
Mercado Externo: Incertezas geopolíticas e dúvidas quanto a economia americana movimentam os mercados
Os principais índices norte-americanos operam de forma mista nesta manhã, enquanto os agentes aguardam dados econômicos relevantes e novos desdobramentos no contexto venezuelano.
Após a captura de Nicolás Maduro pelas forças armadas dos Estados Unidos, uma grande incerteza tomou conta dos mercados. Os agentes temem que as tensões geopolíticas continuem a aumentar por meio da ação de players contrários aos EUA no cenário macroeconômico global, como China e Rússia. Além disso, os recentes comentários do presidente Donald Trump elevam as preocupações sobre possíveis ações envolvendo outras nações latino-americanas, como Colômbia e México.
Ainda assim, há poucas pistas sobre o que deve realmente acontecer. O cenário é marcado por apostas, suposições e previsões, o que amplia as margens para maior volatilidade na esfera financeira.
Hoje, os mercados iniciam majoritariamente em alta, tanto no complexo de grãos quanto no petróleo, algodão e, sobretudo, nos metais preciosos. Ouro e prata lideram os ganhos mais expressivos da sessão, movimento que já se tornou recorrente em meio às incertezas, uma vez que esses ativos são considerados reservas seguras de capital. O ouro avança 0,5%, enquanto a prata registra alta superior a 2% nesta manhã. O algodão também apresenta valorização acima de 1%, embora estímulos baixistas sob a ótica dos fundamentos possam reverter esse comportamento ao longo da sessão.
Os impactos nos fundamentos do mercado de petróleo devem ocorrer apenas no longo prazo, pois será necessário desenvolver a indústria petrolífera venezuelana para ampliar significativamente a oferta. Esse é um dos planos de Donald Trump para os próximos anos, de modo a obter maior influência sobre o petróleo venezuelano.
Na Ásia, os principais índices financeiros fecharam em alta nesta terça-feira. Na Europa, o movimento das bolsas também é positivo na sessão.
Soja em alta
A soja segue em alta após os ganhos robustos registrados ontem.
Boatos de que a China comprou entre 600 mil e 750 mil toneladas de soja americana impulsionaram o mercado no pregão desta segunda-feira (05), quando os futuros avançaram 1,55%. Atualmente, o acumulado das compras chinesas deve corresponder a cerca de 9 milhões de toneladas.
Apesar desse estímulo otimista, ainda é difícil prever se a China atingirá os 12 milhões acordados até o fim de fevereiro, principalmente porque o Brasil mantém alta competitividade e deve acelerar o ritmo de colheita nas próximas semanas.
O saldo líquido das posições dos fundos especulativos continua positivo para a soja, com 90 mil contratos comprados, embora vendas tenham ocorrido massivamente nas últimas semanas, em meio ao pessimismo que tomou conta do mercado.
As inspeções do USDA indicaram embarques de 980 mil toneladas de soja dos EUA na última semana, 26,7% acima da semana anterior, mas 24,3% abaixo das 1,3 milhão de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
As safras na Argentina e no Brasil seguem evoluindo bem, embora o clima permaneça como ponto de atenção, sobretudo na Argentina.
Milho estável
O milho manteve estabilidade na sessão após absorver os ganhos da soja no pregão anterior.
As inspeções do USDA indicam sinais de desaceleração nas exportações: na semana passada, foram embarcadas 1,2 milhão de toneladas, ante 1,33 milhão na semana anterior. Essa foi a segunda queda consecutiva nas últimas duas semanas. Ainda assim, o ritmo das vendas continua bom, especialmente em comparação ao ano passado, quando foram exportadas 877 mil toneladas na mesma semana.
O saldo líquido dos fundos (CFTC) permanece equilibrado, refletindo a estabilidade do grão nas últimas semanas. Na última divulgação (operações até 30/12), o saldo foi de aproximadamente 23 mil posições vendidas.
Trigo estável
O trigo em estabilidade na sessão após ganhos no dia anterior.
Ontem, o grão acompanhou a soja e o complexo de grãos, registrando valorização de 1,2%. A continuidade das tensões no Mar Negro segue dando suporte aos preços, enquanto a seca nas planícies norte-americanas também contribui para sustentar os futuros sob a ótica da oferta.
Nos últimos sete dias, o volume pluviométrico variou entre 0 e 5 mm em praticamente toda a região produtora. Embora a cultura não exija grandes níveis de precipitação, a questão climática passa a ser um ponto de atenção diante das possibilidades de estresse hídrico, principalmente nesta fase de perfilhamento.
As inspeções do USDA revelam, assim como no milho, uma leve desaceleração no ritmo das exportações norte-americanas. Na semana passada, foram embarcadas 183 mil toneladas de trigo, 42,5% a menos que na semana anterior e 55,6% abaixo do mesmo período do ano passado. Essa foi a segunda redução semanal consecutiva nos volumes exportados.
Milho, Soja e Trigo - Inspeções do USDA (divulgações desde 23/10)


Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.