Exportações brasileiras de café robusta podem ganhar força com novas tarifas dos EUA
No dia 2 de abril de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas sobre importações originárias de diversos países. Segundo as informações mais recentes, essas medidas não contemplam exceções, inclusive para o setor cafeeiro. No entanto, o diretor da Associação Nacional do Café dos Estados Unidos informou, por meio de nota, que submeteu ao Departamento de Comércio um pedido para que o café seja isento das novas tarifas. Dessa forma, ainda existem incertezas quanto à efetiva aplicação dessas medidas ao café importado.
Considerando o cenário atual, é possível avaliar os potenciais impactos dessas tarifas para os países exportadores de café. Segundo o USDA, os Estados Unidos importaram do Brasil, principal fornecedor do produto ao país, cerca de 7,3 milhões de sacas de café verde em 2024. Nesse caso, foi estabelecida uma tarifa de 10%. De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), apenas 693 mil sacas de café robusta foram exportadas aos EUA em 2024. Da Colômbia, segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos no segmento, o país importou quase 4,2 milhões de sacas no mesmo ano, também com incidência da tarifa de 10%.
Esse mesmo percentual foi aplicado às importações provenientes de Honduras, Guatemala, Peru, Costa Rica, Etiópia, Uganda e El Salvador. Em contrapartida, países como Vietnã, Nicarágua e Indonésia foram alvo de tarifas significativamente mais elevadas. O Vietnã, por exemplo, enfrentará uma tarifa de 46% sobre suas exportações de café para os EUA. De acordo com o USDA, foram importadas 1,5 milhão de sacas do Vietnã em 2024, majoritariamente compostas por café robusta, já que essa variedade domina a produção vietnamita. A Indonésia, outro importante produtor de robusta, exportou 637 mil sacas e será submetida a uma tarifa de 32%. A Nicarágua, por sua vez, terá uma tarifa de 18%.
Principais origens das importações americanas de café em 2024 e as tarifas anunciadas

Fontes: USDA e Governo dos EUA. Elaboração: StoneX.
Esse novo cenário pode abrir espaço para o aumento das exportações brasileiras de café robusta aos Estados Unidos, especialmente diante das restrições enfrentadas pelos principais concorrentes, como Vietnã e Indonésia. Apesar de o Brasil já ocupar posição de destaque como fornecedor de café arábica, o volume de robusta exportado ainda é relativamente baixo, o que representa uma oportunidade de expansão.
Os Estados Unidos são atualmente o maior consumidor mundial de café. Estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projetam um consumo de 23,9 milhões de sacas para a temporada 2024/25. Em 2024, o volume total importado foi de aproximadamente 21,2 milhões de sacas, evidenciando a forte dependência externa do país para suprimento interno.
Outro ponto relevante diz respeito ao impacto das tarifas nos preços ao consumidor. O mercado de café já vem apresentando altas expressivas desde 2024, culminando em máximas históricas registradas em fevereiro de 2025. Essa valorização foi sentida diretamente pelo consumidor final. No Brasil, por exemplo, a inflação acumulada do café torrado e moído ultrapassou 66% no último ano. Situação semelhante foi observada nos Estados Unidos, onde o preço do café torrado e moído chegou a US$ 7,25 por libra, o maior valor desde o início da série histórica, em 1980. A inflação acumulada do produto no país atingiu 18,9% até o mês de janeiro de 2025.
Portanto, caso as tarifas anunciadas sejam efetivamente implementadas, a tendência é que os preços do café continuem em trajetória de alta, pressionando ainda mais a inflação sobre o produto nos Estados Unidos. Além de afetar os fluxos comerciais e a competitividade de alguns países exportadores, essas medidas poderão ter consequências relevantes para o consumidor norte-americano e para os fluxos comerciais no mercado global de café.



