Câmbio termina a terça em queda, cotado a R$ 5,461
Dólar refletiu pacote de estímulos à economia chinesa e ata do Copom
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,461 (-1,3%)
▼ Dollar Index (DXY): ~100,4 pontos (-0,5%)
O mercado de divisas repercutiu o enfraquecimento amplo da moeda americana após pacote abrangente de estímulos pela China, números fracos para a confiança do consumidor americano e a publicação da ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
Variações | No dia: -1,33% | Na semana: -1,08% | No mês: -3,10% | No ano: +12,57% | Em 12 meses: +9,96% |
Estímulos econômicos na China O dólar negociado no mercado interbancário apresentou firme tendência de baixa na sessão desta terça-feira, em linha com o enfraquecimento externo da moeda americana após a divulgação do maior pacote de estímulos econômicos pela China desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020. Na noite de ontem, o Banco Central da China (PBoC) anunciou um conjunto de medidas monetárias para revigorar a economia do país, com cortes nas taxas referenciais de juros de um e de cinco anos, na taxa de juros para compromissos de recompra (reverse repo) de sete dias e na taxa de depósitos compulsórios, bem como na taxa de juros média para hipotecas. Embora analistas tenham ressaltado a ausência de estímulos fiscais, e sua necessidade para recuperar a demanda interna no país, o pacote foi mais vultoso e abrangente que se antecipava e sinaliza a preocupação do governo chinês em sustentar o nível de crescimento após meses de desaceleração do ritmo de expansão. Dessa forma, os estímulos elevaram as expectativas para o crescimento do país, o que favoreceu o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como o real.
Queda na confiança do consumidor americano Contribuiu para o enfraquecimento global do dólar, também, a queda inesperada do índice de confiança do consumidor americano medido pelo Conference Board, na maior redução para o indicador desde agosto de 2021. O índice recuou de 105,6 pontos em agosto para 98,7 pontos em setembro (1985 = 100), ao passo que a projeção mediana apontava para 103,0 pontos, impulsionado por preocupações crescentes sobre a saúde do mercado de trabalho. A piora da confiança do consumidor dos EUA aumentou os receios entre investidores sobre uma desaceleração maior que o esperado para a economia do país e ampliou apostas de cortes de juros velozes pelo Federal Reserve, o que prejudicou o desempenho da moeda americana.
Ata firme do Copom Por fim, contribuiu para o fortalecimento do real a publicação da ata da decisão do Copom da quarta passada (18), que optou por não sinalizar sobre os próximos passos do Comitê, mas afirmou que há “uma deterioração [n]a composição da inflação” e que o Copom “julgou que o início do ciclo deveria ser gradual de forma a, por um lado, se beneficiar do acompanhamento diligente dos dados, ainda mais em contexto de incertezas, tanto nos cenários externo como doméstico, mas, por outro lado, permitir que os mecanismos de transmissão da política monetária que possibilitarão a convergência da inflação à meta já comecem a atuar”. O posicionamento firme do Banco Central, tanto no comunicado da semana passada como na ata de hoje, consolidou a expectativa de investidores de uma sequência de altas para a taxa básica de juros (Selic), o que amplia a perspectiva para o diferencial de juros brasileiro, especialmente por ocorrer junto a um ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve, e favorece a atração de capitais externos, valorizando o real.
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