
Mercado Externo: Tarifas de Trump ameaçadas?
Ontem, houve um debate na Suprema Corte dos Estados Unidos perante as acusações de opositores ao governo Trump de que o presidente, ao executar as tarifas comerciais, estaria utilizando um poder que ultrapassa os limites executivos. Isto é, segundo a oposição, a determinação das taxações precisaria ter sido permitida pelo congresso nacional, inicialmente. Com isso, algumas tarifas podem estar ameaçadas, sobretudo a longo prazo, uma vez que tais decisões demandam meses, geralmente.
Ainda assim, a audiência no tribunal foi suficiente para estimular um maior número de operações financeiras no mercado. De modo geral, os efeitos dessa ocorrência corresponderam a ganhos nas bolsas e nos principais índices acionários norte-americanos. Hoje, mercados operam de maneira mista.
Os dados de emprego da ADP revelaram que o setor privado dos EUA criou 42 mil empregos em outubro, números acima das expectativas e que evidenciaram aquecimento do mercado de trabalho. Desta forma, novos cortes de juros pelo Fed podem estar definitivamente mais ameaçados a partir de agora.
No Brasil, o Copom decidiu por manter a SELIC em 15% a.a, conforme as expectativas do mercado. Durante as determinações, o comitê manteve o tom cauteloso acerca dos próximos cortes de juros. Deste modo, a expectativa é de que a SELIC permaneça nesse patamar até o início do ano que vem, o que tende a garantir o alto diferencial de juros entre Brasil e EUA (que passa por um momento expansionista, ainda que com ressalvas) e fortalecer o real frente à divisa americana.
Na Inglaterra, o Comitê de Política Monetária decidiu por manter os juros em 4%, numa votação acirrada de 5-4. Quatro dos membros optaram pela redução à casa dos 3,75%. A inflação no país se encontra ligeiramente acima da média, ainda que esteja sob controle. Desta maneira, decidiu-se que há margem para uma postura contracionista até, pelo menos, a próxima reunião. A expectativa de cortes em dezembro é um tanto quanto considerável. Mediante à decisão, bolsas na Europa operam em ligeira baixa.
Na Ásia, o dia foi de ganhos, associados sobretudo ao setor de tecnologia.
Soja em baixa
Na sessão, a soja devolveu ganhos após escalar 2,3% no pregão de ontem.
Os fundamentos do mercado continuam basicamente os mesmos, considerando o contexto internacional e macroeconômico. As oscilações nos preços se dão à medida que o acordo de compra e venda entre os EUA e a China por soja americana oferece estímulos altistas ao mercado que, no entanto, mantém-se ligeiramente cético até a confirmação da operação pela ponta compradora (chinesa).
Em termos de competitividade, a soja brasileira se mostra mais barata que a dos Estados Unidos no momento. Desta forma, apesar dos alívios nas tensões comerciais entre os dois países, os compradores chineses tendem a optar pelo produto brasileiro, o que gera uma incerteza acerca dos volumes de soja que serão importados dos Estados Unidos.
A soja estadunidense se encontra mais cara justamente pelo acordo da Fase 2 e, consequentemente, pela euforia dos agentes que foi repassada à esfera financeira.
Milho em baixa
O milho mais uma vez acompanhou a movimentação da soja em Chicago, e, portanto, encerrou o pregão noturno com ligeiras perdas após avançar na quarta-feira.
O grão norte-americano vem recebendo estímulos altistas por parte da demanda, sobretudo devido à alta demanda por etanol, ainda que as indefinições do governo quanto às políticas de biocombustíveis contribuam para limitá-la. Em contrapartida, recebe efeitos baixistas das altas expectativas referentes às safras pelo mundo e, principalmente, nos Estados Unidos, onde as estimativas apontam produção recorde mesmo com as possíveis reduções nas previsões devido ao recente clima muito seco no Meio Oeste, que pode ter prejudicado o rendimento das lavouras.
A China não citou diretamente o milho nas negociações, mas a redução de tarifas sobre os produtos americanos (com exceção da soja) deve potencializar as exportações da commodity à nação asiática e fornecer certo suporte aos futuros em Chicago.
Trigo em baixa
O trigo também recuou neste pregão. Ontem, o grão em Chicago atingiu a marca de US¢554,75/bu ao fechamento, patamar que não era alcançado desde o começo de julho deste ano.
A dinâmica altista para o recorte das últimas 3 semanas se justifica pela euforia do mercado quanto aos avanços comerciais entre China e EUA e, por consequência, os ganhos no complexo de grãos. A retirada de tarifas chinesas sobre o trigo americano potencializou as altas em Chicago.
Ainda assim, as grandes expectativas de produção e exportação do trigo russo, que divide um patamar de competitividade similar ao americano, proporcionam efeitos de pressão sob os futuros. A intensidade da queda (US¢9/bu) nessa última sessão pode ser explicada por isso, além do ajuste técnico de mercado.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.