Dólar reflete CPI acima do estimado nos EUA
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,079 (+1,4%)
▲ Dollar Index (DXY): 105,2 pontos (+1,0%)
O mercado de divisas repercutiu a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano de março acima das estimativas pelo terceiro mês seguido, o que piorou as expectativas para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) este ano e levou a moeda americana ao maior nível em seis meses.
Variações | No dia: +1,44% | Na semana: +0,27% | No mês: +1,26% | No ano: +4,68% | Em 12 meses: +1,41% |
Inflação alta O dólar negociado no mercado interbancário encerrou o pregão desta quarta-feira em forte alta, no maior valor de fechamento desde 13 de outubro, em linha com o movimento global de fortalecimento da moeda americana. O dollar index, que pondera o valor da divisa americana frente a seis moedas de economias centrais, atingiu o maior valor desde 14 de novembro após a divulgação do CPI de março nos EUA, que ficou acima do esperado pelo terceiro mês seguido, com alta de 0,4% tanto no índice cheio como no núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia – a mediana das estimativas era de 0,3% para ambos. O dado elevou os receios entre investidores de que a inflação no país está se tornando persistente e resiliente, o que levou a uma queda brusca nas apostas para corte de juros pelo Fed neste ano – antes da divulgação do CPI, a maior parte dos investidores apostavam em três reduções de juros neste ano; após a divulgação, passou para uma única redução, em setembro. Dessa forma, aumenta a perspectiva de que os juros nos EUA permanecerão mais elevados por mais tempo, o que torna a renda fixa americana mais atrativa e tende a fortalecer o dólar.
Inflação baixa Adicionalmente, no Brasil o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou desaceleração com o menor resultado para o mês de março desde 2020, encerrando-o com alta de 0,16% após o aumento de 0,83% registrado em fevereiro. A leitura do IPCA do último mês ficou abaixo da mediana das estimativas, que previa alta de 0,24%, e consolidou um resultado acumulado de 3,93% em 12 meses, contra os 4,50% reportados em fevereiro. Dentre os grupos estudados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destaca-se a alta da categoria de Alimentação e bebidas, que registrou a maior alta e avançou 0,53% em março, além do recuo do grupo de Transportes, o qual apresentou baixa de 0,33%. Assim, o arrefecimento da inflação brasileira amplia o entendimento de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC) tem maior margem para continuar o ritmo do seu ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic), o que é prejudicial para a perspectiva do diferencial de juros entre o Brasil e Estados Unidos, de modo a causar pressões altistas no câmbio.
Mercado de moedas No cenário externo, o dollar index terminou o pregão cotado a 105,2 pontos, variação de +1,0% ante à véspera. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano, a rúpia indiana e o rublo russo também se desvalorizaram em relação à divisa americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 46,605 pontos, recuo de 0,8% frente ao término de terça-feira.




