Câmbio fecha a quinta em queda, refletindo recuo global da moeda americana
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,693 (-0,4%)
▼ Dollar Index (DXY): ~99,3 pontos (-0,4%)
O mercado de divisas refletiu o movimento de desvalorização do dólar no cenário internacional, em meio à retomada do pessimismo dos investidores diante da ausência de avanços concretos na resolução da guerra comercial entre Estados Unidos e China — após um breve intervalo de otimismo observado no dia anterior. No Brasil, as atenções se voltaram para as declarações de diretores do Banco Central, que buscaram sinalizações quanto aos próximos passos da política monetária da instituição.
Variações | No dia: -0,44% | Na semana: -0,59% | No mês: -0,23% | No ano: -7,84% | Em 12 meses: +10,23% |
Renovação dos temores com conflito comercial O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira em queda frente ao real, sendo cotado em torno de R$ 5,693. A valorização da moeda brasileira acompanhou o movimento global de enfraquecimento do dólar, refletindo o retorno do pessimismo dos investidores quanto à ausência de avanços significativos na resolução da guerra comercial entre Estados Unidos e China, após o breve intervalo de otimismo observado na véspera. Na quarta-feira, ativos norte-americanos, incluindo o dólar, haviam se recuperado após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar de ameaças anteriores de demitir o presidente do Federal Reserve e adotar um tom aparentemente mais conciliador em relação à China. Entretanto, na madrugada desta quinta-feira, o governo chinês negou estar conduzindo negociações para redução das tarifas comerciais com os Estados Unidos, frustrando as expectativas de distensão nas relações bilaterais. Em resposta, hoje, Trump refutou publicamente as alegações de Pequim, afirmando que houve reuniões entre representantes das duas potências econômicas no início do dia, embora tenha se recusado a detalhar os participantes desses encontros. Segundo o presidente norte-americano, "Eles tiveram uma reunião esta manhã (...) Podemos revelar mais tarde, mas eles se reuniram esta manhã, e temos nos reunido com a China". Esse novo episódio de incerteza geopolítica contribuiu para mais uma rodada de desvalorização global do dólar, favorecendo moedas de economias emergentes, como o real.
Incerteza sobre próximos passos do BC No contexto doméstico, os agentes financeiros acompanharam atentamente as declarações de diretores do Banco Central ao longo do dia, em busca de indícios sobre os próximos movimentos da autoridade monetária. Ganhou destaque a fala do diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, que enfatizou a indefinição quanto à trajetória futura da taxa Selic, a ser deliberada na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio. Segundo ele, o cenário atual de incerteza não permite antecipações seguras sobre os próximos passos da política monetária. A declaração de Picchetti dialoga com o posicionamento manifestado no dia anterior pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, que expressou reservas quanto à utilização do instrumento de forward guidance como ferramenta de comunicação institucional. Conforme afirmou: “Para mim, o forward guidance não é natural, a não ser que você saiba que está muito longe [do ponto de equilíbrio]”. Ambas as manifestações reforçam o ambiente de incerteza quanto à condução futura da política monetária. Ainda assim, a expectativa majoritária entre os analistas de mercado permanece ancorada na possibilidade de uma nova elevação da taxa Selic em 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom.





