Comentários de Abertura
Os futuros de ações estavam levemente mistos durante a madrugada, enquanto Wall Street acompanhava os desdobramentos do plano do governo Trump para o fim da pausa de 90 dias nas tarifas recíprocas. O índice de volatilidade VIX permanece baixo, próximo de 17, enquanto o dollar index está em alta, próximo de 97,7. Os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro seguem em alta, sendo negociados em torno de 4,43%, enquanto os de 2 anos estão por volta de 3,91%. Os preços do petróleo bruto estão levemente mistos, e os mercados de grãos e oleaginosas sofreram novas vendas após a forte liquidação de ontem.
O presidente Trump enviou cartas a 14 países, informando que enfrentarão tarifas mais altas a partir de 1º de agosto, devido ao fracasso nas negociações com os Estados Unidos durante a pausa de 90 dias. As tarifas variam de 25% para Japão e Coreia do Sul a 40% para Laos e Mianmar. Vários desses países indicaram que pretendem continuar as negociações, esperando alcançar um acordo antes de agosto. Assim, os mercados globais absorveram a notícia com relativa tranquilidade, com investidores acreditando que novos acordos comerciais serão firmados nas próximas semanas para evitar as tarifas mais altas. A União Europeia continua otimista quanto à possibilidade de um acordo até 1º de agosto. No entanto, o adiamento do prazo por algumas semanas reduz a probabilidade de múltiplos acordos imediatos, já que cada país terá um novo prazo como instrumento de barganha. Buscar o melhor acordo possível tornou-se prioridade maior do que fechá-lo rapidamente.
Autoridades chinesas analisaram cuidadosamente as novas tarifas, refletindo sobre seu impacto nas relações sino-americanas. O presidente Xi Jinping frequentemente ameaçou retaliar países que assinassem acordos com os EUA que prejudicassem a China — como foi o caso do Vietnã. Até o momento, nenhuma retaliação pública ocorreu, mas há movimentações discretas nos bastidores. O primeiro-ministro vietnamita Pham Minh Chinh se encontrou com o premiê chinês Li durante a cúpula do BRICS na semana passada para discutir o fortalecimento das relações comerciais e de investimento. Acredita-se que a China está conduzindo conversas reservadas com o Vietnã, e que uma resposta retaliatória moderada é esperada. A China precisa transmitir uma mensagem a outros países, mas sem prejudicar um relacionamento importante com o Vietnã. Pequim ficou incomodada com a tarifa de 40% sobre produtos reexportados por meio do Vietnã, mas analistas chineses observaram que essa tarifa ainda é de 2 a 3 pontos percentuais menor, dependendo do cálculo, do que as tarifas diretas dos EUA sobre a China.
Os 14 países que receberam as cartas também foram considerados estratégicos por analistas chineses, pois são, em sua maioria, vizinhos da China ou parceiros comerciais significativos. Isso pode ter sido proposital ou uma coincidência, dada a relevância dessa região nas trocas comerciais com os EUA. Ainda assim, há quem veja a principal intenção da guerra tarifária como uma forma de obter acordos comerciais que ajudem o presidente Trump a conter a China, e isso parece estar acontecendo. Trump parece exigir que esses países escolham um lado — alinhar-se à China ou aos Estados Unidos. Algumas das tarifas mais altas foram direcionadas a países do Sudeste Asiático, uma região estratégica para exportações chinesas, muitas vezes usada como rota de passagem para os EUA. Essa ofensiva ocorre num momento de força para Trump, após um ataque bem-sucedido às instalações nucleares do Irã. Rússia e China, aliados estratégicos do Irã, prometeram apoio ao país, mas permaneceram em silêncio após a ofensiva americana — algo notado por outras nações. Ao mesmo tempo, a OTAN expressou apoio a Trump com compromissos financeiros mais robustos, e os líderes do G7 também demonstraram respaldo. O objetivo aqui não é destacar Trump em si, mas sim descrever o processo de realinhamento geopolítico que está em curso — e como ele pode influenciar políticas e relações comerciais daqui para frente. A principal pergunta agora é como Rússia e China responderão.
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) classificou 74% da safra de milho deste ano como “Boa a Excelente”, uma das maiores classificações já registradas para o início de julho, o que indica potencial para uma safra acima da média. Em Iowa, essa classificação chega a 86%. Já a soja manteve-se em 66% Boa a Excelente, praticamente sem mudanças nas últimas semanas. A tendência sazonal normalmente é de queda nas classificações ao longo do tempo, mas neste ano o milho tem subido, e a soja tem se mantido estável. Todos os gestores de fundos que operam esses mercados utilizam modelos de produtividade para tomar decisões de negociação. Esses modelos estão projetando rendimentos entre 185 e 190 bushels por acre, o que equivale a aproximadamente 12,45 a 12,79 toneladas por hectare — acima da estimativa atual do USDA, de 181 bpa, ou cerca de 12,18 t/ha. Não se espera que o USDA altere essa projeção no relatório WASDE desta sexta-feira, devendo aguardar até agosto. Muitas coisas podem mudar até lá, mas, por enquanto, os fundos estão pressionando os preços para baixo a fim de estimular mais demanda e absorver o crescimento previsto na oferta. A previsão de 15 dias indica clima ameno com chuvas periódicas, o que sugere a continuidade de modelos acima da média por pelo menos mais duas semanas.



