Câmbio termina a terça em leve alta, cotado a R$ 5,810
Dólar refletiu expectativa por pacote fiscal, IPCA-15 e tarifas de Trump
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,810 (+0,1%)
▲ Dollar Index (DXY): 107,0 pontos (+0,2%)
O mercado de divisas repercutiu o fortalecimento amplo da divisa americana após o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ameaçar impor tarifas sobre todas as importações vindas do Canadá, México e China. No Brasil, investidores permaneceram em compasso de espera pelo anúncio de redução de despesas pelo governo federal.
Variações | No dia: +0,10% | Na semana: -0,08% | No mês: +0,49% | No ano: +19,75% | Em 12 meses: +18,57% |
À espera dos cortes de gastos Pelo terceiro pregão consecutivo, o dólar negociado no mercado interbancário oscilou entre margens estreitas até encerrar o dia próximo à estabilidade, com investidores em compasso de espera pela divulgação do pacote de corte de gastos do governo federal. Embora o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenha afirmado na sexta passada que a divulgação ocorreria ontem ou hoje, Haddad voltou atrás sobre quando essas medidas seriam anunciadas. Ontem, o ministro disse a jornalistas que “fechamos o entendimento dentro do governo, o presidente já decidiu as últimas pendências. Devemos falar com os presidentes das Casas, conforme eu tinha anunciado que, depois de fechar eles devem falar com os presidentes Pacheco e Lira, líderes, e aí nós vamos encaminhar [para o Congresso]”. Contudo, se recusou a afirmar quando isso ocorreria. Hoje, veículos de mídia especializada reportaram que o ministro da Fazenda fará um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão na noite de amvanhã para explicar as medidas para a população. A indefinição e demora do Executivo em divulgar o pacote reforça uma percepção entre investidores de que o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência e pouca importância para a necessidade de ajustes dos gastos públicos, o que pode resultar em maior pessimismo de investidores em relação à condução da política fiscal do país.
Volatilidade internacional do dólar No exterior, o dólar se fortaleceu diante da maior parte das moedas globais, em especial às do Canadá, China e México, após o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, afirmar via rede social que ele irá impor sobretaxas para as importações americanas vindas desses países em seu primeiro dia de governo (20 de janeiro). Trump afirmou que aplicará um imposto de importação de 25% sobre todos os produtos importados do México e do Canadá, além de uma taxa adicional de 10% sobre todas as importações vindas da China, pois, segundo ele, esses países não estão detendo a “invasão” de “imigrantes ilegais” e de drogas para os Estados Unidos. O anúncio trouxe volatilidade para os mercados de divisas globais, com uma alta intensa do dollar index durante a madrugada (saiba mais sobre o dollar index aqui), porém devolvendo parte dos ganhos ao longo do dia.
IPCA-15 acelera em novembro Por fim, vale mencionar que contribuiu para a estabilidade do real a inesperada aceleração do IPCA-15, que passou de 0,54% em outubro para 0,62% em novembro. A leitura apresentou uma composição ruim, com alta mensal de 0,49% em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, e de 0,77% nos itens de serviços. Contribuiu para esse crescimento maior que o antecipado da inflação o aumento dos preços de alimentação e bebidas (+1,34%), de passagens aéreas (+22,56%) e de cigarros (+4,97%). A reaceleração do IPCA deve piorar as expectativas inflacionárias de investidores e reforça as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve realizar um ciclo de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), o que, por sua vez, favorece a expectativa de rentabilidade de títulos domésticos e contribui para a atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real.
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