Câmbio termina a quinta em queda, cotado a R$ 5,664
Dólar reflete redução da percepção de prêmios de riscos
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,664 (-0,5%)
▼ Dollar Index (DXY): 104,0 pontos (-0,4%)
O mercado de divisas repercutiu o crescimento maior que o esperado do IPCA-15 de outubro, bem como comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em defesa de um ajuste das contas públicas brasileiras.
Variações | No dia: -0,53% | Na semana: -0,65% | No mês: +3,93% | No ano: +16,73% | Em 12 meses: +13,42% |
IPCA-15 acelera mais que o esperado Após abrir o dia em alta, o dólar negociado no mercado interbancário inverteu seu sentido para queda no final do pregão, encerrando o dia em baixa. O enfraquecimento inicial do real foi impulsionado pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de outubro, considerado uma prévia da inflação, que se acelerou de 0,13% em setembro para 0,54% em outubro, pouco acima da mediana das projeções de 0,50%. No acumulado em 12 meses, o índice passou de alta de 4,12% em setembro para 4,47% em outubro, encostando no limite de tolerância da meta de inflação do Banco Central, de 4,50%. Esse aumento foi resultado da aceleração dos preços de Alimentação e Bebidas (0,87%) e dos custos de energia elétrica (5,29%), por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 1 no segunda metade de setembro e vermelha patamar 2 na primeira metade de outubro. Por outro lado, o núcleo de preços do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, e os preços de serviços cresceram a um ritmo bem mais moderado no mês, em 0,22% e 0,24%, respectivamente. Embora o dado aumente os receios de que a estabilização de preços no país esteja se enfraquecendo (o Banco Central projetou em setembro um risco de 36% do IPCA ultrapassar o limite máximo este ano) e reforce a interpretação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deva endurecer seu ritmo de altas para a taxa básica de juros (Selic), o que poderia atrair mais capitais externos e beneficiar o real, essa tendência foi anulada pela piora das expectativas inflacionárias e da percepção de riscos para ativos brasileiros. Diante do cenário mais desafiador, particularmente para a taxa de câmbio e para os contratos de juros futuros, investidores adotaram inicialmente uma postura mais cautelosa frente a ativos brasileiros, o que enfraqueceu o real.
Autoridades econômicas defendem ajuste fiscal Ao longo do dia, porém, falas de autoridades econômicas ajudaram a minimizar a percepção de investidores de riscos para ativos brasileiros. O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, afastou a hipótese de uma “dominância fiscal” no Brasil, isto é, que um descontrole orçamentário do governo esteja reduzindo o efeito da política monetária do país. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, por sua vez, afirmou que a exigência de prêmios de riscos de investidores está “um pouco exagerad[a]”. Por fim, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou a intenção do governo federal de fortalecer o arcabouço fiscal e promover um ajuste das despesas públicas. Os comentários dessas autoridades contribuíram para reduzir a exigência de prêmios de risco por investidores, o que facilitou a atração de recursos estrangeiros e contribuiu para o fortalecimento do real no final do pregão.
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