
Mercado Externo: Tensões entre EUA e Irã voltam ao radar
Os principais índices acionários norte-americanos seguem em alta após o alívio das tensões entre a Europa e os Estados Unidos pela Groenlândia.
Nesta sexta-feira, a agenda no âmbito internacional está um tanto quanto esvaziada. Ainda assim, é relevante nos atentarmos às prévias do PMI – consolidado, da indústria e de serviços - que serão divulgadas às 11h45 pelo S&P Global. Além disso, a Universidade de Michigan publicará hoje a Sondagem dos Consumidores, ao meio-dia, referente ao humor dos agentes para o segmento financeiro e para a economia dos EUA no período atual. Expectativas de inflação também acompanham a divulgação.
O petróleo Brent é o grande destaque de hoje, uma vez que as tensões entre os EUA e Irã voltaram a escalar. Trump confirmou o envio de aviões militares norte-americanos ao Oriente Médio. Para um entendimento mais detalhado, acesse o .
O Índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de divisas, opera de maneira lateralizada nesta manhã, com levas perdas. A dinâmica da moeda americana é baixista desde o início desta semana, ainda que as expectativas sejam de corte de juros na próxima reunião do Fed, nos próximos dias 28 e 29 de janeiro. O alívio das tensões geopolíticas em torno da Groenlândia ofereceu sustento às moedas emergentes, como o real. O câmbio brasileiro frente ao dólar apresenta uma variação mensal de -4,61%, o que mostra o fortalecimento da moeda brasileira em janeiro. A longo prazo, entende-se que deve ser um ano de grandes volatilidades ao real, considerando o contexto eleitoral. Hoje, o câmbio brasileiro apresenta leve alta técnica, associada também aos desdobramentos da liquidação e das investigações em torno do Banco Master.
Os mercados europeus ampliam em leve alta nesta manhã, e este também foi o comportamento final dos principais índices acionários nas bolsas asiáticas.
Soja em alta
A soja encerrou os ganhos robusto do dia anterior nesta manhã de sexta-feira.
As vendas de exportação revelaram 2,45 milhões de toneladas negociadas pelos Estados Unidos na semana até o dia 15 de janeiro. Os valores configuram o maior volume de vendas semanais deste ano-safra, até então, confirmando as expectativas positivas de parte do mercado. Os números devem oferecer sustento aos futuros em Chicago.
A China foi a principal destinação, sendo que comprou cerca de 1,3 milhão de toneladas, mais da metade do valor total. Estas operações acabam confirmando o discurso de Scott Bessant, que havia anunciado que o país asiático tinha atingido as 12 milhões de t acordadas.
O enfraquecimento do dólar diante do real neste mês também pode contribuir para explicar parcela deste aumento significativo das exportações americanas, sobretudo em detrimento do ano-safra anterior.
Milho em alta
O milho também encerrou as operações em alta, sobretudo após a divulgação das vendas de exportação dos EUA da última semana, que foram simplesmente incríveis à commodity.
O relatório trouxe um número de 4,01 milhões de toneladas negociadas, o que corresponde a mais que o dobro dos valores da última safra para a semana, e três vezes mais em comparação à média dos últimos 5 anos no período. O grão operava um tanto quanto lateralizado até esta divulgação, depois estendeu os ganhos.
As vendas de exportação foram suficientemente altistas para compensar a queda da produção de etanol nos EUA na última semana. Foram 1,119 milhão de barris por dia na semana passada, ante 1,196 milhão na semana anterior. O E15 também trouxe atualizações negativas para os produtores americanos, uma vez que a menção foi retirada de um projeto de financiamento pela Câmara dos Deputados. Entende-se que haverá a formação de uma nova comissão para discutir essa temática dos biocombustíveis no futuro, o que adia potenciais ganhos ao milho e maior garantia de equilíbrio do mercado no longo prazo.
Chuvas estão previstas para as próximas duas semanas no Brasil, o que pode contribuir para o desenvolvimento da safra de verão e o plantio da safrinha no país, adicionando possíveis novos estímulos baixistas sob a ótica da oferta mundial no médio prazo.
Trigo em alta
O trigo acompanhou o complexo de grãos e ampliou os ganhos.
As vendas de exportação também foram excelentes ao trigo. Foram 618.1 mil toneladas negociadas na semana, valor maior que o acumulado das últimas quatro semanas. Os valores também são maiores – em mais de três vezes – em comparação ao ano-safra anterior, e em quase duas vezes frente à médias dos últimos cinco anos para a semana.
Há outros estímulos altistas de curto-prazo ao trigo no radar, como a pauta climática, que pode comprometer parte dos rendimentos nos EUA e na Rússia devido à pouca cobertura de neve em algumas regiões.
As exportações argentinas continuam bastante aquecidas, e este tem sido um grande competidor no mercado, pressionando as cotações na CBOT e na MATIF. É um momento de notória ampliação das exportações de trigo argentino frente ao europeu, o que contribui para esta pressão sobre o produto no Velho Continente.
Outros Mercados:
O ouro e a prata também estendem aos ganhos mediante a possibilidade do conflito e a baixa do dólar.
O algodão opera com leves perdas, ampliando também o comportamento do final do pregão anterior, quando encerrou em queda após permanecer tangente à estabilidade durante quase toda sessão.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.