
Fechamento de Câmbio
Real se enfraquece com extensão da percepção de riscos eleitorais

- Moedas
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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Após passar a manhã em elevação e atingir sua máxima intradiária de R$ 5,047, o par real/dólar recuou pela tarde e encerrou a sessão desta quinta-feira (28) em queda, negociado a R$ 4,940, recuo de 0,6% ante à véspera. Já o dollar index se mantém em disparada e terminou o pregão cotado a 103,6 pontos, alta de 0,6% em relação ao encerramento de quarta-feira e em patamar recorde desde janeiro de 2017. O mercado de divisas repercutiu o intenso rali da moeda americana frente a divisas de economias avançadas, que atingiu seu maior valor em mais de vinte anos durante o dia, impulsionada, principalmente, pelo enfraquecimento do iene após o Banco Central do Japão (BoJ) reafirmar sua política monetária ultraflexível. No Brasil, a taxa de câmbio testou pelo segundo dia o patamar de R$ 5,00, porém recuou após atrair elevado volume de vendas. Também ajudou esse movimento de queda a proximidade da formação da Ptax do fim do mês, que acontecerá amanhã.
O dólar negociado no mercado interbancário repetiu a trajetória da sessão de ontem, ao passar a maior parte do dia em alta, apenas para inverter de sentido e terminar o dia em queda, cotado a R$ 4,94. Ao ultrapassar a barreira psicológica de R$ 5,00, a moeda brasileira atraiu forte movimento vendedor, que acabou lançando a cotação para baixo desse patamar técnico novamente. Além disso, a proximidade do fim do mês, quando há necessidade de “rolagem” de posições em vencimento também atrai maior volatilidade para o mercado cambial.
Esse desempenho colocou o real dentre os melhores resultados do pregão, visto que o dia foi marcado, mais uma vez, pelo fortalecimento vigoroso da moeda americana no mercado internacional. A divisa americana se mantém em forte rali há seis pregões consecutivos, acumulando alta de 3,3% no período perante outras moedas de países avançados, em especial o euro e o iene. Hoje, a cotação para um dólar rompeu o patamar de 130 ienes pela primeira vez desde 2002 após o BoJ reafirmar seu compromisso com um programa de estímulos econômicos massivos e com a promessa de manter suas taxas de juros em níveis ultrabaixos, além de se comprometer a adquirir quantidades ilimitadas de títulos de dívida de dez anos à taxa de juros de 0,25% ao ano a fim de conter especulações no mercado de que os juros pudessem subir. A discrepância de estratégias do BOJ diante de um Federal Reserve que deve realizar uma contração monetária rígida promove um rápido redirecionamento de fluxos de capitais do Japão para os Estados Unidos, o que resulta em um enfraquecimento intenso da divisa japonesa.
A terra do sol nascente não enfrenta desafios inflacionários no momento – seu índice de preços ao consumidor acumulado em 12 meses está em apenas 0,9%, o que justificaria a postura mais flexível de sua autoridade monetária. O mesmo não pode ser dito do Banco Central Europeu (BCE), que vê suas taxas de inflação nos maiores patamares em décadas, porém resiste em contrair suas condições financeiras e insiste em manter políticas de estímulo econômico, o que também provoca o enfraquecimento do euro frente ao dólar. Há de se considerar, por outro lado, que a Europa está diretamente exposta aos choques econômicos, humanos e de segurança militar provocados pela invasão russa, o que estimula uma postura mais cautelosa por parte do BCE.
O fortalecimento do dólar se manteve mesmo após a divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA se encolheu inesperadamente no primeiro trimestre deste ano em uma taxa anualizada de 1,4% (ou uma taxa trimestral de -0,35%). O resultado, significativamente abaixo das expectativas de analistas, foi atribuído à forte onda de coronavírus pela qual passou o país no mês de março, além da ampliação do déficit comercial (isto é, importações superiores às exportações) e à queda no níveis de estoques das empresas. Outras medidas que sinalizam o ritmo da demanda se mantiveram aceleradas, como o consumo das famílias e os investimentos produtivos. Ainda assim, pode-se interpretar que os desafios econômicos atuais, como atrasos nas cadeias de suprimentos, escassez de oferta em componentes industriais importantes e os choques de custos causados pela guerra russo-ucraniana, oferecem risco de uma desaceleração mais pronunciada que o anteriormente antecipada.
É importante ressaltar, ainda, que Pequim determinou o fechamento de escolas e alguns espaços públicos nesta quinta em uma mais tentativa de evitar que a capital do país sofra um confinamento rígido como Xangai. Além disso, quase todos os seus 22 milhões de habitantes participaram de uma testagem em massa para identificar e isolar apenas áreas (distritos) com a presença do vírus. Uma análise pelo banco Nomura estimou que 46 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total neste momento, afetando um total de 343 milhões de pessoas. Entre elas se encontra Xangai, com 25 milhões de habitantes isolados há um mês e enfrentado escassez de alimentos e outros bens básicos. Tamanha rigor no combate a uma variante extremamente contagiosa traz muito pouco benefícios e custos extremamente elevados, o que deve agravar desequilíbrios nas cadeias logísticas e de produção industrial em âmbito global.
Por fim, nesta manhã, a Fundação Getúlio Vargas divulgou que o IGP-M de abril aumentou em 1,41%, abaixo da aceleração de 1,74% de março e das estimativas de analistas, cuja mediana apontava para elevação de 1,70%. O indicador acumula avanço de 6,98% em 2022 e de 14,66% em 12 meses. Segundo o coordenador da pesquisa, André Braz, o aumento menor do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) foi o responsável pelo resultado levemente mais brando em abril. “Importantes commodities agrícolas contribuíram para o arrefecimento da inflação ao produtor cuja variação passou de 2,07% em março para 1,45% em abril. Soja, milho e café, grãos que respondem por 13% do IPA, apresentaram queda média de 7,3% e contribuíram para o recuo de 1 ponto percentual na taxa do IPA. A desaceleração só não foi mais expressiva, dado o aumento dos preços do Diesel (14,70%), da gasolina (11,29%) e dos adubos/fertilizantes (10,45%), que responderam por 60% da inflação ao produtor”. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPP de março cresceu em 3,13%, acumulando ganhos de 18,31% nos últimos 12 meses. Chamado de “índice de porta de fábrica”, o indicador busca medir os custos de produção sem impostos nem fretes. Segundo o gerente da pesquisa, Manuel Campos, as maiores influências vieram de refino de petróleo e biocombustíveis (1,23 p.p.), alimentos (0,71 p.p.), indústrias extrativas (0,61 p.p.) e outros produtos químicos (0,57 p.p.). “Essas quatro atividades responderam por 3,12 p.p, praticamente todo o índice”.
No cenário externo, o dollar index se manteve em disparada e terminou o pregão cotado a 103,6 pontos, alta de 0,6% em relação ao encerramento de quarta-feira e em patamar recorde desde janeiro de 2017. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, o rand sul-africano e a rúpia indiana se desvalorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 51,859 pontos, variação de -0,2% ante à véspera
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