
Mercado Externo: Bye Bye, shutdown...
Ontem a noite, o presidente Donald Trump pois fim à paralisação mais longeva da história dos Estados Unidos após uma votação acirradíssima na Câmara dos Deputados, que terminou em 222 a 209.
O que se apresenta no momento, sobretudo, é a grande polarização existente no escopo político norte-americano. As grandes divergências na esfera política estão sendo demonstradas de maneira cada vez mais explícita, revelando uma tendência um tanto quanto problemática aos americanos.
A paralisação parcial do governo foi um grande exemplo desta ampla divergência e, no fim das contas, Trump terá espaço para realizar cortes de gastos em alguns setores. Na saúde, não foi garantido que os subsídios para o Obamacare continuarão, o que é bastante desapontador para a ala Democrata.
De modo geral, os impactos para a esfera financeira em primeiro momento devem ser positivos, uma vez que a atividade econômica voltará a ser mais estimulada sob o âmbito público. Isto é, haverá a reabertura de locais públicos e a retomada de atividades essenciais para girar a esfera produtiva, e, desta maneira, o domínio financeiro tende a ser impactado positivamente. Além do mais, olhando para o complexo das commodities, a volta das publicações de relatórios como as atualizações de safra, vendas de exportação e o Relatório de Oferta e Demanda (WASDE) na frequência padrão deve contribuir para diminuir os níveis de incerteza dos agentes nessas operações.
A reabertura do governo já era estimulante ao dólar antes mesmo de ser confirmada e, desta forma, percebeu-se um avanço do índice DXY ontem. Após desvalorizações em cinco sessões consecutivas, o dólar contemplou ganhos frente ao real brasileiro. Neste momento, o mercado continua reagindo aos recentes ocorridos e, sobretudo, o fim da paralisação. Espera-se, portanto, que possa haver maior volatilidade na esfera financeira nesta reta final da semana.
O término da paralisação marca também a retomada de dados relevantes do mercado de trabalho, que devem impactar significativa a próxima decisão de juros do Fed. A cúpula se encontra um tanto quanto dividida neste momento.
Na Ásia, mercados apresentaram ganhos nesta quinta-feira, considerando os acontecimentos políticos nos Estados Unidos. Na Europa, as bolsas também operam em alta agora pela manhã.
Soja em alta
A soja contemplou uma nova alta no pregão noturno desta quinta-feira, estendendo os ganhos do dia anterior e retomando para patamares próximos à máxima dos últimos 17 meses.
O anseio pela operação junto à China segue entregando suporte aos futuros em Chicago, ainda que a soja brasileira deva assumir um protagonismo grande nos próximos momentos, considerando as altas expectativas para a próxima safra e o próprio prêmio no porto. No atual momento, o basis brasileiro já se encontra bastante interessante e acessível aos compradores, o que pode estar influenciando a execução da compra chinesa pela soja americana.
A colheita deve estar praticamente completa nesse momento. O ritmo dos trabalhos de campo e a provável completude devem ser confirmados amanhã, com a publicação da atualização de safra do USDA.
Milho em baixa
Pelo segundo dia consecutivo, o milho apresentou perdas no pregão noturno após subir na sessão do dia anterior, revelando-se, assim, certa dinâmica de oscilação.
O milho americano deve sofrer algum ajuste para baixo no WASDE, pelo menos essa é a expectativa. Condições climáticas secas perduraram por muito tempo no meio-oeste, o que pode ter impactado os rendimentos da cultura nos Estados Unidos. Ainda assim, entende-se que um eventual ajuste da produção para baixo deve ser insuficiente para que safra deixe de atingir patamares produtivos recordes.
Trigo em baixa
O trigo contemplou uma perda de U$¢1,75/bu neste pregão noturno, o que converge para a dinâmica oscilante do grão dos últimos dois dias.
Desta vez, estímulos baixistas estão associados aos ajustes nas expectativas de produção na Argentina e na União Europeia. A Argentina deve ter rendimentos recorde nesta safra, e os volumes de produção estão estimados em 24,5 milhões de toneladas, aproximadamente. Na Europa, as estimativas apontam para 136,8 milhões de toneladas, 21% acima da última safra. O WASDE de amanhã contribuirá para a formalização das previsões e para a confirmação de algumas tendências que estão sendo apontadas de maneira alheia ao USDA.
A França mantém um alto nível de competitividade do trigo, que se encontra barato no momento, e, portanto, apresenta níveis significativos de exportações semanais, liderando as vendas do grão no velho continente.
Quanto ao clima nos Estados Unidos, tem-se que, nos próximos dias, a previsão ainda é um pouco seca. Entretanto, a partir da próxima segunda-feira (17), esperam-se volumes pluviométricos mais significativos no território americano, e parte das planícies do centro e do sul devem ser abrangidas pelas chuvas, sobretudo no estado do Texas. No noroeste, alguns níveis de precipitação são aguardados também. A cultura de inverno deve, portanto, ser potencializada em termos de desenvolvimento considerando tais condições climáticas.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.