
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Após passar a manhã em elevação e romper a barreira psicológica dos R$ 5,00, a taxa de câmbio recuou nesta quarta-feira (27) e encerrou a sessão negociada a R$ 4,968, variação de -0,4% ante à véspera. Já o dollar index se mantém em disparada e terminou o pregão cotado a 103,0 pontos, avanço de 0,7% em relação ao fechamento de terça-feira e em patamar recorde desde janeiro de 2017. O mercado de divisas repercutiu uma recuperação no apetite por riscos internacional após três pregões de clima fortemente negativo. O dólar se estabilizou diante de várias moedas de economias emergentes, como o real, o peso mexicano e a lira turca, porém prosseguiu em forte rali contra divisas de economias avançadas, o que, por sua vez, lançou o dollar index a patamares não vistos desde 03 de janeiro de 2017. Auxiliou na queda da moeda brasileira a aceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de abril para 1,73%, no maior patamar para um mês de abril desde 1995, o que pode forçar o Banco Central (BC) a prolongar seu ciclo de reajustes da taxa básica de juros (Selic) e ampliar a atratividade do mercado de títulos nacional para investidores estrangeiros.
O dólar negociado no mercado interbancário abriu as operações desta quarta-feira em alta, chegou a uma máxima de R$ 5,041, porém inverteu sua trajetória e encerrou o dia cotado a R$ 4,968, recuo de 0,4% ante à véspera. O movimento da divisa brasileira acompanhou o mercado externo e a elevação dos preços internacionais das commodities, este último em função de uma interrupção repentina do fornecimento de gás natural a Polônia e Bulgária em resposta à rejeição desses países da demanda de realizar o pagamento em rublos. A Polônia importa 90% de seu gás natural da Rússia e a Bulgária, 76%. Os líderes europeus denunciaram a atitude de Moscou como “chantagem” política e econômica, e insistem que os termos comerciais e legais estão sendo observados. O Kremlin passou a exigir o pagamento em rublos como forma de se proteger de possíveis sanções no futuro, ao passo que a União Europeia acusa a Rússia de desrespeitar os termos dos contratos vigentes. Há uma preocupação de que Moscou vá se utilizar da ameaça (ou da efetivação) da interrupção do fornecimento de gás natural à Europa como instrumento de ataque econômico sobre as nações que denomina “hostis”, o que pode provocar novos choques nos mercados financeiros.
Ao mesmo tempo, a divisa americana prosseguiu em intensa valorização frente a moedas avançadas, com o Dollar Index avançando para seu maior nível em mais de cinco anos. A liderança do Federal Reserve no processo de contração monetária entre os Bancos Centrais do G7 está redirecionando os fluxos de investimento dentre as economias avançadas para títulos denominados em dólar. De acordo com a ferramenta CME FedWatch, o mercado de juros aposta em uma sequência de seis aumentos consecutivos na taxa primária de juros no país, o que já é incomum, com o predomínio de apostas indicando um reajuste de 0,50 p.p. em maio, seguido por um de 0,75 p.p. em junho, e por outro de 0,50 p.p. em julho. Isso seria ainda mais raro, visto que o último acréscimo de 0,50 p.p. pelo Fed foi em 2002 e o último de 0,75 p.p., em 1994.
É importante destacar, também, o aumento do número de casos de coronavírus na China a despeito do rigor das medidas de contenção sendo aplicadas pelas autoridades na tentativa de sua contenção. Milhões de pessoas estão sendo testadas em Pequim a fim de tentar conter o contágio em sua fase inicial e evitar que a capital do país repita a experiência dolorosa de Xangai, que está em sua quinta semana de confinamento e sofrendo com a carência de alimentos e outros itens básicos. O governo chinês está mantendo as apostas em sua política de “Covid zero” mesmo frente uma variante altamente contagiosa e acumulando custos econômicos, humanos, sociais e políticos cada vez mais elevados para benefícios cada vez menores. Agentes dos mercados financeiros se preocupam com os impactos dessa postura rígida nas cadeias produtivas e de suprimentos globais, bem como na desaceleração econômica da maior nação industrial do planeta.
Por fim, nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA-15 passou de 0,95%, em março, para 1,73%, em abril. Considerado uma “prévia” da inflação oficial, este foi o maior resultado para o indicador em um mês de abril desde 1995. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,31% e, em 12 meses, de 12,03%. Como nos meses anteriores, este resultado foi influenciado, principalmente, pela alta em transportes (+3,43% no mês) e alimentação (+2,25%), embora a aceleração de preços seja disseminada – oito dos nove subgrupos apresentaram aumento. No mês de abril, diesel se elevou em 13,11%, gasolina em 7,51%, etanol em 6,60% e gás veicular em 2,28%. Além disso, chamou a atenção o reajuste de 8,09% do gás de botijão. A manutenção de valores aquecidos para os índices inflacionários pode pressionar o Banco Central (BC) a não encerrar seu ciclo de aumento de juros na reunião de maio, como havia indicado anteriormente, e prolongar a contração das condições financeiras por um período mais longo.

No cenário externo, o dollar index se manteve em disparada e terminou o pregão cotado a 103,0 pontos, avanço de 0,7% em relação ao fechamento de terça-feira e em patamar recorde desde janeiro de 2017. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano, a rúpia indiana e o rublo russo não apresentaram direção definida, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 52,018 pontos, praticamente estável em relação ao encerramento de ontem.
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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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