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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar fecha o dia em alta, cotado a R$5,19
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Apesar de expectativas para o Copom,
real perde força em sessão marcada por aversão ao risco
Após atingir R$5,272 em sua máxima intradiária, a taxa de câmbio encerrou esta terça-feira (03) cotada em R$ 5,190, aumento de 0,5% em relação ao fechamento da véspera. A elevação do valor da divisa americana foi reflexo de um ambiente de cautela, em função de incertezas fiscais e políticas. Na noite de ontem, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) instaurou inquérito administrativo contra o presidente Jair Bolsonaro e encaminhou notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal em função de seus seguidos ataques à integridade do processo eleitoral brasileiro. No dia de hoje, comentários do Ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre dificuldades de conciliar os pagamentos de precatórios e o projeto do governo de ampliação do Bolsa Família para o próximo ano, reforçaram o clima de incerteza. Porém, ao fim do dia, as perspectivas de elevação da taxa básica de juros (Selic) na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de amanhã, contribuíram para uma recuperação do real ao longo da tarde.
Dólar à vista - Intraday (10 minutos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

O mercado de moedas continua repercutindo o cenário político ruidoso em Brasília. Nesta terça, o presidente Bolsonaro renovou seus ataques ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, e ao sistema eleitoral brasileiro. Em conversa transmitida em suas redes sociais, Bolsonaro afirmou que não possui divergências com o TSE, mas apenas com o seu presidente, a quem acusou de buscar intimidá-lo, “presta[r] um desserviço à nação brasileira", cooptar os ministros do TSE e do STF para “impor sua vontade” e dever favores ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Senhor Barroso, sua palavra não vale absolutamente nada. Está a serviço de quem?", questionou o chefe do Executivo.

Na segunda-feira, o TSE decidiu reagir de maneira firme contra o presidente Bolsonaro. Primeiramente, a instância máxima eleitoral divulgou nota assinada por todos os ex-presidentes do TSE desde a Constituição Federal de 1988, além de Barroso e dos próximos presidentes da corte, ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, reforçando que a impressão do voto digitado na urna eletrônica não é um mecanismo adequado de auditoria e o sistema eletrônico de votação é auditável em todas as suas etapas. Posteriormente, em sessão plenária, os ministros do Tribunal decidiram, por unanimidade, duas medidas contra o presidente: a primeira, um inquérito administrativo proposto pela Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral, vai apurar se Bolsonaro praticou “abuso do poder econômico e político, uso indevido dos meios de comunicação, corrupção, fraude, condutas vedadas a agentes públicos e propaganda extemporânea” ao promover graves alegações de fraudes às urnas eletrônicas sem comprová-las. A decisão ocorre após o corregedor eleitoral notificar Bolsonaro a apresentar provas das irregularidades e não obter resposta. A segunda, uma notícia-crime proposta pelo presidente da corte, Barroso, denuncia Bolsonaro ao STF pela realização de apresentação por meio de canal público do governo em que divulgou teorias sobre fraudes nas urnas eletrônicas, e solicita a inclusão do presidente da República na investigação das Fake News "para fins de apuração de possível conduta criminosa". Em uma eventual condenação, Bolsonaro se tornaria inelegível para o pleito de 2022.

A instabilidade no cenário político, como um todo, aumenta a incerteza do ambiente de negócios e pode resultar na exigência de maiores prêmios de risco por parte dos investidores. Como consequência, a atratividade da moeda brasileira pode ser negativamente afetada.

Durante o dia, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em evento virtual que o governo não possui capacidade de pagamento para os precatórios, porém que não haverá calote por parte da União. Os precatórios são requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais e, na sexta-feira passada, Guedes havia classificado como um “meteoro” a elevação dos precatórios a serem pagos pelo governo no ano que vem, passando de R$ 53 bilhões em 2021 para uma previsão de R$ 90 bilhões em 2022, acima da previsão feita pelo Ministério, que teria sido de R$57 bilhões, segundo Guedes. No seminário, o ministro admitiu que o governo já redigiu um esboço de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir uma nova dinâmica de pagamento para os precatórios, que tradicionalmente abarcam indenizações, benefícios e devolução de tributos contestados. Nessa proposta, dívidas de até 60 salários-mínimos seriam pagas integralmente à vista, enquanto precatórios acima dos R$ 66 milhões seriam escalonados em uma entrada de 15% e nove parcelas sequenciais. Além disso, seria estabelecido um fundo com ativos da União e receitas de dividendos, concessões, privatizações e leilões do pré-sal para quitar esses volumes parcelados fora do teto de gastos.

O movimento de alta do câmbio perdeu força ao fim do dia, com a valorização de índices acionários no exterior e a perspectiva da elevação da taxa Selic pelo Copom. A mediana das instituições financeiras aguarda um aumento de 1,0 ponto percentual na decisão de política monetária de amanhã. Essa projeção supera a sinalização da autoridade monetária, que em seu último comunicado indicou ser apropriado um ajuste adicional de 0,75 ponto percentual. A aceleração do nível de preços acima do esperado justificaria as apostas do mercado financeiro para a taxa básica de juros. Além da alta de 1,0 ponto neste mês, são esperados mais 1,75 ponto distribuídos em três reuniões, levando a Selic a 7,0% ao ano ao final de 2021. Tais acréscimos ampliariam o diferencial de juros do Brasil em relação a outras economias, elevando a rentabilidade dos investimentos no país e influenciando a entrada de divisas, o que, por sua vez, contribui com a tendência de valorização do real.

No exterior, o dollar index encerrou cotado a 92,1 pontos, uma variação marginal de +0,01% ante ao encerramento de ontem. A desvalorização do real foi acompanhada por alguns pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, a lira turca e o rublo russo, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan encerrou a sessão com perda de 0,3%.

  • Moedas

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