Estreito de Ormuz permanece no centro das negociações geopolíticas
Segundo comunicado da Casa Branca, Trump e Xi Jinping concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para o livre fluxo de commodities energéticas. Ao mesmo tempo, o presidente chinês se posicionou contra a militarização do estreito e qualquer cobrança de pedágio para sua utilização, sinalizando alinhamento entre as duas potências no segundo ponto.
Por que isso importa: O entendimento entre os dois maiores consumidores de petróleo do mundo de que o fim da guerra é necessário pode resultar em uma maior pressão por Pequim para que Teerã avance com as negociações de paz, o que poderia reviver o sentimento baixista no mercado.
- Ao mesmo tempo, a oposição chinesa a uma militarização do estreito e as dificuldades de diminuir as divergências para um acordo definitivo de paz entre EUA e Irã são fatores que geram maior cautela por parte dos investidores em relação a essa possível retomada dos fluxos de petróleo e derivados por Ormuz, resultando na estabilidade dos preços neste início de sessão.
- Vale lembrar que, na semana passada, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reuniu-se com o governo chinês para discutir a guerra no Oriente Médio, expressando as condições de Teerã a Pequim para o fim do conflito.
O que esperar? No curto prazo, o alinhamento entre EUA e China pode reduzir marginalmente o prêmio de risco geopolítico, mas, sem uma ação concreta para reabrir o estreito, o efeito será limitado.
- Caso o Irã imponha novas restrições ou volte a promover ofensivas contra navios ou território de outros países do Golfo Pérsico, o Brent deve retomar novamente o ímpeto altista.
- Enquanto isso, o mercado físico se mantém amplamente estressado, com a Agência Internacional de Energia confirmando que, mesmo com uma reabertura do estreito neste mês, o balanço global deve seguir deficitário até setembro, em meio à reconfiguração logística e à dificuldade de os produtores do Golfo Pérsico ampliarem rapidamente a sua oferta.
Cúpula Trump-Xi sinaliza cooperação, mas sem avanços concretos sobre tarifas
Além da questão sobre o Irã, Xi Jinping também expressou interesse em aumentar compras de petróleo americano para reduzir a dependência chinesa do Estreito de Ormuz.
Por que isso importa: A China não importa petróleo americano desde maio de 2025 devido à tarifa de 20% imposta durante a guerra comercial. Mesmo com a busca por alternativas à Ormuz, essa taxação torna o produto dos EUA comercialmente inviável frente a outros disponíveis.
- Se houver remoção ou redução significativa das tarifas, o fluxo poderia ser retomado, mas historicamente os EUA nunca foram fornecedores relevantes para a China: no pico, em 2020, representaram menos de 4% das importações chinesas.
- O impacto direto sobre o balanço global seria limitado, mas a sinalização política poderia aliviar prêmios de risco.
O que esperar? O mercado deve permanecer em compasso de espera até o encerramento da cúpula na sexta-feira.
- Caso surja um acordo tarifário concreto envolvendo energia, os futuros do petróleo podem ser pressionados para baixo por conta desse alinhamento entre EUA e China na busca por uma estabilidade no mercado global de petróleo.
- Porém, se a reunião terminar apenas com declarações genéricas, a frustração tende a devolver parte dos ganhos observados em semanas anteriores.
Estoques americanos caem mais que o esperado, mas destilados surpreendem
Os estoques comerciais de petróleo nos EUA recuaram 4,3 milhões de barris na semana encerrada em 8 de maio, superando a expectativa de queda em 2,1 milhões de barris. Os estoques de gasolina também caíram 4,1 milhões de barris, acima da projeção de 2,9 milhões. Por outro lado, os estoques de diesel subiram 200 mil barris, contrariando a expectativa de queda em 2,7 milhões.
Por que isso importa: A queda expressiva nos estoques de petróleo e gasolina reflete exportações aquecidas e demanda doméstica resiliente, fatores altistas para os preços. No entanto, o aumento inesperado das reservas do diesel sinaliza possível desaceleração na atividade industrial e logística, alinhando-se com os temores de impacto econômico resultantes da inflação elevada.
O que esperar? O mercado deve continuar monitorando os próximos relatórios semanais do EIA para confirmar se a tendência de queda das reservas de petróleo e gasolina se sustenta.
- Vale destacar que os estoques estratégicos de petróleo dos EUA caíram quase 12 milhões de barris no mesmo período, evidenciando que as reservas comerciais não conseguem se sustentar mesmo em meio ao repasse das SPR.
- No caso do diesel, a manutenção de uma demanda fragilizada nos EUA pode contribuir para uma deterioração mais forte do crack-spread do combustível, que já cedeu 8,9% na sessão passada, posicionando-se ao redor de USD 61/bbl.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.