No dia 13, o contrato mais ativo do Brent fechou com alta de 2,5%, posicionando-se em USD 65,5 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, subindo para USD 61,1 bbl (+2,8%).
Os futuros do petróleo seguiram avançando de maneira firme na sessão passada, superando os USD 65 bbl pela primeira vez desde outubro de 2025. O aumento das tensões entre EUA e Irã ampliou os temores sobre uma possível disrupção produtiva e logística do mercado petrolífero iraniano, com os receios também se estendendo à possíveis efeitos sobre os fluxos da commodity pelo Estreito de Hormuz.
Hoje pela manhã (14), o contrato do Brent para vencimento em março de 2026 opera com uma alta de 1,3%, cotado a USD 66,3 bbl até as 08h20. Os futuros estendem as altas registradas nos últimos dias, refletindo não só o aumento dos prêmios de risco de oferta no Oriente Médio, como também os resultados das importações chinesas em dezembro.
Importações chinesas seguiram crescendo em dezembro
Hoje pela manhã, o GACC divulgou os dados referente à balança comercial chinesa de dezembro. De acordo com os dados, as importações de petróleo pela China atingiram a máxima anual, de 13,2 mbpd, marcando um avanço mensal de 10% e um aumento de 17% no comparativo com o mesmo período de 2024.
O volume mensal observado em dezembro é um recorde histórico, com o mercado chinês se aproveitando dos preços mais baixos no mercado internacional para manter a sua política de reconstrução de estoques. Além disso, algumas rastreadoras marítimas registraram um aumento expressivo das vendas de petróleo russo para a China, com descontos de até USD 15 bbl frente às referências internacionais – o que abriu espaço para o país asiático impulsionar as suas compras no período.
Importações de petróleo pela China – mbpd

Fonte: GACC. Elaboração: StoneX.
De acordo com algumas estimativas, entre o final de dezembro e início de janeiro, os estoques terrestres da China superaram 1,2 bilhão de barris, evidenciando o sucesso da estratégica de recomposição das reservas de petróleo. Outro fator que garantiu a expansão das compras ao longo do ano se deu no consumo pelas refinarias, com projeções apontando para uma demanda próxima a 15,34 mbpd (+0,7% a.a.), influenciada pelo aumento da capacidade de refino e do fator de utilização dos centros de processamento.
Com isso, as importações de petróleo pela China também atingiram um recorde histórico anual em 2025, de 11,5 mbpd (+4,4% a.a.). No geral, o volume surpreendeu os investidores, que esperavam um mercado chinês menos aquecido no ano passado. Para 2026, as atenções do mercado devem se dirigir à capacidade da China de diversificar seus fornecedores, em um contexto de provável recuo das vendas venezuelanas ao país asiático, aumento das sanções ao petróleo russo e avanço das tensões no Oriente Médio.
Tensões entre EUA e Irã seguem escalando
As tensões entre Washington e Teerã parecem ter atingido um novo patamar nos últimos dois dias. Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que os EUA consideram a intervenção militar no Irã como uma das respostas à repressão contra os protestos registrados na capital do país do Oriente Médio, o governo iraniano confirmou que fará a primeira execução de um manifestante hoje, inflando ainda mais o descontentamento da Casa Branca.
Em meio a esse cenário, os investidores seguiram precificando um aumento dos riscos relacionados à eventuais disrupções produtivas e logísticas pelo Irã. Paralelo a isso, há um receio de que essa escalada das tensões possa resultar em novos problemas no fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, onde cerca de 20% de todo óleo bruto produzido no mundo é transportado para outras regiões do globo.
Paralelo a isso, o fato do Irã ser um importante fornecedor de petróleo à China também auxilia no suporte às cotações da commodity. Algumas estimativas apontam que, entre novembro e dezembro, o Irã forneceu cerca de 1,4 mbpd de petróleo pesado ao mercado chinês, o que ampliou os receios sobre a possibilidade de um recuo das vendas iranianas em meio à essa escalada das tensões. O fato de que a China deve contar com um menor volume de petróleo venezuelano contribui para aumentar os temores sobre o balanço chinês, principalmente de petróleo pesado.
Para mais informações sobre as expectativas do mercado de petróleo em 2026, acesse a matéria especial feita pela Inteligência de Mercado da StoneX clicando aqui.
TABELA DE COTAÇÕES - FECHAMENTO DO DIA ANTERIOR

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.