Comentários de Abertura
A intensificação do conflito entre Israel e Irã pressionou os futuros de ações durante a noite, depois que investidores viram notícias de que o presidente Trump encurtou sua participação na Cúpula do G7 para voltar a Washington, D.C., para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional na noite passada. O VIX opera novamente acima de 20 nesta manhã, enquanto o dollar index está em torno de 98,2. Os títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA estão por volta de 4,42%, e os dos Treasuries de 2 anos, em 3,96%. Os preços do petróleo bruto sobem quase 2% com a escalada das tensões no Oriente Médio, enquanto os mercados de grãos e oleaginosas oscilaram entre estabilidade e alta.
As vendas no varejo em maio foram fracas. Na verdade, caíram 0,9% em relação a abril, cujo número também foi revisado para queda de 0,1%. Os analistas previam uma retração de 0,6%, ou seja, as vendas vieram piores do que o esperado. Excluindo as vendas de automóveis, o varejo recuou 0,3% – menos ruim, mas ainda negativo. Em abril, as vendas ajustadas ficaram estáveis, quando antes se pensava em alta de 0,1%. Analistas projetavam crescimento de 0,2% sem contar autos. Sem veículos e combustíveis, o recuo foi de 0,1% – de novo, menos intenso, mas ainda negativo. Há várias maneiras de interpretar esses dados. Por exemplo, excluindo também materiais de construção e serviços de alimentação, as vendas de maio subiram 0,4%, depois da queda de 0,1% em abril. Ainda assim, o fato é que o varejo decepcionou em maio, mês em que o sentimento do consumidor começava a se recuperar de níveis muito baixos em meio à guerra tarifária. Os dados de junho devem trazer uma visão mais clara, mas chegarão quando encerrar-se o prazo de 90 dias de suspensão recíproca de tarifas, que será o foco maior.
E como as tarifas vigentes estão afetando os preços? Os preços de importação ficaram estáveis em maio na comparação mensal, contra a expectativa de queda de 0,3%. Assim, avançaram 0,2% em doze meses, ante 0,1% em abril. Em outras palavras, não estamos “importando” inflação. Alguns dizem que o impacto dos custos tarifários ainda não apareceu em maio, o que faz sentido até certo ponto. Já os preços de exportação caíram 0,9% na comparação mensal em maio, depois de alta de 0,1% em abril. Em doze meses, cresceram 1,7%. Isso indica que enviamos ao exterior apenas um ligeiro aumento de preços em maio.
A guerra entre Irã e Israel está no quinto dia e segue se intensificando. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou à imprensa no G7 que Trump ofereceu um acordo de cessar-fogo a ambos os países, mas a Casa Branca não confirmou. Trump sugeriu que Israel deve continuar a atacar o Irã nos próximos dias, irritado pelos ataques iranianos a alvos civis. Ele disse ainda que avalia enviar um enviado ao Oriente Médio para negociar com a liderança iraniana, na busca de um novo acordo nuclear, mas Israel parece determinado a destruir completamente as capacidades nucleares do Irã. Muitos dos principais comandantes militares iranianos já foram mortos por Israel. Os mercados ficaram apreensivos com um post de Trump nas redes sociais na noite passada, recomendando que os moradores de Teerã evacuem a cidade, sinalizando que os ataques vão se intensificar. Hoje, dois petroleiros colidiram e pegaram fogo no Estreito de Hormuz, por onde passa um quinto das exportações mundiais de petróleo. A hipótese é de que interferências eletrônicas ligadas à atividade militar na região tenham causado o acidente, mas o canal permanece aberto. O Irã afirma ter disparado 400 mísseis balísticos e centenas de drones contra Israel até agora, e Israel, que 35 mísseis penetraram sua defesa para causar impactos diretos. Do ponto de vista de commodities, a maior preocupação é a produção de petróleo e fertilizantes na região. A maior parte da produção de fertilizantes iranianos saiu do ar, e o mesmo ocorreu com a maior parte da produção egípcia, devido à interrupção da oferta de gás natural no Irã e em Israel. Israel exige o desmantelamento do programa nuclear iraniano, e o Irã, até agora, recusa-se – logo, a guerra continua.
Na segunda-feira, o Senado apresentou sua versão do projeto de lei tributária. As disposições 45Z criam o mecanismo de financiamento do programa de biocombustíveis dos EUA. Já se sabe que tanto na Câmara quanto no Senado o 45Z garante recursos até 2031. Ambos também excluem a penalidade de Uso Indireto da Terra para matérias-primas dos EUA, que até então punia nossos insumos por “forçar” o Brasil a desmatar mais floresta. A versão da Câmara restringe créditos a matérias-primas dos EUA, Canadá e México, enquanto o Senado concede 80% do crédito para insumos estrangeiros. A Câmara mantém o crédito máximo de US$ 1,75 por galão para combustível de aviação sustentável; o Senado reduz para US$ 1,00. Há outras diferenças, mas essas são as mais relevantes. Destaco a remoção da penalidade de uso indireto da terra como a mais significativa, pois pode ajudar o etanol a se qualificar como insumo para aviação sustentável, beneficiando também o óleo de soja.



