O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina a segunda em elevação,
cotado a R$ 4,877
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Dólar reflete pessimismo externo com confinamentos na China
e rápido aperto monetário pelo Fed

A taxa de câmbio voltou a registrar alta expressiva nesta segunda-feira (25), encerrando a sessão negociada a R$ 4,877, avanço de 1,5% em relação ao término de sexta-feira. Já o dollar index prosseguiu em sua trajetória de valorização e terminou o pregão cotado a 101,7 pontos, variação de +0,5% ante à véspera e seu maior valor desde 24 de março de 2020. O mercado de divisas repercutiu ao ambiente externo de pessimismo e menor apetite por riscos em função do recrudescimento das políticas de “Covid zero” na China mesmo diante de custos sociais e econômicos crescentes e de uma variante extraordinariamente contagiosa e quase irrefreável. Somou-se à aversão de riscos globais, também, as expectativas de que o Federal Reserve deve acelerar seu ritmo nas suas decisões de aumentos de juros neste ano, o que eleva as preocupações sobre um risco de recessão da economia global. No Brasil, a crise entre os Poderes da República e preocupações crescentes com o equilíbrio fiscal do governo neste ano eleitoral contribuíram para afastar investidores da moeda brasileira.

O dólar negociado no mercado interbancário operou em elevação durante todo o pregão desta segunda-feira. Após tocar a máxima intradiária de R$ 4,948 (+2,9%) no começo da tarde, o câmbio recuou para R$ 4,877 (+1,5%), sua segunda alta consecutiva e seu maior valor de fechamento desde 22 de março passado. Trata-se de um ganho acumulado de 5,6% em dois pregões, ou seja, uma elevação de R$ 25,8 centavos. O real acompanhou a trajetória da moeda americana no mercado internacional, em que o dólar se valorizou frente a maior parte das divisas. Hoje, o dollar index atingiu seu maior patamar em mais de dois anos e se fortaleceu particularmente frente ao euro, o iene e ao yuan.

Na China, as perspectivas para a produção, a logística e a demanda continuam se deteriorando ao passo que as autoridades recrudescem as medidas adotadas para tentar eliminar o coronavírus de circulação do país. Em Xangai, já em sua quinta semana de confinamento, as autoridades estabeleceram cercamentos em diversos pontos da cidade sem aviso prévio das autoridades, incluindo diante de saídas de prédios, o que provocou diversas reclamações nas redes sociais chinesas. Além disso, as autoridades municipais de Pequim determinaram a testagem em massa obrigatória para o maior distrito residencial da cidade, além de decretar o isolamento dos habitantes de dezenas de prédios nesse distrito, após serem registrados 22 novos casos no sábado. Os mercados financeiros também estão sendo impactados, visto que o fluxo de investimentos está negativo no país há semanas. Mesmo assim, os indícios são de que o governo central persistirá em sua estratégia de “Covid zero”.

O panorama chinês provocou um ambiente de pessimismo e aversão aos riscos que afetou as moedas latino-americanas, como o real. Em função da perspectiva de menor crescimento e menor demanda chinesas, os preços de commodities, em geral, recuaram na sessão de hoje, prejudicando a competitividade de economias exportadoras de produtos primários, como o Brasil. Além disso, a consolidação de expectativas de um rápido aperto monetário pelo Federal Reserve reduz a atratividade exercida pelo amplo diferencial de juros brasileiro. O mercado de juros, hoje, aposta que os Estados Unidos terminarão 2022 com um patamar de juros entre 2,75% e 3,00% ao ano, um ritmo de reajuste de juros muito incomum para sua história – e que provê rápida rentabilidade para investidores. Por isso, nas últimas três semanas, o Dollar Index acumulou alta de 4% e atingiu seu maior valor em mais de dois anos.

Na Ucrânia, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Anthony Blinken, e o secretário da Defesa, Lloyd Austin, visitaram Kiyv nesta manhã e se comprometeram a reabrir a embaixada do país na capital ucraniana. As autoridades estadunidenses também prometerem mais uma rodada de assistência militar e financeira ao país para contribuir na guerra contra os invasores russos, que se encontra em sua oitava semana de conflito. Destaque-se, também, que o último pacote de ajuda militar aprovado pelos Estados Unidos à Ucrânia, em 13 de abril e no valor de US$ 800 milhões, sinaliza uma mudança de postura quanto às necessidades e duração da guerra. Analistas apontam que o tipo de equipamento enviado indica uma preparação para uma fase da guerra menos urbana e mais em espaços abertos – características do leste da Ucrânia –, como o fato de que os veículos e tanques necessitam de treinamento e logística sofisticados para serem operados e mantidos. Isso significa que os EUA necessitarão treinar durante semanas uma equipe ucraniana em solo americano, onde ficam as estações de treinamento, para, então, esses ucranianos poderem treinar suas tropas durante mais semanas. Dificilmente o governo de Joe Biden teria aprovado esse envio, comentam as análises, sem uma expectativa de que a guerra irá durar por meses a fio.

Por fim, é digno de nota que o Ministério da Economia anunciou nesta segunda-feira o Programa Crédito Brasil Empreendedor, um conjunto de medidas para facilitar financiamento a empresas. O Programa tem valor de R$ 100 bilhões, disse a secretária especial de Produtividade e Competitividade, Daniella Marques. Entre as novidades do pacote, está a medida provisória (MP) do Crédito, “que deverá alavancar R$ 23 bilhões em financiamentos”, além da reedição do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), cujos recursos poderão ser usados novamente para a concessão de empréstimos até dezembro de 2024. Desde o fim do ano passado, quando o Planalto aprovou duas emendas constitucionais desobrigando o pagamento integral das dívidas judiciais do governo e aumentando o limite constitucional de gastos, o Executivo está empenhado em aprovar uma série de medidas de incentivos destinadas a impulsionar a candidatura do presidente da República à reeleição, como o aumento do benefício médio do Auxílio Brasil, a ampliação das emendas parlamentares, o reajustes ao funcionalismo e diversos benefícios tributários. Essa abundância de gastos e isenções traz preocupações com a saúde das contas públicas neste ano eleitoral – o chamado risco fiscal –, o que pode elevar a exigência de prêmios de risco por parte dos investidores e afastar recursos estrangeiros do país.

No cenário externo, a forte aversão aos riscos impulsionou o dollar index, que terminou o pregão cotado a 101,7 pontos, variação de +0,5% ante à véspera e seu maior valor desde 24 de março de 2020. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, a lira turca, o rand sul-africano e a rúpia indiana se desvalorizaram perante a divisa americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 52,361 pontos, recuo de 0,2% ante ao encerramento de sexta.

  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.