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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar termina terça em queda, cotado a R$ 5,134
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio oscilou aguardando dados de inflação de quarta-feira
O par real/dólar alternou altos e baixos no dia de hoje até encerrar a sessão desta terça-feira em queda, negociado a R$ 5,134, variação de -0,4% ante à véspera. Já o dollar index fechou o pregão cotado a 103,9 pontos, alta de 0,3% em relação ao fechamento de segunda-feira. O mercado de divisas repercutiu a ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em que o Banco Central (BC) expressa cautela e sugere estar próximo de interromper seu ciclo de elevações à taxa básica de juros (Selic). Os investidores atuaram de maneira mais cautelosa, enquanto aguardam pela divulgação de dados sobre os preços aos consumidores no Brasil e nos Estados Unidos, amanhã, que, por sua vez, podem reforçar ou modificar as expectativas dos agentes sobre o grau de firmeza necessária pelas autoridades monetárias. Os bancos centrais desses países sugerem que a aceleração de preços pode estar próxima de seu pico e deve começar a se reduzir em breve, porém existem divergências sobre tal leitura.
Variações | No dia: -0,41% | Na semana: +1,20% | No mês: +3,86% | No ano: -7,88% | Em 12 meses: -1,72% |

O dólar negociado no mercado interbancário oscilou ao longo da sessão desta terça-feira até terminar em queda, cotado a R$ 5,134, redução de 0,4% frente ao encerramento de ontem, porém se sustentou acima de R$ 5,10 durante todo o pregão. Contribuiu para a queda da taxa de câmbio a recuperação momentânea do apetite por riscos globais, com um desempenho positivo de ativos arriscados, como índices acionários e moedas emergentes. O panorama mais fundamental, entretanto, não se modificou substancialmente, e os três grandes pilares de aversão a riscos e cautela global permanecem sólidos, a saber, um processo de forte aperto monetário liderado pelo Federal Reserve em relação a outros bancos centrais desenvolvidos, a guerra entre Rússia e Ucrânia e seus impactos na disponibilidade de commodities e as políticas de tolerância zero da China contra a Covid-19 e suas consequências econômicas no país e nas cadeias de suprimento globais.

No conflito russo-ucraniano, após um aguardado discurso do feriado do Dia da Vitória na Rússia não fornecer novas pistas sobre os objetivos do Kremlin, os indícios são de uma longa e prolongada guerra. Os avanços territoriais são pequenos para ambos os lados, com as ofensivas de Moscou tendo algum sucesso na região de Donbas e os contra-ataque de Kiyv sendo mais eficiente na região de Kharviv, ao norte, e entre Kherson e Mykolaiv, no sudoeste. De forma abrangente, as tropas russas possuem a superioridade numérica, porém estão encontrando dificuldades em atingir seus objetivos no front de batalha, enquanto os ucranianos, em menor número, tem sido ressupridos pelos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), equilibrando as batalhas. Ao que parece, a tendência para os mercados globais de commodities é de oferta reduzida tanto pela devastada Ucrânia como pelas altamente penalizadas Rússia e Belarus.

Na China, a existência de confinamentos parciais ou totais em múltiplas cidades têm penalizado a atividade econômica do país e agravado cadeias de suprimentos que já se encontravam extenuadas. Mesmo as cidades que vão, gradativamente, retornando à normalidade se encontram com estoques em níveis muito reduzidos e com dificuldades de encontrar fornecedores, que, quando estão operando, só podem ofertar a mercadoria a prazos largos e, costumeiramente, preços mais elevados. Xangai, que é um dos principais polos financeiros e industriais do país e abriga o maior terminal portuário do mundo em termo de volume de contêineres, está em um confinamento rígido desde a última semana de março e cuja previsão de término é a última semana de maio. Esta situação provoca elevada incerteza, diminui as expectativas de crescimento econômico, de exportação e de importação para o país e ainda agrava as pressões de custos sobre as demais economias que dependem da maior produtora industrial do planeta.

Somando ao cenário global de atividade econômica reduzida coexistindo, possivelmente, com um ambiente de taxas mais elevadas de inflação está a estratégia do Federal Reserve (Fed) de realizar um aperto monetário contundente nos Estados Unidos a fim de estabilizar os preços no país. Na semana passada, quando o presidente do Fed iniciou sua coletiva de imprensa, ele se dirigiu diretamente ao povo americano para compartilhar sua preocupação com os níveis exageradamente elevados de preços nos EUA e afirmar que era sua prioridade reduzir a inflação. Hoje, o presidente do Executivo, Joe Biden, se dirigiu aos estadunidenses para, também, reconhecer o peso carregado pelos norte-americanos. “Sei que as famílias em toda a América estão sofrendo por causa da inflação”, disse Biden em um discurso na Casa Branca. “Quero que todo norte-americano saiba que estou levando a inflação muito a sério e que é minha principal prioridade interna”. Ao longo desta terça-feira, diversas autoridades do Fed discursaram em defesa de aumentos substantivos na taxa de juros do país, como múltiplos reajustes de 0,50 ponto percentual, a fim de se chegar rapidamente a um nível de juros considerado “neutro” (ou seja, que nem contribui e nem combate a aceleração de preços).

No Brasil, o destaque foi a ata da decisão de maio Comitê de Política Monetária, quando o Copom elevou a taxa Selic de 11,75% para 12,75%. No documento, o BC foi mais detalhista nas análises de riscos presentes, porém foi parcimonioso na descrição de uma trajetória futura. Nele, também, o Comitê descreve que “ciclo de aperto monetário corrente foi bastante intenso e tempestivo e que, devido às defasagens de política monetária, ainda não se observa grande parte do efeito contracionista esperado bem como seu impacto sobre a inflação corrente”. Chama a atenção que a ata removeu as menções sobre um “viés altista” para a assimetria de riscos para a inflação, em uma sugestão de que a autoridade monetária pode crer que a aceleração de preços possa estar em seu ápice. Também é digno de nota que o Copom sugeriu que, mas não especificou se, os aumentos para a Selic se encerrarão em junho, descrevendo que “o Comitê optou, então, por sinalizar, como provável, uma extensão do ciclo, com um ajuste de menor magnitude na próxima reunião. Tal estratégia foi considerada a mais adequada para garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante, assim como a ancoragem das expectativas de prazos mais longos, ao mesmo tempo que reflete o aperto monetário já empreendido, reforça a postura de cautela da política monetária e ressalta a incerteza do cenário”.

No cenário externo, o dollar index fechou o pregão cotado a 103,9 pontos, alta de 0,3% em relação ao fechamento de segunda-feira. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano, a rúpia indiana e o rublo russo não tiveram direção definidad, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 51,470 pontos, praticamente estável ante à véspera.

  • Moedas

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