
Petróleo aprofunda perdas em meio às preocupações com a economia global
Ontem, dia 07, o contrato mais ativo do Brent registrou queda de 0,69%, posicionando-se em USD 66,43 bbl. Os futuros do WTI, por sua vez, acompanharam o movimento, alcançando USD 64,94 bbl (-1,23%).
A recuperação observada no início da sessão teve fôlego curto, com investidores mantendo uma maior aversão ao risco em relação a economia global e os impactos sobre a demanda por petróleo. Além desse fator, a notícia de que Trump e Putin se encontrarão nos próximos dias para discutir o conflito no Leste Europeu também elevou as expectativas de alívio da política de sanções secundárias implementada pela Casa Branca.
Hoje pela manhã (08), o contrato do Brent para vencimento em outubro de 2025 é negociado em torno de USD 66,77 bbl (+0,54%) até as 09h15. O mercado reverte parte da queda de semana, ponderando os fatores baixistas, mas não evita a retração dos contratos no período, com o petróleo devendo retrair mais de 8% no período e voltando aos patamares observados no início de junho.
Mudança dos fluxos de diesel russo Com as novas tarifas de Donald Trump contra a Índia, refinarias do país começaram a buscar petróleo de outros fornecedores, o que elevou a expectativa de que a China passe a importar mais da Rússia. No último mês, as importações de petróleo russo da Índia chegaram a 1,7 mbpd, mas traders do país afirmam que estão buscando novos ofertantes, com destaque para as refinarias estatais. A expectativa é de que a China comece a absorver parte desse volume, uma vez que o país seria um dos que mais tem poder de barganha contra os Estados Unidos.
Além desse fator, a China já tem outros fornecedores sancionados, como o Irã e a Venezuela, com a maior disponibilidade de petróleo russo no mercado tornando uma fonte mais atrativa especialmente para a composição de estoques. Todavia, mesmo com a ampliação das compras chinesas, haveria alguns limitantes para esse crescimento. Entre eles se destaca a própria queda da atividade econômica do país, fator que é apontado como um dos principais fatores da desaceleração de demanda por petróleo, além do aumento da insegurança energética quando se aumenta a dependência com fornecedores, o que pode limitar o potencial volume absorvido por Pequim.
Ademais, o mercado aguarda novas movimentações de Donald Trump, especialmente com o encontro desse com o presidente Vladimir Putin nos próximos dias. O que pode reverter potencialmente as sanções secundárias contra a Índia e outros potenciais compradores de petróleo e derivados russos.
Aversão ao risco com tarifas A partir da quinta-feira (07), as tarifas comerciais dos Estados Unidos contra 90 países entraram em vigor, o que deve aumentar os custos de importação do país para 19,7%, em média, contribuindo para grandes incertezas para o petróleo. Apesar do petróleo estar isento da nova medida, ainda se tem uma vasta gama de produtos relacionados a produção da commodity e derivados que pode encarecer a operação das empresas americanas. Além desse impacto direto, o mercado considera também os reflexos que essas taxas terão para a atividade econômica no país, dado que o aumento das incertezas já parece afetar alguns indicadores relacionados a investimento, como o nível de abertura de novas vagas (payroll) e o componente do PIB referente a formação bruta de capital fixo no segundo trimestre recuando de 1,2% para 0,6% na primeira leitura do indicador.
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3.067/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma baixa de -001% na sessão passado, alcançando USD 7.90517/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -0,13%, alcançando USD 3,063 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 0,54%, próximos a USD 7,948 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: NYMEX, ICE. Elaboração: StoneX.