
Mercado Externo: Pane no data center da CyrusOne congela operações desta sexta-feira
Na manhã desta sexta-feira (28), a CME Group, maior operadora de bolsas do mundo, passa por instabilidades técnicas originadas em meio à pane de um data center da CyrusOne, garantidora da operação dos mercados sob a ótica técnica e digital. Desta maneira, inúmeros mercados estão paralisados nesse momento, como por exemplo o Petróleo WTI, Treasuries de 10 anos, S&P 500, Nasdaq 100, Nikkei, Ouro, e as commodities agrícolas da Bolsa de Chicago, como a soja, o milho, o trigo e o café. Agentes aguardam pela estabilidade das plataformas para voltar a operar (um tanto quanto no escuro, uma vez que a baixa liquidez já se dava devido ao Dia de Ação de Graças nos EUA, nesta quinta-feira (27).
No cenário nacional, a Petrobras aprovou um plano de investimentos de US$109 bilhões para o período de 2026 a 2030, valor que indica uma redução de aproximadamente 1,8% em relação ao plano anterior, que abrangia os anos de 2025 a 2029. A diminuição do montante está associada à tendência de queda dos preços do petróleo neste momento, à medida que o acordo de paz à Guerra da Ucrânia deve ser discutido por Trump e Putin em Moscou na próxima semana.
Tanto na Europa como na Ásia, o direcionamento dos mercados ocorreu de maneira mista nas sessões desta sexta-feira. No Japão, foi aprovado um orçamento suplementar de 18,3 trilhões de ienes (122 bilhões de dólares) para fornecer suporte ao governo no plano estratégico e em meio ao pacote econômico anunciado por Sanae Takaichi. O nível de atividade econômica está baixo no Japão, à medida que a inflação se concentra acima da meta, e, desta maneira, o enfrentamento da população à alta dos preços convergiu, no último trimestre, à contração do PIB em 1,8% (taxa anualizada). O governo japonês tenta aliviar os impactos negativos desse baixo nível econômico no país, de modo a evitar uma eventual recessão no segundo semestre em 2025.
Soja
As bolsas em Chicago estão paralisadas no momento, o que impossibilita discutirmos acerca do comportamento dos grãos nesta sessão.
Após os últimos 10 embarques de soja americana à China, correspondentes a 600 mil toneladas, a país asiático atingiu a marca de 2,5 milhões de toneladas importadas do grão nas últimas duas semanas. Desta maneira, os futuros se mantêm estáveis em patamares expressivos, ainda que altas mais acentuadas sejam limitadas pelo ceticismo de parte do mercado em torno da completude das operações da Fase 2.
Na semana encerrada no dia 16 de outubro, a soja finalmente contemplou valores de exportação acima de 1 milhão de toneladas. No período, foram contabilizadas 1,1 toneladas exportadas para o grão norte-americano. Caso o ritmo de exportação volte a acelerar, considerando também os recentes avanços comerciais entre EUA e China, é possível visualizar os futuros da soja em CBOT ultrapassando patamares mais expressivos e dotados de maior resistência.
As estimativas para o Brasil seguem em torno de 178,9 milhões de toneladas, conforme a última atualização das estimativas da safra pela StoneX. 85% da área prevista para o plantio já foi semeada.
Milho
A grande notícia do dia para o milho foram as vendas de exportação. Na semana encerrada no dia 16 de outubro, os EUA exportaram 2,82 milhões de toneladas do grão, valores absurdamente expressivos. Caso este ritmo de exportações se mantenha até o final do atraso dos dados, é bastante provável que os preços dos futuros possam realizar uma escalada em Chicago, suportados pelo escopo bastante aquecido da demanda.
Paralelamente, o milho pode absorver estímulos baixistas à medida que a safra na Argentina evolui bem. No país, o plantio da cultura já corresponde a 39,3% da área prevista para semeadura, sendo que 82% das lavouras apresentam condição boa/excelente.
Na Europa, onde as colheitas já estão tangentes à completude, houve um pequeno ajuste para cima nas expectativas de produção final, sendo que agora são estimadas 57,6 milhões de toneladas, ante 56,8 milhões do mês anterior.
Trigo
O trigo argentino deve realmente atingir patamares recordes na atual safra. As expectativas agora são de 25,5 milhões de toneladas, em comparação as 24 milhões estimadas anteriormente, no mês passado. Os níveis recorde de produção pertencem ao ano-safra de 2021/22, quando os volumes produzidos atingiram as 22,4 milhões de toneladas. O resultado esperado é, portanto, bastante expressivo para a Argentina, que deve intensificar ainda mais sua competitividade no mercado mundial, uma vez que os FOBs do país já são os mais acessíveis do globo.
Ainda que o WASDE de novembro tenha reduzido os estoques argentinos nas estimativas, a sensação é de que o país se mantém extremamente forte sob a ótica da oferta, e os preços nas praças argentinas podem até mesmo diminuíram até a casa dos US$200/t.
Na França, a cultura segue se desenvolvendo bem. Ainda que haja a necessidade de mais chuvas em algumas regiões, o clima continua bastante favorável ao mesmo modo do solo. O volume de chuvas mais acentuado deve chegar ao país europeu nas próximas duas semanas.
A União Europeia também expandiu as expectativas da cultura de inverno para o trigo. Agora, as estimativas apontam para 134,2 milhões de toneladas, ante 133,4 mi no último mês.
A competividade é assustadora em torno do grão, e os estímulos baixistas devem ser ainda mais intensificados em caso de resolução da Guerra da Ucrânia, uma vez que a Rússia, maior exportadora de trigo no mundo, deve se fortalecer no âmbito produtivo e comercial.
As vendas de exportação referentes à semana que se encerrou dia 16 de outubro contabilizaram 341,3 mil toneladas do grão exportadas pelos estadunidenses. Os valores são razoáveis, ainda que tenha havido uma queda acentuada em comparação as últimas duas últimas semanas divulgadas (614 mil toneladas até 09/10, e 888 mil toneladas até 02/10).

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.