
Mercado Externo: Olhares voltados aos juros e às tratativas na Espanha
Os índices acionários dos Estados Unidos fecharam em leve baixa ontem. O mercado viu um movimento corretivo após esses índices terem atingido máximas históricas na segunda-feira. A economia americana continua dando sinais de força, o que foi reforçado pelos dados de vendas no varejo, que superaram as expectativas. Somado a isso, a expectativa de que o Comitê Federal de Mercado Aberto dos EUA realizará um corte de 0,25 p.p. na taxa de juros do país no anúncio de hoje também entra na conta dando suporte para os ativos. Embora menos provável, existe a expectativa de alguns agentes de que o corte de juros pode ser ainda mais profundo, de 0,5 p.p. e, mesmo que esse corte não venha agora, a sinalização de novos cortes nas próximas reuniões do comitê pode ser o suficiente para manter o otimismo dos agentes na economia americana.
Esse corte de juros virá no sentido de entregar incentivos para o mercado de trabalho americano, que já está há algum tempo indicando um ritmo mais fraco do que o esperado. Ainda assim, a inflação seguirá como um ponto de atenção. O nível atual de preços já aponta para uma inflação acima da meta do Fed e, além disso, o impacto das tarifas no nível de preços ainda não foi totalmente reportado de acordo com algumas análises. Um corte de juros nesse cenário tenderá a entregar maiores pressões inflacionárias na economia americana, o que poderia limitar o tom mais expansionista (a favor de cortes de juros) pelo Fed nos próximos meses.
Em um escopo menos econômico e mais político, o presidente dos EUA, Donald Trump relatou que as conversas entre autoridades americanas e autoridades chinesas em Madrid tem rendido bons frutos. O funcionamento do TikTok nos Estados Unidos foi estendido até dezembro, dando espaço para um prazo maior na negociação de venda das operações americanas do aplicativo pela controladora chinesa ByteDance. O bom andamento das conversas é uma boa sinalização para as commodities exportadas pelos EUA, como soja e algodão; no entanto, nada foi noticiado sobre um acordo envolvendo esses produtos, o que faz com que o mercado ainda opere no campo das especulações.
O bom andamento das conversas entre as duas maiores economias do mundo também foi fator de suporte para as bolsas na região Ásia-Pacífico, com o índice Nikkei 225 do Japão atingindo máxima histórica. A atenção agora está na conversa que Trump terá com a sua contraparte, Xi Jinping, nesta sexta-feira para acertar os detalhes finais da negociação.
Na Europa, o dia foi de alta, inspirado por esse bom humor nos mercados internacionais. Já no Brasil, as bolsas também se aproveitaram desse bom momento para registrar uma máxima histórica. O real também mantém sua trajetória de apreciação em relação ao dólar enquanto o mercado antecipa a ampliação do diferencial de juros entre Brasil e EUA após as reuniões de política monetária nos países, que serão encerradas nesta quarta-feira. Além do apetite global ao risco, um influxo de capital internacional na bolsa brasileira também é notável. Especula-se que fundos internacionais estejam ampliando sua exposição no mercado brasileiro por um temor de ficar de fora de um possível ralí eleitoral no ano que vem, a exemplo do que aconteceu na Argentina dois anos atrás, quando da eleição do presidente Javier Milei.
Soja em alta
Após notícias que mencionaram avanços nas tratativas comerciais entre Donald Trump e Xi Jingping, a soja fechou o pregão noturno desta quarta-feira em alta, apesar de alguns ajustes técnicos negativos que devolveram ganhos maiores ao longo da sessão.
O mercado também repercute a realocação de isenções de RVOs a pequenas refinarias dos nos EUA, tópico que foi discutido em um material especial da StoneX, que pode ser acessado clicando aqui.
Amanhã, o relatório de vendas de exportação deve confirmar se de fato houve um aquecimento nas exportações americanas nessa semana, conforme as expectativas. Se confirmado, tende a ser um fator de alta para a soja.
Milho estável
O milho fechou o último pregão noturno com ligeiros ganhos, próximos à estabilidade em comparação ao último fechamento. A incerteza acerca dos rendimentos da safra americana continua, uma vez que as condições climáticas de seca no Corn Belt impactaram o desenvolvimento final da cultura.
Mercado seguirá atento ao posicionamento das colheitadeiras e à divulgação de índices e atualizações de modo a obter novas pistas sobre o desenrolar da atual safra.
Trigo estável
O trigo apresenta um comportamento de ligeiros ganhos nos últimos dias, indo contra a tendência baixista que é observada há um certo tempo.
O atraso de operações portuárias no mar negro fortaleceu a exportação de trigo americano nesse cenário de alta competitividade global em torno do grão e pode explicar os ligeiros ganhos a curto-prazo.
Ainda assim, o cenário do balanço ainda é baixista, uma vez que os principais players do mercado global tendem a colher boas safras. Além disso, do ponto de vista sazonal, os EUA terminam a colheita do trigo de primavera, o que tende a entregar um enfraquecimento dos preços no mercado físico americano.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.