Câmbio encerra a quarta em queda, refletindo otimismo com acordos comerciais americanos
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,5239 (-0,8%)
▼ Dollar Index (DXY): ~97,2 pontos (-0,2%)
O mercado de divisas repercutiu o anúncio de um acordo comercial entre Estados Unidos e Japão e as expectativas por avanços nas negociações com a União Europeia, o que levou a uma queda do dólar frente a maior parte das moedas.
Variações do dólar comercial | No dia: -0,78% | Na semana: -1,14% | No mês: +1,64% | No ano: -10,58% | Em 12 meses: -1,14% |
Investidores repercutem política comercial americana após anúncio de acordo com o Japão
Em nova sessão de agenda fraca, o dólar se enfraqueceu de maneira generalizada após o anúncio de um acordo comercial entre EUA e Japão e notícias de avanços nas negociações americanas com a União Europeia.
Por que isso foi importante: O acordo com o Japão e as expectativas de um acordo com a União Europeia impulsionaram o apetite global por ativos arriscados, favorecendo o desempenho do real.
Acordo com o Japão: Na noite de ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que chegou a um acordo comercial com o Japão.
- As tarifas de importação sobre os produtos japoneses foram fixadas em 15%, abaixo da alíquota de 25% prometida para 01 de agosto.
- As tarifas sobre o setor automotivo japonês, responsável por mais de um quarto das exportações do país aos EUA, serão reduzidas de 27,5% para 15%.
- O Japão se comprometeu em investir US$ 550 bilhões nos Estados Unidos em alguns segmentos industriais, como infraestrutura energética e produção de semicondutores e fármacos.
- Adicionalmente, o Japão se comprometeu a aumentar o acesso de produtores americanos a seus mercados de bens agropecuários, energéticos, automobilísticos e aeronáuticos.
- Vale ressaltar, contudo, que este acordo ainda representa um entendimento inicial e cuja formalização dependerá de novas rodadas de negociação.
Avanços com a UE: Contribuiu com o otimismo de investidores, também, notícias de que a União Europeia estaria próxima a fechar um acordo comercial com os Estados Unidos nos mesmos moldes que o japonês, com tarifa fixa de 15%.
- Essa alíquota também é menor que a ameaçada para 01 de agosto, de 30%.
- Adicionalmente, alguns segmentos seriam isentos, como aeronaves, bebidas destiladas e equipamentos médicos.
O bode na sala: Em janeiro, seria impensável que a perspectiva de tarifas de importação de 15% pelos EUA sobre Japão e União Europeia impulsionariam o apetite por riscos e diminuiria os temores de desaceleração tanto da economia americana como da economia global.
- Porém, diante de ameaças de alíquotas de 25%, 30% e até 50%, uma tarifa de 15% se mostra menos desfavorável e gerou alívio ao afastar os cenários mais pessimistas.
- Isto mostra que a conduta caótica e inconsistente da Casa Branca acabou por redefinir as visões sobre as barreiras comerciais americanas a favor de seus objetivos.
- A dinâmica se assemelha em muito ao antigo conto iídiche do bode na sala (ou o bode na casa), em que um rabino aconselha uma família insatisfeita com o tamanho pequeno da sua casa a colocar o bode dentro de casa, o que piora a situação. Na sequência, o rabino aconselha a família a tirar o bode de dentro de casa, e a percepção deles sobre o tamanho da casa se torna muito mais favorável.

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.


