Comentários de Abertura
Os futuros de ações recuaram um pouco durante a noite, com os investidores digerindo as manchetes que têm vindo do governo Trump em um ritmo frenético. O VIX continua a ser negociado perto de 15 pontos nesta manhã, refletindo uma relativa calma em Wall Street - ou melhor, uma falta de empolgação. Não tenho a certeza se chamaria o contexto de calmo, com a enxurrada de manchetes que atingem o mercado. O Dollar Index é negociado perto de 107,7 pontos nesta manhã, depois de cair para novas mínimas de cinco semanas. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos são negociados perto de 4,65%, enquanto os rendimentos dos títulos de 2 anos operam negociados perto de 4,28%, com a curva futura dos títulos abrindo mais uma vez. Os preços do petróleo bruto estão levemente mais altos, enquanto os mercados de grãos e oleaginosas operaram no vermelho durante a noite.
O Presidente Trump ganhou a sua primeira eleição em 2016 com a promessa de acabar com a corrupção (“drain the swamp”) em Washington. Os seus apoiadores estavam ansiosos por uma mudança na burocracia que parecia ditar as regras neste país, em oposição aos funcionários eleitos que enviamos para lá. Trump declarou, quando deixou o cargo quatro anos mais tarde, que falhou nessa iniciativa - que a corrupção era muito mais enraizada do que ele previa. Ele ficou quatro anos pensando no que faria de diferente se tivesse mais uma chance, e já não perde tempo colocando em prática o seu plano. A Reuters reportou nesta manhã que a administração Trump está agindo “com uma rapidez impressionante para remover ou escantear centenas de funcionários públicos”, enquanto ainda busca agregar apoio para demitir possivelmente “centenas de milhares” a mais. Embora seja crível, essa última citação parece exagerada. Mas o que importa é que ele não tem perdido tempo para mudar o jeito como as coisas são feitas em Washington. A discussão agora é se isso é bom ou ruim, com os cidadãos americanos tomando posições a depender de seus votos nas últimas eleições. Fato é que as coisas têm mudado rapidamente em Washington, e os mercados tentam digerir tudo a tempo de reagir. Vimos uma volatilidade significativa no dólar, títulos públicos, ações e até mesmo nos preços de commodities. As declarações têm surgido dia após dia. O presidente Trump acredita ter dois anos para implementar as mudanças antes que as eleições de meio de mandato para o Congresso possam limitar seus poderes. No mundo político, esse tempo é curto. Por isso, ele já corre para implementar sua agenda.
O mercado acionário chinês se fortaleceu hoje com sinais de um abrandamento na relação entre EUA e China. O presidente Trump e Xi Jinping tiveram conversas que ambos consideraram construtivas. Eles parecer ter reestabelecido uma relação de respeito: eles podem não confiar um no outro; eles definitivamente têm valores diferentes sobre os respectivos países; mas eles estão reestabelecendo uma relação de respeito que já os ajudou a firmar acordos no primeiro governo Trump. Aliás, os investidores viram com bons olhos quando Trump apontou que ele estava confiante que um acordo de comércio poderia ser alcançado com a China, além de ter declarado que ele gostaria de ir à China em um futuro próximo. Isso se soma a indicativos de que o governo chinês esteve ativo em vários níveis nos mercados físicos de milho, soja e trigo americanos. Esse movimento costuma indicar compras de “boa-vontade” da China, refletindo um sentimento de que um acordo comercial está sendo construído. Eu não vejo Xi alterando seus objetivos de longo prazo de fazer a China superar os EUA como maior potência mundial, ou do Yuan em superar o Dólar como principal moeda global. Ainda assim, eu ainda acredito que Xi é pragmático e entende que a economia chinesa não conseguiria aguentar uma Guerra Comercial atualmente. No longo prazo, ele ainda vai jogar o jogo para cumprir seus objetivos, enquanto se mostra disposto a fazer um acordo de curto prazo que ajude a curar a sua economia e evite um conflito enquanto Trump é o presidente. Isso poderia ser uma situação de benefícios mútuos tanto para a China quanto para os EUA nos próximos anos, criando uma maior demanda pelas commodities americanas, apesar da nossa moeda forte, que torna a compra dessas commodities mais cara.
A Argentina cortou seus impostos de exportação para muitas commodities agrícolas ontem. Notavelmente, o imposto de exportação sobre a soja foi reduzido para 26%, abaixo dos 33% anteriores. A alíquota sobre o óleo de soja e o farelo de soja foi reduzida para 24,5%, abaixo dos 31% anteriores. O imposto sobre o milho e o trigo caiu para 9,5%, abaixo dos 12% anteriores. O governo Milei está cortando os impostos por dois motivos. Primeiro, é parte de suas reformas prometidas, que o elegeram há um ano. Ele prometeu liberar o potencial econômico da Argentina reduzindo esses impostos de exportação, o que também exigiu que ele limitasse drasticamente os gastos sociais. Os eleitores lhe deram essa autorização, porque estavam fartos de uma inflação de mais de 200%. Mas há outro motivo também. Ele provavelmente precisa aumentar as reservas estrangeiras no banco central para cumprir com as obrigações da dívida. Foi reportado que os exportadores que desejam aproveitar as reduções de impostos precisarão liquidar sua posição em moeda estrangeira a ser recebida na transação de exportação dentro de 15 dias, em vez de no momento do embarque, o que pode acontecer vários meses depois da venda de exportação. Mas eles têm que pagar o imposto de exportação restante dentro de cinco dias. Teme-se que o processo possa prejudicar a taxa de participação e não resultar no aumento antecipado nas vendas de exportação esperado por muitos no mercado. No entanto, a redução de impostos, combinada com uma previsão estendida de condições meteorológicas mais úmidas para a Argentina, está pesando sobre os preços no início do pregão de hoje.



