
Mercado Externo: Prata e ouro na "montanha-russa"
Os principais índices acionários norte-americanos iniciam o dia em queda.
A temática dos mercado de metais segue sendo uma pauta relevante no mercado após uma forte correção ao longo do pregão de ontem.
A dinâmica em torno da prata permanece altista, contudo, à medida que as condições macroeconômicas nos EUA seguem marcadas por incertezas e, na China, começam as restrições às exportações a partir de 1º de janeiro. No país asiático, os vendedores precisarão solicitar autorização ao governo para exportar o metal, sendo que o valor mínimo de produção anual corresponde a 80 toneladas, o que dificultará a participação de pequenos e médios produtores no programa de exportação. Com esse estímulo de alta sob a ótica da oferta, a prata apresenta ganhos de 7% nesta manhã, uma recuperação quase à altura das perdas anteriores.
O ouro também registra ganhos nesta terça-feira, de aproximadamente 1,6%. Ontem, o metal sofreu uma queda de 4,6%, apresentando comportamento semelhante ao da prata. Trump demonstrou sua insatisfação a repórteres com a postura supostamente pouco agressiva de Jerome Powell à frente do Fed. O presidente mantém uma posição mais expansionista, que pode acabar sendo transmitida ao Banco Central norte-americano por meio da escolha do novo presidente, que substituirá Powell ao final de maio. Novas quedas de juros podem contribuir para o enfraquecimento do dólar, o que estimula a demanda por ouro. Dessa forma, vislumbra-se um cenário em que a alta do ouro e da prata pode ser ainda mais duradoura.
O conflito na Ucrânia segue sem resolução, à medida que os “avanços” recentes começam a ruir. Trump manifestou sua insatisfação com Putin, e o presidente norte-americano parece irritado com a considerada inflexibilidade do líder russo. O petróleo Brent continua encontrando suporte nesse cenário e na persistência das tensões na costa venezuelana. A commodity energética registrou alta de 2,1% ontem e hoje opera também com ganhos, de 0,3%.
O índice DXY segue praticamente estável há uma semana, sem grandes volatilidades. Ainda assim, os preços permanecem em patamares relativamente baixos (em análise anual). Desde 1º de janeiro de 2025 — há praticamente um ano — a divisa norte-americana acumula perdas de 9,6%. Apesar disso, a relação entre o dólar e o real tem sido desfavorável à moeda brasileira neste mês de dezembro (mesmo com o aumento do diferencial de juros frente aos Estados Unidos). Até agora, a variação mensal para o câmbio doméstico é de 3,8%. A depreciação do real está correlacionada às incertezas políticas e econômicas no Brasil, que entra agora em ano eleitoral.
Soja em alta
A soja operou em alta na sessão, mediante ajustes técnicos, recuperando-se das perdas de 1,2% acumuladas nos últimos dois dias.
A vida dos produtores de soja nos Estados Unidos não está fácil, principalmente porque o volume de exportações continua muito aquém do necessário, tanto para o cumprimento da meta do USDA quanto para atender ao acordo firmado entre Trump e Xi no final de outubro.
Para a China, estima-se que as vendas somem cerca de 8 milhões de toneladas até o momento. O fim da retroatividade das vendas de exportação, previsto para a próxima semana, esclarecerá melhor os valores e a participação da China nas últimas operações. As inspeções do USDA revelaram que 751 mil toneladas foram embarcadas na semana passada, 19% a menos em comparação à semana anterior e 54% abaixo do mesmo período do ano passado.
O ritmo de exportações está 19% abaixo do necessário para o cumprimento da meta do USDA. Caso essa diferença persista, é bastante provável que o USDA revise para baixo as expectativas de exportação no próximo WASDE, o que pode contribuir para o aumento da projeção de estoques finais e, consequentemente, para a reforço dos estímulos baixistas sobre a oleaginosa.
No Brasil, a safra segue bastante promissora, e as condições climáticas permanecem adequadas, sobretudo sob a ótica pluviométrica. Na Argentina, a escassez de chuvas vem se mostrando um ponto de atenção, principalmente na província de Buenos Aires. Ainda assim, não é um problema consolidado para a cultura.
Milho estável
O milho permaneceu praticamente estável na sessão após registrar perdas significativas junto às outras commodities — principalmente os metais — no pregão de ontem.
As inspeções do USDA indicaram uma queda nas exportações de milho na última semana, provavelmente em função das festividades de fim de ano. Ainda assim, o ritmo manteve-se relativamente equilibrado, com 1,3 milhão de toneladas contabilizadas para o grão, 400 mil acima do mesmo período do ano passado.
Trigo em alta
O trigo encontrou suporte na sessão, em parte por fatores técnicos. Além disso, a volatilidade em torno do grão tem sido fortemente influenciadas pelas tratativas na Ucrânia, uma vez que os avanços e recuos nas negociações apresentam uma dinâmica de “vai e vem”. Predominantemente, o comportamento do trigo continua baixista.
As inspeções do USDA referentes à semana passada indicaram 302 mil toneladas embarcadas de trigo pelos Estados Unidos, 52% a menos que na semana anterior e 11% abaixo do mesmo período do ano passado.
Amanhã, será divulgado o relatório de vendas de exportação referente à semana do dia 18 de dezembro, o que permitirá avaliar com maior precisão o ritmo recente de comércio internacional de grãos pelos EUA
Obs: Devido às festividades de fim de ano, retornaremos com a publicação da "Chamada de Abertura" na próxima segunda-feira, dia 05 de janeiro.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.