O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Especial | USDA - março | Soja, Milho, Trigo e Algodão

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

USDA - março | Soja, Milho, Trigo e Algodão
 
Ana Luiza Lodi
Thaís Monello
João Pedro Lopes
  Nuria Brito
Relatório cortou safras de soja e milho da argentina e trouxe demanda menos aquecida para commodities
O relatório de março não costuma trazer maiores surpresas, mas desempenho da economia mundial preocupa pelo lado da demanda, que sofreu cortes em suas estimativas para várias commodities.
Soja

As novas estimativas do USDA para o balanço global de oferta e demanda de soja vieram em linha com o especulado pelo mercado. O grande destaque no balanço da oleaginosa foi a redução na produção da safra 2022/23 argentina, de 41 para 33 milhões de toneladas, revisão que já era esperada, visto que ao longo dos últimos meses as lavouras do país vêm sendo afetadas negativamente por um clima adverso, mas que ficou abaixo da média das estimativas do mercado (36,55 milhões de toneladas).

Caso concretizada, essa seria a menor produção desde 2008/09, segundo a série histórica do Departamento, quando o país colheu 32 milhões de toneladas. Contudo, o número do USDA ainda está acima da estimativa da BCBA (29 milhões) e da Bolsa de Rosário (27 milhões) e, portanto, há espaço para novo corte.

Em função da menor produção no país sul-americano, o consumo doméstico argentino recebeu um corte de 3,6 milhões de toneladas, para 40,95 milhões, ao passo que as exportações recuaram 800 mil toneladas, para 3,4 milhões. 

No caso dos EUA, o USDA aumentou sua estimativa para exportação do país em 700 mil toneladas, para 54,84 milhões. Segundo o Departamento, a revisão foi motivada por um ritmo de embarques acima do esperado em fevereiro. De acordo com o divulgado no último relatório de inspeção de exportações do USDA, os EUA haviam embarcado 42,7 milhões de toneladas até o dia 2 de março, volume 2,9% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Por outro lado, o ritmo das vendas de exportação vem recuando ao longo do último mês e o volume acumulado até o início de março (48,7 milhões) está 7% abaixo do registrado na mesma época de 2022, o que gera alguns questionamentos sobre o volume de embarques dos EUA.

O consumo doméstico no país contraiu 280 mil toneladas, puxado principalmente por uma queda do esmagamento. Com isso, o USDA estima os estoques de passagem da safra 22/23 dos EUA em 5,72 milhões de tonleadas, seu nível mais baixo desde 2015/16 (5,4 milhões de toneladas). Quando olhamos para a relação estoque/uso (4,8%), o cenário é um pouco pior, sendo esse o patamar mais baixo desde 2014/15 (4,9%).

No que tange a outros importantes players, a principal mudança no balanço da China foi a redução de 2 milhões de toneladas em seu consumo doméstico, para 113,3 milhões. Contudo, o volume importado foi mantido em 96 milhões de toneladas. Com isso, os estoques finais do país aumentaram para 34,3 milhões em 2022/23, o que seria o maior patamar da série histórica chinesa. Para o Brasil, o Departamento manteve a produção brasileira 22/23 em 153 milhões de toneladas e elevou sua exportação para 92,7 milhões de toneladas, 700 mil a mais que no último relatório.
 

Argentina | Produção de soja (milhões de toneladas)

image 65969
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX. *Estimativa.

Milho

Assim como para a oleaginosa, um dos grandes destaques do relatório foi o corte na produção da safra 2022/23 argentina, de 7 milhões de toneladas, para 40 milhões. O mercado também já esperava uma contração, mas a revisão do USDA foi mais intensa que as estimativas, cuja média era de 43,4 milhões de toneladas. Por outro lado, o número do USDA segue acima do esperado pela Bolsas de Buenos Aires e de Rosário, que estimam a safra argentina em, respectivamente, 37,5 milhões e 35 milhões de toneladas.

Com a menor produção na Argentina, o Departamento reduziu as exportações do país, também em 7 milhões de toneladas, para 28 milhões. O consumo doméstico foi mantido em 12 milhões de toneladas e, assim, os estoques finais também permaneceram estimados em 1,5 milhão.

Em meio a uma menor oferta argentina, a demanda pelo cereal de outros países pode avançar, o que fez o Departamento elevar os embarques ucranianos, em 1 milhão de toneladas, para 23,5 milhões. O país ainda está sob invasão russa, mas o otimismo com a renovação do acordo de exportação de grãos pelos portos ucranianos no Mar Negro tem aumentado recentemente. Com as negociações, os embarques pelos portos ucranianos têm apresentado um bom ritmo e rumores e contestações russas contrárias ao corredor de exportações têm diminuído.

O cenário argentino poderia beneficiar também os embarques do Brasil, contudo, o USDA não trouxe mudanças em seus números de produção, consumo doméstico e exportações do país em 2022/23, que seguem estimados, respectivamente, em 125 milhões, 73 milhões e 50 milhões de toneladas.

Em relação ao EUA, a única alteração foi a redução nas exportações do país, de quase 3 milhões de toneladas, para 47 milhões, volume 25,2% menor que o registrado em 2022/23. Segundo o último relatório de inspeção de exportações do USDA, o país embarcou 15,3 milhões de toneladas até o dia 2 de março, volume 38,2% menor que um ano antes e, caso o ritmo nos próximos meses não seja capaz de compensar esse atraso, o Departamento poderá realizar novo corte. Em função da menor demanda externa pelo milho norte-americano, os estoques de passagem avançaram 1,9 milhão de toneladas, para 34,1 milhões, cerca de 900 mil toneladas a menos que na temporada 2021/22.

Argentina | Produção de milho (milhões de toneladas)

image 65970
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX. *Estimativa.
Trigo
O relatório de demanda e oferta global costuma ser muito aguardado pelo mercado, como um guia para os agentes se posicionarem diante do cenário de diversas safras. A divulgação de março, entretanto, não obteve grandes mudanças para o trigo e foi pouco absorvida pelo mercado.
Para os Estados Unidos, a perspectiva se mantém igual ao indicado no relatório de fevereiro. Modestas mudanças foram registradas para outros players importantes como Cazaquistão, Austrália e Índia. 
As estimativas para a produção global subiram 5,14 milhões de toneladas, devido a aumentos nas projeções para os três países citados anteriormente. Apesar do aumento na produção, o balanço de oferta e demanda continua apertado, com avanço registrado também para o consumo, que continua superior ao nível produzido do cereal. São esperadas para a safra 2022/23 uma produção de 788,9 milhões de toneladas, enquanto para o consumo a expectativa é de 793,2 milhões.
O Cazaquistão chamou a atenção, pois caso se concretizem as estimativas, o país obterá a sua maior safra da última década. Sua produção passou de 14 para 16,4 milhões de toneladas esperadas em relação ao último relatório. 
A Austrália também obteve ajustes positivos, com sua produção passando de 38 para 39 milhões de toneladas, gerando efeitos sobre a exportação, que aumentou de 28 para 28,5 milhões de toneladas. O USDA está em linha com o Australian Bureau of Agricultural and Resource Economics and Science, ABARES, cuja previsão para 2022/23 (outubro-setembro) é de um recorde de 39,2 milhões de toneladas, anunciado em seu relatório trimestral um dia antes do WASDE/USDA.
Para a Índia, segundo maior país produtor de trigo, o aumento também foi de 1 milhão de toneladas para a produção, que deve alcançar 104 milhões de toneladas caso as condições climáticas favoreçam o ciclo.

Produção de trigo (milhões de toneladas)            

image 65972

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX. *Estimativa.

Algodão

O WASDE de março contribuiu para o tom baixista no mercado do algodão ao reforçar uma demanda pela commodity enfraquecida. O órgão reduziu suas projeções para o consumo mundial, indicando 23,97 milhões de toneladas para a safra 2022/23, o que representa um recuo de 0,5% em relação ao estimado no reporte anterior (24,09 milhões). O corte foi puxado, principalmente, pelas reduções do consumo paquistanês (-43,5 mil toneladas) e do consumo de Bangladesh (-21,8 mil toneladas). 

Apesar de a redução na demanda fornecer um panorama negativo para o algodão, tal corte já era esperado pelo mercado, principalmente diante do atual cenário econômico no Paquistão. Como comentado em matérias anteriores, o país está passando por uma forte crise cambial, que vem prejudicando a sua capacidade de fazer frente às suas relações comerciais e, consequentemente, reduzindo a sua participação na demanda pela pluma. Além da redução no consumo doméstico paquistanês, o USDA estima que a importação do país também contrairá em 43,5 mil toneladas, levando ao total de 940 mil toneladas importadas no ciclo atual – uma queda de 4,4% ante ao estimado em fevereiro.

Do lado oferta, a produção global sofreu um incremento de 157 mil toneladas frente ao projetado em fevereiro, aumentando o total para 25,06 milhões de toneladas. A China continua sendo um player muito relevante nas mudanças do reporte, dado que o país mostrou o maior aumento na produção (+217 mil toneladas), elevando a estimativa para 6,42 milhões de toneladas produzidas.

Além da China, a Austrália também registrou acréscimo em sua produção (+108 mil toneladas), com 1,2 milhão de toneladas estimadas agora. Com isso, verificou-se que tais aumentos mais que compensaram a retração do volume da produção indiana (-217 mil toneladas), o que contribuiu para que o USDA indicasse uma maior oferta global do algodão. Ainda assim, vale destacar que a projeção para o ciclo 2022/23 exibe um recuo de 0,7% em relação ao estimado na safra 2021/22.

Por fim, a elevação da produção, aliada à redução da demanda, implicou em um aumento dos estoques finais mundiais. O relatório de março reduziu o volume em 451 mil toneladas ante ao projetado em fevereiro, fazendo com que o total dos estoques ficasse em 19,85 milhões de toneladas. Com isso, o mercado de algodão permanece em alerta para possíveis mudanças na demanda que possam indicar uma melhora na busca pela commodity, visto que o cenário atual ainda não fornece indicadores suficientes para que o mercado tenha um sentimento altista.

Mundo | Produção e Consumo (milhões de toneladas)

image 65973
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX. 
 
  • Grãos e Oleaginosas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Artigos relacionados para Grãos e Oleaginosas

Comentários de Abertura

6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

Mike Castle
Mike Castle
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

5 de agosto – Os mercados de ações dos EUA estão em chamas nesta semana, com tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 estabelecendo novas máximas históricas ontem, com os futuros indicando novos ganhos novamente hoje; o mercado permanece otimista quanto a um acordo com o Irã, apesar de nenhuma evidência disso até o momento. O petróleo bruto trabalha em uma máxima e uma mínima mais baixas hoje, mas permanece ligeiramente no lado alto na sessão, enquanto o dólar recua de volta em direção à mínima de quase dois meses de segunda-feira. O título de dez anos está estável a mais baixo nesta manhã (embora solidamente mais baixo até agora neste mês), em 4,605%, enquanto o índice VIX continua a se recuperar no meio da semana, com uma leitura de quase 17 pontos nesta manhã.

Matt Zeller
Matt Zeller
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

4 de agosto – O índice de referência Dow Jones Industrial Average disparou no fechamento de ontem para terminar quase 700 pontos mais alto, em um fechamento recorde de 53.178 pontos – superando facilmente o topo anterior de quase um mês atrás. O S&P 500 está à beira de seu próprio recorde também, enquanto o índice NASDAQ está aquém das máximas de junho, mas trabalhando em uma forte alta de três sessões. Todos os três apontam para aberturas positivas hoje. A Palantir (uma empresa de software dos EUA) reportou lucros melhores do que o esperado ontem à tarde, após o fechamento, impulsionando o setor de tecnologia, embora uma série de outras empresas também tenha reportado lucros fortes. O título de dez anos continua recuando da máxima de sexta-feira, agora em 4,67%, com o dólar no lado alto do patamar de paridade, enquanto o índice VIX, agora abaixo de 16, mostra volatilidade reduzida.

Matt Zeller
Matt Zeller
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais
Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.