Câmbio termina a terça em queda, refletindo novas tarifas de Trump e IPCA no Brasil
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,7682 (-0,3%)
▼ Dollar Index (DXY): ~107,9 pontos (-0,3%)
O mercado de divisas repercutiu a formalização de tarifas de 25% pelos EUA sobre a importação de aço e alumínio de todos os países com início em 12 de março, bem como à composição ruim do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro.
Variações | No dia: -0,31% | Na semana: -0,42% | No mês: -1,15% | No ano: -6,63% | Em 12 meses: +16,31% |
Tarifas de Trump distantes Após abrir a manhã em alta, a taxa de câmbio do real inverteu seu sentido para queda durante a tarde, em linha com um movimento externo de perdas moderadas do dólar tanto frente a pares de economias avançadas como diante de moedas de países emergentes. Esse movimento surpreendeu parte dos analistas, que antecipavam um fortalecimento da moeda americana após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 25% sobre a importação americana de aço e alumínio “sem exceções ou isenções (...), independentemente de onde venha”. Inicialmente, imaginava-se que a medida reforçaria os temores de investidores de que os Estados Unidos podem provocar uma “guerra de tarifas” contra seus parceiros comerciais, o que, por sua vez, amplia as incertezas sobre a inflação americana no curto prazo e sobre o crescimento econômico dos demais países. Contudo, como essas sobretaxas só entram em vigor em 12 de março, operadores do mercado financeiro entenderam que há a possibilidade de negociação e acordo entre os países afetados e os EUA, com chances de alterações significativas. Com isso, prevaleceu uma leitura de que Trump está menos agressivo do que o antecipado na imposição de sobretaxas de importação, resultando em um enfraquecimento amplo do dólar.
Composição ruim do IPCA de janeiro Adicionalmente, contribuiu para sustentar o valor do real a leitura do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que reduziu seu ritmo de alta de 0,52% em dezembro para 0,16% em janeiro, praticamente em linha com a mediana das estimativas de analistas e a menor taxa para um mês de janeiro desde a implantação do Plano Real, em 1994. O resultado do índice foi bastante influenciado pelos preços de energia elétrica, que recuaram em 14,21% no mês por conta do “bônus de Itaipu”, um crédito para os consumidores residenciais e rurais relativo aos meses em que seu consumo mensal tenha sido inferior a 350 quilowatts-hora (kWh) no ano de 2023. Contudo, esse alívio para o IPCA não deve diminuir as expectativas inflacionárias dos investidores, visto que é transitório e não se repetirá nos próximos meses. Além disso, o “núcleo” do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, passou de +0,57% em dezembro para +0,67% em janeiro, enquanto os preços de serviços passaram de 0,66% para 0,78% no mesmo intervalo, apontando para uma tendência bastante desfavorável da inflação no país, piorando, portanto, as expectativas inflacionárias para 2025. Isto, por sua vez, consolida a perspectiva de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, o que favorece a perspectiva de ampliação do diferencial de juros brasileiro e contribui para o fortalecimento do real.
IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)






