Câmbio encerra a quarta em alta, refletindo avanço global do dólar e percepção de riscos fiscais no Brasil
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,6962 (+0,9%)
▲ Dollar Index (DXY): ~99,9 pontos (+0,4%)
O mercado de divisas repercutiu novo fortalecimento amplo do dólar em meio a otimismo quanto à amenização das tensões comerciais americanas, enquanto o real aprofundou suas perdas por conta de ruídos locais quanto à possibilidade de anulação do aumento do IOF e um enfraquecimento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Variações | No dia: +0,88% | Na semana: +0,87% | No mês: +0,36% | No ano: -7,80% | Em 12 meses: +10,52% |
Questionamentos ao aumento do IOF resultam em maior percepção de riscos fiscais
Por que isso é importante: Uma eventual anulação do aumento inesperado do Imposto sobre Operação Financeiras (IOF) pode afetar a percepção de riscos fiscais para ativos brasileiros e exigir adaptações no Orçamento pelo governo
- O pessimismo do âmbito fiscal no Brasil resulta em maior exigência de prêmios de risco e tende a enfraquecer o real perante o dólar, que teve o pior desempenho da sessão entre as 33 moedas mais líquidas.
Panorama geral: Na semana passada, a elevação das alíquotas de IOF surpreendeu os investidores, gerando mal-estar e resistência entre segmentos produtivos e financeiros.
- O recuo em parte das medidas anunciadas em questão de horas intensificou a desconfiança na condução da política fiscal brasileira e o descontentamento de parte dos agentes econômicos, gerando forte estresse sobre ativos domésticos.
- Reportagens de imprensa afirmaram que parlamentares do Congresso Nacional buscam articular uma revogação do aumento das alíquotas do IOF, que podem ser revertidas mediante a aprovação de Projetos de Decreto Legislativo (PDLs).
- Uma eventual anulação do aumento do IOF exigiria adaptações no Orçamento, como cortes de gastos ou elevação de outros impostos, visto que a equipe econômica estima que a medida aumentaria a arrecadação em R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026.
Dúvidas crescentes: As dúvidas sobre a permanência do IOF aumentaram após o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmar que a pasta está sensível a pleitos do setor financeiro e vai se “debruçar” sobre possíveis alternativas "a itens isolados" do decreto.
- Investidores temem que a derrubada do aumento do IOF demonstre enfraquecimento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, uma dos principais defensores do equilíbrio das contas públicas no Palácio do Planalto.
Ata do Fed reforça percepção de dilemas relevantes para a condução da política monetária nos EUA
Por que isso é importante: A ata da decisão ajuda os investidores a calibrarem suas expectativas para a trajetória dos juros básicos americanos, variável muito importante para decisões de investimento e, dessa forma, fluxos de capitais.
Panorama geral: Na última reunião de política monetária, realizada em 7 de maio, o FOMC decidiu de forma unânime em manter a taxa de juros inalterada no intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano, em linha com a expectativa dos investidores.
- Apesar da decisão unânime, o Fed reconheceu que deve enfrentar “trade-offs difíceis” nos próximos meses, caso se concretize o cenário de inflação elevada coexistindo com desaceleração da economia.
- O conteúdo da ata revelou preocupações crescentes entre os membros do Comitê quanto à possibilidade de a inflação se mostrar mais persistente do que o inicialmente projetado, especialmente em razão dos efeitos das novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo Trump. Conforme o documento, “quase todos os membros” destacaram que os impactos inflacionários das tarifas devem se intensificar ao longo de 2025, ainda que possam perder força em 2026.
- Além da pressão inflacionária, os dirigentes projetam um enfraquecimento esperado do mercado de trabalho, indicando que a taxa de desemprego deve superar o nível compatível com o pleno emprego até o final deste ano, permanecendo acima desse patamar por pelo menos dois anos.
Em resumo: A ata do FOMC evidenciou um ambiente de elevada complexidade para a política monetária dos Estados Unidos, com riscos simultâneos associados tanto à inflação quanto à atividade econômica. A sinalização de que o Federal Reserve adotará uma postura prudente até que haja maior visibilidade sobre os efeitos das políticas em vigor, eliminando a possibilidade de novos cortes de juros no curto prazo, deve ter contribuído para a valorização do dólar, o que pode contribuído com as perdas do real ao longo da sessão.

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.


