
Abertura de Câmbio
Câmbio deve refletir dados para mercado de trabalho americano

- Moedas
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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Em sua reunião de política monetária, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) decidiu pela manutenção dos estímulos econômicos para a economia estadunidense, notando que esta se fortaleceu e progrediu em relação às metas de crescimento econômico e emprego, porém ainda não está próxima de atingir o “progresso substantivo” necessário para se iniciar um ajuste dos instrumentos de liquidez da autoridade monetária. Em seu comunicado, o Comitê não forneceu maiores detalhes sobre um cronograma para a redução do programa de compra de ativos ou para o aumento dos juros pelo Fed.
Em entrevista após a decisão do FOMC, Jerome Powell, presidente do Fed, admitiu que as taxas de inflação estão mais elevadas do que o desejado e que se manterão assim “nos próximos meses”. Contudo, alertou que esse processo deve ser transitório, ou seja, que este aumento de preços deve ceder conforme a normalização da economia mundial prossiga. Tal interpretação, se baseia na observação de que os acréscimos nos preços estão restritos, de forma geral, a grupos de bens e serviços impactados pela pandemia, seja por uma forte demanda na recuperação econômica, seja por gargalos produtivos ou restrições de ofertas que tenham causado aumentos de custos.
Powell afirmou, também, que com o progresso da vacinação mundial contra a Covid-19, o banco central dos EUA não antecipa neste momento choques econômicos muito profundos pela variante delta do coronavírus. Em que pese as consequências para a saúde nas áreas passando pelos surtos atuais, o presidente do Fed afirmou que as consequências econômicas das variantes têm sido menores do que antecipadas, e ele espera que este seja o caso para a variante delta.
No cenário doméstico, a uma semana da decisão de política monetária no Brasil, o comunicado do FOMC impulsionou a taxa de câmbio para seu menor patamar em duas semanas. Os analistas esperam que o Banco Central (BC) brasileiro adotará um discurso firme no combate às taxas de inflação mais elevadas registradas recentemente no país, e que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá subir a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual na reunião da próxima semana, ao invés do 0,75 ponto percentual que havia indicado em seu último comunicado. O panorama de um Fed atuando de forma mais acomodatícia e um de BC atuando de forma mais contracionista aumenta a perspectiva do diferencial de juros em relação a outras economias, elevando a rentabilidade dos investimentos no Brasil e influenciando a entrada de divisas, o que, por sua vez, contribui com a tendência de valorização do real.
Vale destacar, ainda, a divulgação pelo BC de que o estoque total de crédito do sistema financeiro no Brasil teve alta de 0,9% em junho na comparação com o mês anterior, avançando para R$ 4,2 trilhões. Tal valor equivale a 52,6% do PIB. O crédito total foi impulsionado, principalmente, pelos financiamentos às pessoas físicas, que avançou 1,5% no mês passado, contra apenas 0,1% do financiamento à pessoa jurídica no mesmo período. Já o endividamento das famílias atingiu novo recorde desde o início da série histórica, em janeiro de 2005, passando de 58,0% da renda acumulada em 12 meses em maio para 58,5% em junho. Excluindo o crédito imobiliário, que tem prazos mais longos, essa relação ficou em 36%, patamar também recorde.
No exterior, o dólar enfraqueceu frente a diversas moedas nos mercados globais. O dollar index, valor da moeda americana perante uma cesta de moedas de economias avançadas, terminou o dia cotado a 92,3 pontos, variação diária de -0,2%. As divisas de diversos pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano e o rublo russo, valorizaram ante a divisa americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan encerrou em variação de +0,4%.
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