Câmbio encerra a quarta em baixa, refletindo inflação mais branda nos EUA e falas sobre resultado fiscal em 2024
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 6,025 (-0,4%)
▼ Dollar Index (DXY): 109,1 pontos (-0,2%)
O mercado de divisas repercutiu divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de dezembro nos EUA, que mostrou perspectiva mais positiva do que o esperado para a estabilização do nível de preços no país. No Brasil, falas do secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, impulsionou o movimento de fortalecimento do real.
Variações | No dia: -0,36% | Na semana: -1,28% | No mês: -2,47% | No ano: -2,47% | Em 12 meses: +23,80%
Núcleo do CPI desacelera O dólar negociado no mercado de divisas abriu a sessão oscilando entre perdas e ganhos na manhã desta quarta-feira, para depois iniciar trajetória de queda ao longo do restante da sessão, encerrando o dia cotado a R$ 6,025, menor valor de fechamento desde 13 de dezembro do ano passado. O principal fator de influência veio do exterior, com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de dezembro nos Estados Unidos. Embora o índice cheio tenha superado as expectativas, com alta mensal de 0,4% ante estimativa mediana de 0,3%, o núcleo do indicador apontou desaceleração da inflação subjacente, saindo de 0,3% em novembro para 0,2% em dezembro. Em outras palavras, mesmo com o índice cheio acima do previsto, inclusive apresentando a maior alta em nove meses, o seu núcleo, que exclui os componentes voláteis de energia e alimentação, visto como indicador mais adequado das pressões inflacionárias, mostrou desaceleração. Além disso, o indicador fortaleceu a percepção de que, dado o ritmo de desaceleração da inflação no setor habitacional, o próximo relatório sobre o Índice de Preços de Despesas com Consumo Pessoal (PCE) de dezembro pode ser mais brando. O PCE é utilizado pelo banco central norte-americano para definir sua meta de inflação. Nesse contexto, a composição mais benigna do CPI reforçou a percepção de que a economia dos Estados Unidos possa atravessar um “pouso suave”, com redução gradual da atividade, preservação de níveis adequados de emprego e menor pressão inflacionária. Esses dados, somados ao Índice de Preços ao Produtor (PPI) de ontem, interromperam a recente sequência de resultados mais aquecidos na economia norte-americana, que vinha alimentando a ideia de que o Federal Reserve teria espaço limitado para novos cortes na taxa de juros e, consequentemente, sustentava o valor do dólar nas últimas semanas.
Governo deve atingir meta fiscal de 2024 Contribuiu para o fortalecimento do real, também, comentários do secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, de que as contas públicas em 2024 devem ficar próximo ao centro da meta, de déficit primário zero. Segundo Ceron, o resultado do Orçamento primário, que será divulgado oficialmente em 31 de janeiro, deve mostrar um déficit aproximado de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), dentro do intervalo de tolerância de 0,25% do PIB. De acordo com o secretário, um empoçamento (verbas disponibilizadas para gasto pelos ministérios, mas que acabaram não sendo utilizadas) de cerca de R$ 20 bilhões favoreceu esse resultado. Ainda que o resultado oficial desconsidere as despesas pagas por meio de créditos extraordinários, como as despesas emergenciais com a recuperação do Rio Grande do Sul, a afirmação de Ceron contribuiu para reduzir levemente a percepção de riscos fiscais no Brasil e impulsionou o fortalecimento do real durante a tarde.
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