Câmbio termina terça em queda, refletindo ceticismo de investidores quanto às tarifas de Trump
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,4467 (-0,6%)
▲ Dollar Index (DXY): ~97,6 pontos (+0,1%)
Em novo dia de agenda esvaziada, o mercado de divisas repercutiu uma recuperação do apetite global por riscos em meio a certo ceticismo entre investidores após a Casa Branca estender o prazo de tarifas de importação reduzidas até 01 de agosto.
Variações | No dia: -0,62% | Na semana: +0,41% | No mês: +0,22% | No ano: -11,83% | Em 12 meses: -0,55% |
Investidores duvidam de aumento das tarifas americanas mesmo diante de ameaças de Trump
Tarifas de importação por data de anúncio.

Fonte: Casa Branca. Elaboração: StoneX.
O dólar se enfraqueceu globalmente nesta terça, em um movimento de devolução dos ganhos observados na sessão de ontem por conta de uma postura cética de investidores quanto à possibilidade de a Casa Branca cumprir suas ameaças de elevar tarifas de importação.
- O movimento sugere que investidores acreditam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteja blefando ao ameaçar tarifas mais elevadas, utilizando o tema como instrumento de negociação para pressionar outros países a fecharem acordos comerciais.
Por que isso foi importante: A interpretação de que as ameaças de Trump não possuem credibilidade diminuem temores de desaceleração econômica global e impulsiona o desempenho de ativos arriscados, como o real.
- Contudo, essa interpretação apresenta riscos de uma reversão abrupta caso essa aposta se mostre equivocada.
Panorama: Com o encerramento do prazo para a redução temporária das tarifas, em 09 de julho, a Casa Branca afirmou que notificaria unilateralmente todas as nações sobre novas alíquotas que entrarão em vigor em 01 de agosto.
- Ontem, Trump publicou em redes sociais cartas endereçadas aos líderes de catorze países, alertando que as tarifas poderão ser ajustadas a qualquer momento.
- O presidente também sinalizou abertura para negociações adicionais, embora tenha reiterado que eventuais represálias serão respondidas de forma proporcional.
- Na prática, porém, a redução temporária das tarifas foi estendida até o final de julho, e investidores apostam que esse prazo possa ser estendido mais vezes.
Ameaças firmes: Trump, por sua vez, descartou qualquer possibilidade de uma nova prorrogação do prazo de redução temporária das tarifas.
- Adicionalmente, o presidente americano afirmou que anunciará ainda hoje uma tarifa de importação de 50% sobre o cobre, bem como uma sobretaxa de até 200% sobre produtos farmacêuticos.
- “Vamos anunciar tarifas sobre medicamentos, semicondutores e mais algumas outras coisas, vocês sabem, as grandes”, disse.
Contexto: A Casa Branca provocou uma onda de pessimismo e aversão ao risco com a aplicação de um “choque tarifário” em 02 de abril, supostamente para fins de “reciprocidade”.
- Uma semana depois, em 09 de abril, o governo dos EUA recuou, reduzindo temporariamente quase todas as tarifas de importação a 10% por 90 dias, prazo que se encerra nesta quarta (09).
- As exceções ficam por conta da China, cuja alíquota permanecerá reduzida a 30% até 12 de agosto, e dos produtos da cadeia do aço e do alumínio, cuja alíquota foi elevada a 50% em 03 de junho.
- Na prática, as autoridades econômicas dos EUA estão sinalizando que as tarifas reduzidas vão ser estendidas até o final de julho.
Ritmo lento: À época, Trump prometeu “90 acordos comerciais em 90 dias”.
- Porém, somente dois entendimentos mais formais foram alcançados: com o Reino Unido e com o Vietnã, além de um “consenso” com a China para manter o comércio bilateral durante a trégua de 90 dias.
- Apenas o entendimento com o Reino Unido teve seus termos publicados.
- O avanço escasso em acordos comerciais era amplamente antecipado, visto que estes habitualmente demoram anos para serem formalizados por abrangerem uma enorme diversidade de produtos e muitos pontos de interesse para as nações.

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.


