Câmbio fecha a quinta em alta, refletindo receios de “guerra tarifária” global
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,7582 (+0,4%)
▼ Dollar Index (DXY): ~104,3 pontos (-0,3%)
O mercado de moedas repercutiu as preocupações de investidores com efeitos negativos de tarifas de importação dos EUA no crescimento econômico americano e global, prejudicando o desempenho de moedas latino-americanas.
Variações | No dia: +0,43% | Na semana: +0,75% | No mês: -2,67% | No ano: -6,79% | Em 12 meses: +15,61% |
Temores com tarifas americanas A taxa de câmbio do real alternou entre perdas e ganhos ao longo do dia, porém consolidou trajetória de alta no final do pregão desta quinta-feira, em linha com as perdas de outros pares latino-americanos, como o peso chileno, o peso colombiano e o peso mexicano. Essas perdas, assim como a do dólar canadense, foram atribuídas às preocupações com as políticas tarifárias americanas, após o presidente do país, Donald Trump, anunciar inesperadamente ontem tarifas de importação de 25% sobre todos os veículos importados pelos EUA a partir de 03 de abril, bem como peças e componentes de automóveis a partir de 03 de maio. Investidores temem que essas tarifas, assim como as “tarifas de reciprocidade” também prometidas para o dia 02 de abril, possam prejudicar o crescimento econômico dos EUA e de seus principais parceiros comerciais, bem como levar a retaliações de outros países e resultar em uma espécie de “guerra tarifária” global. Durante o anúncio, Trump prometeu que essas tarifas serão permanentes e que serão somadas a quaisquer outras tarifas que estejam em vigor. Esse ambiente de incertezas estimula uma postura de cautela por investidores, o que tende a prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.
IPCA-15 avança menos que o esperado Adicionalmente, contribuiu para o enfraquecimento do real a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15) de março, que passou de 1,23% em fevereiro para 0,64% em março, pouco abaixo da projeção mediana de 0,70%. A alta acumulada em 12 meses passou de 4,96% para 5,26%, o maior aumento anual em dois anos e meio e distante do teto da meta de inflação do Banco Central, de 4,50%. Embora o dado aponte para um cenário inflacionário desafiador e adverso, o fato do índice ter um pouco crescido menos que o estimado e seu núcleo de preços, que exclui componentes voláteis de alimentação e energia, ter se reduzido de 0,65% em fevereiro para 0,41% em março, diminuiu apostas para aumentos rápidos da taxa básica de juros (Selic), com queda das taxas futuras de juros DI ao longo de todos os vencimentos. A perspectiva de altas mais moderadas ou mais lentas para o juros brasileiro, por sua vez, reduz a atratividade dos títulos nacionais para investidores estrangeiros, o que contribui para um enfraquecimento do real.





