.
Como a Rússia é o maior exportador mundial de trigo, esse incremento nas perspectivas de oferta amplia a concorrência internacional e pesa sobre as cotações.
TABELAS E INDICADORES
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.