Câmbio encerra a quarta em baixa, cotado a R$ 5,446
Dólar refletiu melhora do rating do Brasil e dados para o mercado de trabalho americano
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,446 (-0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): 101,6 pontos (+0,4%)
O mercado de divisas repercutiu a melhora da nota de risco brasileiro pela agência de classificação de risco Moody’s e a divulgação números melhores que o esperado para emprego privado nos EUA.
Variações | No dia: -0,34% | Na semana: +0,17% | No mês: -0,07% | No ano: +12,24% | Em 12 meses: +7,46% |
Elevação da nota de crédito brasileira O dólar negociado no mercado se manteve em baixa ao longo da sessão desta quarta-feira, impulsionado pela inesperada melhora da nota de crédito soberano brasileiro pela agência de classificação de risco Moody’s, após o encerramento da sessão de ontem. Cinco meses após elevar a perspectiva de crédito brasileiro de “neutra” para “positiva”, a agência elevou a nota do Brasil de Ba2 para Ba1, mantendo a perspectiva positiva, deixando a apenas um nível do chamado “grau de investimento” (Baa3). Em nota, a agência cita um crescimento econômico mais robusto do que o antecipado e um histórico crescente de reformas que conferem resiliência ao seu perfil de crédito, embora a classifique a credibilidade do arcabouço fiscal como “moderada”. Nesse sentido, a evolução da nota de crédito brasileira se alinha aos comentários de ontem do presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, de que a exigência de prêmios de risco de ativos brasileiros parece exagerada em comparação com outras economias. A elevação da nota representa uma avaliação de risco menor de não pagamento (calote) pelo país e, com isso, reduz a exigência de prêmios de riscos por investidores, o que ajuda na atração de capitais estrangeiros e favorece o desempenho do real.
Dados positivos de emprego nos EUA No exterior, a moeda americana se fortaleceu perante outras divisas de economias avançadas após a divulgação de dados para o mercado de trabalho americano. O instituto ADP informou que a geração de empregos privados no país cresceu de 103 mil em agosto para 143 mil em setembro, acima da estimativa mediana de 120 mil novos postos de trabalho. O mercado de trabalho tem sido um foco central para os investidores, que buscam avaliar a resiliência da atividade produtiva e a robustez das condições de emprego nos EUA. Assim, o relatório divulgado hoje ajudou a consolidar um cenário de desaceleração gradual, reforçando a possibilidade de um "pouso suave" da economia. Esse cenário indicaria um ritmo mais lento para eventuais cortes de juros por parte do Federal Reserve, o que, por sua vez, contribui para fortalecer o dólar.
Receios geopolíticos no Oriente Médio Por fim, vale ressaltar que a escalada recente das tensões geopolíticas no Oriente Médio manteve os investidores ligeiramente mais cautelosos enquanto avaliam a evolução do cenário e potenciais impactos para os mercados de ativos globais. Ontem, o governo iraniano lançou cerca de 180 mísseis balísticos em retaliação à morte de líderes importantes do Hezbollah, organização política e paramilitar do Líbano. Embora tenha sido o maior ataque já realizado pelo Irã ao país, a maioria dos projéteis foi interceptada pelas forças israelenses e americanas. O ataque ocorre em um momento crítico, com Israel envolvido em dois conflitos simultâneos – contra o Hamas e o Hezbollah –, aumentando as preocupações dos investidores quanto à possível intensificação da guerra e um envolvimento direto do Irã. O aumento da aversão ao risco favorece o desempenho ativos considerados portos-seguros, como o dólar americano, que oferecem maior liquidez e menor volatilidade em momentos de estresses financeiros.
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