Comentários de Abertura
Comentário Especial de Mike Castle
Inteligência de Mercado – Analista Sênior de Fertilizantes
Os futuros das ações apontam para uma abertura em baixa, com o Nasdaq — fortemente concentrado em tecnologia — registrando a queda mais acentuada após o anúncio de controles mais rígidos de exportação dos EUA sobre chips de inteligência artificial. Grande parte dessa pressão vem de gigantes do setor como Nvidia e AMD, que apresentaram quedas de 6,6% e 7,4% no pré-mercado, respectivamente. A Nvidia afirmou que a medida custará à empresa cerca de US$ 5,5 bilhões. O índice de volatilidade VIX começou o dia em alta, ultrapassando 31,8 após ter ficado abaixo de 30 ontem. O dollar index iniciou o dia em queda, voltando a negociar abaixo do nível de 100, por volta de 99,5 — ainda dentro da faixa desta semana. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano abriram o dia praticamente estáveis, com os títulos de 10 anos em torno de 4,32% e os de 2 anos próximos de 3,80%. O petróleo bruto WTI está ligeiramente no vermelho nesta manhã, sendo negociado a cerca de US$ 61,30, após ter caído brevemente abaixo de US$ 60 mais cedo. Já os mercados agrícolas começaram o dia majoritariamente em alta.
A economia da China cresceu mais do que o esperado no início de 2025, com os dados divulgados hoje mostrando um aumento de 5,4% no PIB do primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, superando a expectativa dos analistas de 5,1%. No entanto, esse otimismo deve ser visto com cautela, já que os dados do primeiro trimestre ainda não refletem os impactos da crescente guerra tarifária entre as duas maiores economias do mundo. As exportações fortes observadas no trimestre provavelmente refletem o esforço dos exportadores para acelerar embarques antes do prazo das tarifas, no início de abril. As exportações representaram 32% do crescimento — acima dos 30% registrados no primeiro trimestre do ano passado. Por outro lado, a participação do consumo doméstico caiu para 35%, abaixo dos 45% do mesmo período do ano anterior. Isso não é um bom sinal para a economia chinesa, já que a dependência das exportações a deixa vulnerável, caso as tensões comerciais com os EUA persistam, tornando ainda mais importante o fortalecimento do consumo interno para compensar parte dos impactos.
Várias medidas foram implementadas para estimular o consumo doméstico na China, resultando em alguns pontos positivos, como o crescimento de 5,9% nas vendas no varejo em março — acima do esperado. No entanto, muitos problemas persistem. Esses problemas continuam no foco dos investidores, já que o resultado acima do esperado do PIB teve pouco efeito na valorização das ações chinesas. Os bancos de investimento globais continuam pessimistas, com cortes generalizados nas projeções de crescimento para a China em 2025 nesta semana. Entre os mais pessimistas, o UBS reduziu sua projeção de 4,0% para 3,4%, enquanto o Morgan Stanley está entre os mais otimistas com 4,2%, abaixo dos 4,5% anteriores. A meta oficial do governo chinês continua sendo 5,0% de crescimento para 2025, mas essa meta já parecia difícil de ser atingida antes do choque tarifário — e agora parece ainda mais inalcançável. A Casa Branca voltou a aumentar a pressão com um comunicado divulgado ontem, afirmando que “a China agora enfrenta tarifas de até 245% sobre exportações para os EUA como resultado de suas ações retaliatórias”, acima dos 145% anteriores. No entanto, esses números já têm pouco impacto prático, uma vez que as tarifas já são altas o suficiente para praticamente interromper o comércio.
As taxas médias de hipotecas de 30 anos nos EUA subiram para o maior nível em sete semanas, atingindo 6,81% na semana encerrada em 11 de abril, ante 6,61% na semana anterior, marcando o aumento semanal mais acentuado desde outubro. Isso ocorreu após a disparada nos rendimentos dos títulos do Tesouro na semana passada, com os rendimentos de 10 anos atingindo o maior nível em dois meses na sexta-feira, antes de recuar no início desta semana. Como resultado, os pedidos de hipotecas caíram 8,5% na comparação semanal — a maior queda semanal registrada em 2025 até agora. Essa queda foi composta por um recuo de 12,4% nos pedidos de refinanciamento e de 4,9% nos pedidos para compra de imóveis.
As vendas no varejo nos EUA subiram fortemente em março, com alta de 1,4% em relação ao mês anterior — o maior aumento mensal desde janeiro de 2023. Esse dado subiu consideravelmente em relação aos 0,2% registrados em fevereiro, embora o salto já fosse amplamente esperado (a estimativa média era de +1,3%), pois os consumidores se apressaram para comprar antes da entrada em vigor das tarifas em abril. Boa parte desse movimento se concentrou em automóveis, com as compras de veículos e peças aumentando 5,3% no mês. Excluindo automóveis, as vendas no varejo subiram 0,5% mês a mês, abaixo dos 0,7% de fevereiro, mas ainda assim superando as expectativas de 0,3%. Ao focar no núcleo (ou "grupo de controle") — indicador usado no cálculo do PIB que exclui automóveis, serviços alimentícios, materiais de construção e postos de gasolina —, o resultado foi mais modesto, com crescimento de 0,4% mês a mês, abaixo da expectativa de 0,6% e uma queda significativa em relação ao aumento revisado de 1,3% em fevereiro. Como no caso da China, a grande dúvida será como esses números se comportarão nos próximos meses, à medida que os impactos da guerra comercial se concretizem. Isso deve manter os investidores atentos a possíveis negociações e acordos comerciais entre EUA e China — embora, até agora, haja poucos sinais de progresso.



