Câmbio encerra a quarta em forte alta, refletindo frustração com política fiscal brasileira
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,914 (+1,8%)
▼ Dollar Index (DXY): 106,1 pontos (-0,8%)
O mercado de divisas repercutiu negativamente a notícia de que o governo brasileiro anunciará a ampliação da isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas com salários de até R$ 5.000, levando a taxa de câmbio do real ao seu pior fechamento nominal da história.
Variações | No dia: +1,80% | Na semana: +1,72% | No mês: +2,29% | No ano: +21,90% | Em 12 meses: +20,70% |
Crise de confiança com a política fiscal brasileira O dólar negociado no mercado interbancário disparou na sessão desta quarta-feira, encerrando no maior valor nominal da sua história e conferindo ao real o pior desempenho global da sessão, mesmo diante de perdas generalizadas da moeda americana. O movimento foi impulsionado pela notícia de que o Palácio do Planalto incluirá a ampliação da isenção do imposto de renda para pessoas físicas entre as medidas do chamado “pacote fiscal” de medidas para redução de despesas federais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fará um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão às 20h30min para apresentar as medidas à população. Como agentes do mercado financeiro aguardavam há semanas por propostas do Executivo para redução de despesas, a inesperada informação de que a equipe econômica incluirá a ampliação de dezenas de bilhões de reais em renúncia tributária causou péssima impressão, reforçando a leitura entre investidores de que o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência e pouca importância para a necessidade de ajustes dos gastos públicos e agravando a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros, o que penalizou intensamente o desempenho de ativos domésticos, como a taxa de câmbio do real e a taxa dos contratos futuros de juros (DI).
Recuo internacional do dólar No exterior, o pregão foi de recuo generalizado da moeda americana, em um provável movimento de realização de lucros de investidores. Embora os dados econômicos do dia tenham reforçado a interpretação de que a economia americana segue mais aquecida do que o esperado e a retórica entre México, Canadá e o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, tenham ampliado os temores de que Trump iniciará uma pesada guerra tarifária com outros países, investidores aproveitaram a véspera do feriado prolongado do dia de Ação de Graças para se desfazer de posições recentes e realizar lucros acumulados nas últimas oito semanas.
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