Câmbio fecha a segunda estável, mesmo diante de mau humor externo
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,9128 (-0,1%)
▼ Dollar Index (DXY): ~107,3 pontos (-0,1%)
A taxa de câmbio do real alternou entre perdas e ganhos nesta segunda-feira, descolada do movimento externo de maior aversão a riscos por conta de incertezas no segmento de inteligência artificial e receios de aumento nas tarifas de importação pelos EUA.
Variações | No dia: -0,09% | Na semana: -0,09% | No mês: -4,29% | No ano: -4,29% | Em 12 meses: +20,40% |
China surpreende e traz incerteza a investidores A taxa de câmbio do real rondou a estabilidade ao longo desta segunda-feira, em um movimento descolado de seus principais pares emergentes e sem razões claras. O dia foi de maior aversão a ativos arriscados após o lançamento de um assistente de inteligência artificial (IA) durante o fim de semana pela startup chinesa DeepSeek, que afirmou que sua tecnologia apresenta melhor custo-benefício e utiliza chips menos avançados. Parte da interpretação recente de uma “exuberância econômica” dos EUA estava na leitura de que o avanço da IA exigiria um longo ciclo de investimentos em tecnologia, em particular em chips mais sofisticados e potentes e uso mais intensivo de servidores para armazenamento de grandes bases de informação, o que levou, ao mesmo tempo, a uma rápida elevação dos investimentos das empresas nessas áreas e a um forte otimismo de investidores quanto à perspectiva de rentabilidade futura das empresas de tecnologia listadas nas bolsas americanas, supostamente à frente nessas tecnologias. O anúncio chinês, entretanto, desafia essas premissas e traz incertezas sobre a dominância tecnológica dos EUA, o que, por sua vez, provocou um comportamento avesso ao risco de investidores, favorecendo o desempenho de ativos considerados “portos-seguros” para momentos de incerteza, como títulos de renda fixa e o franco suíço e o iene japonês.
EUA ameaçam tarifas contra a Colômbia Adicionalmente, também contribuiu para a aversão global a riscos a maior possibilidade de aumento das tarifas de importação pelos EUA contra as demais nações do mundo. No fim de semana, os Estados Unidos e a Colômbia quase iniciaram uma “guerra comercial” após o país sul-americano recusar, inicialmente, receber aeronaves militares do norte-americano que deportavam em massa imigrantes colombianos. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas e sanções à Colômbia para puni-la por se recusar a aceitar os voos com deportados, o que levou os dois países a chegarem a um acordo, com Bogotá aceitando os migrantes e Washington não impondo as penalidades.
Real se destaca entre emergentes Contudo, a moeda brasileira apresentou desempenho superior a pares como o peso mexicano e o rand sul-africano sem razões muito claras. Para alguns analistas, a piora das estimativas inflacionárias no boletim Focus reforçou uma leitura de que o Banco Central do Brasil deve aumentar intensamente a taxa básica de juros (Selic) ao longo do ano, ajudando a atrair investimentos estrangeiros e amenizando o enfraquecimento do real. Outros argumentaram que houve um desmonte de posições contrárias ao real por investidores, o que favoreceu a demanda pela moeda brasileira.
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