Câmbio encerra a quinta em baixa, refletindo enfraquecimento global do dólar
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,4984 (-1,1%)
▼ Dollar Index (DXY): ~97,2 pontos (-0,5%)
Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas repercutiu o enfraquecimento generalizado do dólar no cenário global, impulsionado por dados econômicos abaixo do esperado nos Estados Unidos e por novas declarações de Donald Trump criticando a condução da política monetária do Federal Reserve. No cenário doméstico, a valorização do real deve ter sido favorecida pelo IPCA-15 mais brando e pela divulgação de uma arrecadação federal recorde em maio, apesar do aumento das incertezas fiscais geradas pela revogação do aumento do IOF pelo Congresso.
Variações | No dia: -1,06% | Na semana: -0,51% | No mês: -3,88% | No ano: -11,00% | Em 12 meses: -0,38% |
Dólar se enfraquece globalmente em meio a incertezas sobre economia americana e pressões políticas sobre o Federal Reserve
O dólar registrou nesta sessão o menor nível em três anos e meio frente ao euro e à libra, em movimento de forte desvalorização. O gatilho veio da percepção crescente de que o Federal Reserve pode cortar juros mais rápido do que o esperado, após uma combinação de dados econômicos fracos e novas críticas de Donald Trump à atuação do presidente do Fed, Jerome Powell.
Por que isso é importante: O aumento das incertezas, econômicas e institucionais, nos Estados Unidos contribuiu para desvalorização do dólar globalmente, favorecendo o desempenho do real.
Panorama geral: Em testemunho ao Congresso nesta semana, a postura de Powell foi lida como mais branda pelos investidores, ao mencionar que, apesar de esperar uma alta da inflação durante o verão, entende que se as pressões permanecerem sob controle, o banco central “chegará a um ponto de corte de juros mais cedo do que tarde”.
- Além disso, ontem, Trump voltou a subir o tom contra Powell, chamando-o de “terrível” e indicando que já considera nomes para substituí-lo.
- Segundo notícias, o presidente estaria avaliando anunciar a troca no comando do Fed até setembro ou outubro, apesar de não ter autonomia para fazer isso.
- Além disso, o mercado acompanha a aproximação do prazo de 9 de julho pela Casa Branca para concluir acordos comerciais antes do início das tarifas de importação contra parceiros globais.
Em detalhes: Na agenda de divulgações desta quarta-feira, os pedidos contínuos de seguro-desemprego subiram ao maior patamar desde novembro de 2021, reforçando a visão de perda de tração no mercado de trabalho, principalmente no ritmo de contratações.
- Já o PIB dos EUA no primeiro trimestre foi revisado para uma queda anualizada de 0,5%, mais forte que a retração de 0,2% inicialmente reportada.
- No trimestre anterior, o quarto trimestre de 2024, a economia havia avançado 2,4%.
- Em partes, o resultado deve ter sido impactado pela antecipação de importações antes da implementação de tarifas de importação pelo governo americano.
Real é uma das moedas que mais se valorizou na sessão, apesar da ausência de uma única justificativa clara
Mesmo após a revogação pelo Congresso do decreto que elevava as alíquotas do IOF, o que, em tese poderia elevar os temores fiscais no Brasil e gerar um movimento de aversão ao real, a moeda brasileira figurou entre as de melhor desempenho na sessão.
- Entre os possíveis fatores que contribuíram para o movimento, destacam-se a desaceleração do IPCA-15 em junho, o recorde histórico de arrecadação federal em maio, além de uma possível correção técnica após a desvalorização registrada na sessão anterior.
Por que isso foi importante: Chamou a atenção dos investidores a ausência de impactos negativos significativos sobre o real, mesmo diante do agravamento do cenário fiscal no país.
Em detalhes: O governo central registrou déficit primário de R$ 40,6 bilhões em maio, frente a um saldo negativo de R$ 60,4 bilhões no mesmo mês de 2024, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira.
- O principal fator por trás do resultado foi o crescimento real de 7,66% na arrecadação federal em relação a maio de 2024, totalizando R$ 230,152 bilhões — o maior valor para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995.
- Já o IPCA-15 apresentou um cenário mais benigno para a inflação, com variação de 0,26% no índice cheio, abaixo da mediana das projeções (0,30%) e do resultado observado em maio (0,36%).

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

