Comentários de Abertura
Os contratos futuros de ações registraram recuperação durante a noite, já que o conflito entre Irã e Israel ainda não se alastrou para um confronto regional, como muitos investidores temiam ao saírem de sexta-feira. Perdido em meio às crescentes tensões geopolíticas da última semana está o fato de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) se reunirá nesta terça e quarta-feira para discutir política monetária, com sua atualização prevista para a tarde de quarta. O VIX recuou cautelosamente abaixo de 20 nesta manhã, à medida que os temores deram uma trégua, enquanto o dollar index era negociado perto de 97,9. Os títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA giravam em torno de 4,43%, e os de 2 anos, por volta de 3,96%. Os preços do petróleo bruto caíam quase 2% nesta manhã, ao passo que o setor de grãos e oleaginosas mostrava desempenho misto: os grãos recuavam, e as oleaginosas seguiam encontrando suporte nas mandates de mistura de biocombustíveis anunciadas na sexta-feira pela EPA.
Irã e Israel continuaram trocando ataques ao longo do fim de semana. Israel concentrou-se principalmente em alvos militares estratégicos e nucleares, além de algumas instalações de infraestrutura energética, enquanto os mísseis iranianos pareciam mirar sobretudo alvos civis. Israel neutralizou em grande parte a capacidade aérea do Irã, ganhando a liberdade de sobrevoar o território iraniano praticamente sem risco de encontrar aeronaves hostis, e também desativou boa parte das defesas antiaéreas do país. O Irã, por sua vez, lançou ondas de mísseis e drones — inclusive mísseis balísticos intercontinentais — em direção a Israel, numa tentativa de sobrecarregar seu sistema de defesa. Em parte, essa estratégia tem funcionado: há relatos de que cerca de 20% dos mísseis estariam furando as defesas e atingindo alvos civis.
Segundo informações, Israel atingiu um depósito de combustível nos arredores de Teerã como forma de aviso ao Irã de que poderia mirar em sua infraestrutura energética caso continuasse a alvejar civis em solo israelense. Há também relatos de um ataque ao campo de gás de South Pars, interrompendo o fornecimento doméstico de gás natural, inclusive o usado na produção de ureia para fertilizantes. Isso alimentou temores de que o Irã pudesse atacar instalações energéticas em outros países da região, sobretudo porque Jordânia e Arábia Saudita estariam auxiliando Israel a interceptar mísseis iranianos em seu espaço aéreo. Havia ainda o receio de que o Irã fechasse o estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do transporte mundial de petróleo, e de que seus grupos-proxy iniciassem contraofensivas. No entanto, nada disso se concretizou até o momento, sugerindo que o Irã carece de vontade ou capacidade para tanto, e que seus aliados por procuração estão enfraquecidos por ações ofensivas israelenses anteriores. Nesse contexto, os preços do petróleo recuperaram parte do prêmio de risco descontado na sexta-feira durante o pregão noturno, e os investidores voltaram ao mercado de ações. Israel mantém-se decidido a desmantelar o programa nuclear iraniano, o que provavelmente exigirá que a ofensiva dure ainda várias semanas. O presidente Trump chegou a encorajar o Irã a retornar à mesa de negociações, mas até agora Teerã tem demonstrado pouco interesse.
O Federal Reserve se reúne nos próximos dois dias para discutir política monetária, com o conflito no Oriente Médio adicionando uma dose extra de incerteza. Estamos no terço final dos 90 dias para a reversão recíproca de tarifas, e o mercado tem-se sentido relativamente confortável com o status quo por ora. Contudo, essa sensação pode mudar à medida que o prazo se esgota, o que indica que o Fed seguirá relutante em cortar juros nesta ou na próxima reunião. Os dados de inflação ainda apontam para cortes de juros, mas o Fed continua apreensivo quanto aos riscos inflacionários de longo prazo decorrentes das tarifas. De modo geral, a inflação foi amenizada pela queda nos preços de energia, porém esse componente começa a subir novamente com a escalada das tensões no Oriente Médio. Esses elementos deverão manter o Fed cauteloso, sem reduzir a taxa de juros até que haja um aumento significativo no desemprego. Há sinais de fraqueza no mercado de trabalho, mas os números ainda não mudaram o suficiente para justificar um corte diante das incertezas sobre tarifas e custos de energia.
Na sexta-feira, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) eliminou uma das três principais fontes de incerteza no programa nacional de biocombustíveis. Ainda não se sabe qual será o alcance das Exceções para Pequenas Refinarias a serem concedidas, nem o destino do mecanismo de financiamento 45Z. Espera-se maior clareza sobre ambas as frentes nas próximas semanas. Por outro lado, agora temos mais informações sobre os mandatos de mistura: a EPA migrou de um sistema baseado em volume (galões) para um modelo baseado em RINs, mantendo praticamente inalterada a taxa de etanol. O biodiesel de biomassa passou de 5,36 bilhões de RINs em 2025 para 7,12 bilhões no ano fiscal de 2026, que começa em 1º de outubro. Os 5,36 bilhões de RINs deste ano equivalem a cerca de 3,35 bilhões de galões. Uma das mudanças prevê reduzir pela metade o valor dos RINs gerados a partir de matéria-prima importada. Se o mix de matérias-primas estrangeiras e domésticas se mantiver, o mandato para 2026 seria de 5,61 bilhões de galões. No entanto, isso pode alterar o fluxo comercial: óleos nacionais seriam direcionados à produção de combustível para capturar RINs, enquanto os importados iriam para o setor alimentício. Atingir 7,12 bilhões de RINs apenas com matéria-prima doméstica equivaleria a cerca de 4,61 bilhões de galões — o que ainda sustenta forte demanda à vista por óleo de soja.



