Ontem (13), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 99,36/bbl (+4,40%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 99,08/bbl (+2,60%).
O movimento foi impulsionado pelo anúncio formal do bloqueio naval americano aos portos iranianos, após a frustração nas negociações de fim de semana em Islamabad. Nos momentos de pico, a alta chegou a superar USD 8/bbl, mas sinalizações de que canais diplomáticos permaneciam abertos contiveram parte do movimento. O mercado físico, por sua vez, segue descolado dos futuros, com o Dated Brent operando acima dos USD 130 bbl.
Hoje pela manhã (14), o contrato do Brent para vencimento em junho de 2026 opera com queda de 0,62%, cotado a USD 98,74/bbl até as 08h30. A abertura negativa reflete a reabertura parcial do diálogo entre Washington e Teerã, com negociadores dos dois países sinalizando possível retorno a Islamabad ainda esta semana.
Bloqueio dos EUA ao Estreito de Hormuz segue
O CENTCOM formalizou o bloqueio naval aos portos iranianos às 11h de ontem (horário de Brasília), estendendo sua abrangência ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Ao menos dois navios reverteram a rota ao se aproximar do estreito nas primeiras horas de operação, enquanto três tanqueiros ligados ao Irã conseguiram transitar por terem destinos fora de portos iranianos.
Por que isso importa? O estreito de Hormuz, responsável por cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e gás, já opera em regime severamente restrito desde o início do conflito. O bloqueio adiciona uma nova camada de incerteza operacional: além da restrição iraniana ao tráfego, os armadores agora enfrentam o risco de interdição americana, reduzindo ainda mais o volume de transições.
Panorama: O suspensão das exportações pelo Golfo Pérsico configura a maior disrupção de fornecimento de petróleo e gás da história. A passagem pelo estreito opera em volume muito inferior ao normal, e exportações por rotas alternativas, como o oeste da Arábia Saudita, Fujairah e o duto ITP rumo a Ceyhan, foram ampliadas, mas ainda insuficientes para compensar a perda.
- Os fluxos pelo Estreito de Hormuz caíram para cerca de 3,8 mbpd no início de abril, ante mais de 20 mbpd em fevereiro, antes do início do conflito. A perda líquida de exportações supera 13 mbpd quando consideradas a interrupção da produção e os danos à infraestrutura regional.
- O CENTOCOM deixou claro que o bloqueio não impede o trânsito neutro de navios com destinos não iranianos, e que cargas humanitárias serão permitidas mediante inspeção. Na prática, contudo, a incerteza sobre a aplicação das regras já reduziu sensivelmente a atividade de afretamento.
- Até a manhã desta terça, ao menos três tanqueiros ligados ao Irã transitaram pelo estreito sem ser interceptados, dado que seus destinos eram portos de terceiros países.
- A Organização Marítima Internacional estimou que cerca de 1.600 embarcações permanecem retidos no Golfo Pérsico, ilustrando o impacto operacional da crise.
O que esperar? Nas próximas horas, o mercado seguirá sensível a qualquer sinalização dos dois lados sobre o retorno às negociações em Islamabad. A persistência do bloqueio sem incidentes graves pode amortecer parte da alta, mas a janela para a reabertura da via permanece estreita e condicional ao avanço diplomático.
- A possível retomada das conversas entre EUA e Irã é um fator que pode limitar novas altas do petróleo.
- Ao mesmo tempo, a diferença elevada entre os preços no mercado físico e financeiro é um fator que pode contribuir para um novo avanço mais acelerado das cotações – principalmente em um contexto de divergência entre as delegações dos dois país.
Dados da IEA apontam para recuo expressivo da produção global em março
No relatório mensal divulgado nesta terça, a Agência Internacional de Energia confirmou uma redução da produção global de petróleo em 10,1 mbpd em março – evidenciando os impactos da suspensão dos fluxos pelo Golfo Pérsico.
Paralelo a isso, a IEA revisou suas projeções para 2026, passando a prever queda tanto na oferta quanto na demanda global de petróleo em relação a 2025. A demanda, que em março era esperada crescer 640 kbpd no ano, agora deve recuar 80 kbpd, a maior contração desde a pandemia de COVID-19.
Por que isso importa? A revisão da IEA sinaliza que o choque de oferta começou a se traduzir em destruição de demanda de forma mais rápida e disseminada do que se previa, com impactos já mensuráveis em petroquímica, LPG e combustível de aviação na Ásia e no Oriente Médio. O mercado passa a operar com a perspectiva de estoques em queda persistente mesmo diante de consumo menor.
Panorama: A IEA apresenta dois cenários: um base, que assume retomada parcial dos fluxos pelo Hormuz até meados de 2026, e um alternativo, em que a disrupção se prolonga e force um recuo quase 2 bilhões de barris de estoques globais, com uma queda de demanda em 5 mbpd entre o segundo e o quarto trimestre.
- A IEA estima que, no cenário base, oferta superará demanda em apenas 410 kbpd em 2026, ante um superávit projetado de 2,46 mbpd no relatório anterior, redução que reflete tanto a perda de produção quanto a destruição de consumo.
O que esperar? Nos próximos meses, a trajetória dos estoques globais será o principal indicador a acompanhar: se as negociações não avançarem antes do segundo trimestre, o recuo de estoques projetado pela IEA pode aprofundar a pressão sobre os preços físicos, que já operam muito acima dos futuros. O cenário alternativo da agência, com disrupção prolongada, deve ganhar peso de mercado a cada semana sem acordo.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.