
IFRS S1 e S2 redefinem o papel do ESG na gestão empresarial
Sustentabilidade deixa de ser diretriz voluntária e passa a integrar estratégia, governança e decisões financeiras com os novos padrões IFRS

- Visao de especialistas
By: Liderança Inovadora, Liderança Inovadora
A soja ficou conhecida como o grão de ouro do agronegócio brasileiro por volta dos anos 2.000, quando ainda produzíamos perto de 50 milhões de toneladas e nos aproximávamos da produção americana. Ganhou esse status pela rápida expansão da produção, principalmente no Mato Grosso, e também pela sua importância para o produtor e para a balança comercial de exportação brasileira.
Passados mais de 20 anos, hoje somos, de longe, o maior produtor e exportador de soja do mundo. Ano após ano, seguimos adicionando área plantada, a produção não para de crescer e a soja continua sendo o “grão de ouro” do agronegócio brasileiro.
No entanto, hoje podemos afirmar que temos um novo grão de ouro: o milho.
Mercado de milho no Brasil
Atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com cerca de 430 milhões de toneladas – monstro do milho, e da China, com aproximadamente 300 milhões de toneladas. A produção brasileira varia entre 130 e 140 milhões de toneladas por ano.
Nos últimos anos, o mercado brasileiro vem aumentando significativamente a área plantada de milho, principalmente no milho de safrinha. Isso ocorre porque perdemos área de plantio no verão, especialmente no Sul do Brasil, ao mesmo tempo em que ampliamos o plantio no inverno, movimento puxado principalmente pelo Centro-Oeste – com destaque para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e a região do Matopiba.
Boa parte desse aumento da produção de milho foi impulsionada pelo consumo do setor de proteínas, principalmente frango e suínos. Praticamente todos os anos observamos a carne brasileira ganhando espaço tanto no mercado interno quanto na exportação, o que, de forma direta, elevou a demanda por milho rapidamente.
A partir do momento em que passamos a produzir volumes muito maiores e começou a sobrar produto no mercado pressionando preços, o Brasil se tornou exportador de milho, especialmente a partir de 2007/2008, quando a produção cresceu rapidamente com a consolidação da safrinha. O excedente passou a ser exportado, uma vez que o mercado interno era plenamente atendido e ainda sobravam estoques elevados após a colheita da segunda safra.
Agora, alguns anos depois, temos um novo e relevante componente de demanda: o etanol de milho. A partir de 2018/2019, essa indústria chegou e ganhou força no Brasil e, desde então, a demanda interna por milho vem crescendo de forma muito acelerada.
Dinâmica do mercado daqui para frente
Até então, o ciclo era claro: a produção crescia, atendia o mercado interno de carnes, sobrava milho e exportávamos. Com a entrada do etanol, temos uma nova demanda estrutural inserida no mercado interno, que vem tendo impactos no dia a dia e tende a alterar significativamente a dinâmica do mercado nos próximos anos – mudança, essa, já sentida em algumas regiões.
Também estamos observando uma mudança estrutural na logística brasileira, tema que os consultores da StoneX discutem com frequência com seus clientes. Essa transformação impacta diretamente a disponibilidade de oferta regional e, consequentemente, a formação de preços. Essa é uma das principais mudanças que estamos vendo nos últimos anos e impacta diretamente a movimentação e precificação no mercado interno.
Hoje, a demanda interna por milho é bastante forte, puxada principalmente por carnes e etanol. Vale abrir um parêntese para a exportação: o Brasil exporta basicamente o excedente, e a prioridade histórica sempre foi atender o mercado interno. Essa é uma missão clara do mercado doméstico: não permitir que o milho “vá embora” enquanto o consumidor interno ainda precisa dele.
Etanol de milho
O etanol chegou para ficar. Ganhou espaço e vem mudando de forma consistente a dinâmica do mercado. Atualmente, temos cerca de 35 usinas em operação, além de mais de 35 projetos em fase de estudo ou avaliação. Todo mundo quer ver a conta e entender o mercado, uma vez que tem números de margens e payback bastante bons, comparados com outros ativos do agronegócio (silos, indústria, abate, etc).
Olhando friamente, o horizonte ainda é extremamente promissor para o etanol. O Brasil possui uma matriz energética flexível, utiliza 30% de etanol na gasolina, conta com um dos combustíveis mais limpos da matriz energética e ainda exporta apenas uma parcela pequena da produção total de etanol, cerca de 10% ano.
Além disso, diversos países possuem mandatos para uso ou aumento do uso de biocombustíveis, e o etanol se destaca como uma das principais alternativas, tanto pela matriz limpa quanto pela competitividade de preço.
Quando comparamos com o mercado americano, vemos que o movimento do etanol de milho nos Estados Unidos começou entre 2000 e 2005, período em que também havia excesso de oferta de milho. Hoje, os americanos consomem cerca de 35% da produção total de milho no etanol – algo em torno de 135 milhões de toneladas, volume equivalente a toda a safra brasileira – com aproximadamente 198 plantas em operação e, ainda assim, com boas margens para as usinas.
Diante disso, quando avaliamos o mercado interno brasileiro, vemos um horizonte extremamente favorável ao etanol de milho, e observamos as margens excepcionais das usinas nos últimos 4 a 5 anos, fica claro que esse movimento está apenas começando.
Esse novo cenário já impacta fortemente a demanda, muda o cenário no interior e impacta diversos players ao longo da cadeia.
Oferta e demanda
Ao analisar o balanço de oferta e demanda = estoque final do milho, a relação entre produção e consumo interno é muito mais apertada do que na soja. Produzimos cerca de 180 milhões de toneladas de soja e consumimos/esmagamos aproximadamente 65 milhões de toneladas, ou seja, cerca de 36% da produção.
No milho, produzimos em torno de 140 milhões de toneladas e consumimos aproximadamente 68 milhões para proteínas + cerca de 30 milhões para etanol, totalizando 98 milhões de toneladas – algo próximo de 70% da produção total.
Com esse consumo, o Brasil tem que aumentar rapidamente a produção do mercado interno e não pode nem sonhar em quebra de safra – que poderia levar os preços a uma irracionalidade momentânea.
O Brasil possui duas safras bem distintas: uma safra de verão menor, em torno de 25 milhões de toneladas, e uma safrinha muito maior, com cerca de 110 milhões de toneladas. A demanda, no entanto, é contínua ao longo do ano, próxima de 8,5 milhões de toneladas por mês. Essa assimetria aumenta ainda mais a importância da safrinha, que precisa abastecer o mercado interno, formar estoques para o primeiro semestre do ano seguinte e ainda atender parte da exportação.
Oportunidades para o mercado de milho
Dessa forma, o milho, que no passado tinha basicamente o mercado de carnes como comprador, hoje conta com diversos novos participantes e passou a ter status e liquidez muito próximos aos da soja. Isso altera significativamente os cenários e a forma do mercado operar, tanto para o produtor quanto para a indústria consumidora.
Hoje, se a indústria de proteína não compra milho, o grão rapidamente encontra outros destinos, seja na exportação ou no etanol. E, uma vez que esse volume é direcionado, dificilmente retorna ao mercado interno, a não ser em situações de grande distorção de preços que justifiquem um washout. Com isso, as indústrias internas têm que cada vez mais participar do mercado quando rodar o físico e, além disso, estruturar políticas de hedge bem definidas para participar do mercado de bolsa (B3 ou Chicago) quando o mercado oportunizar.
Se a gente volta um pouquinho alguns anos, o milho no passado tinha somente 2 funções principais: 1) fazer uma boa palhada para plantio de soja e 2) otimizar e diluir a mão de obra.
Hoje, segue ainda fazendo uma palhada extremamente importante para soja, mas é um complemento de renda excepcional para o produtor. Se o produtor avaliar o quanto produz de soja e milho, tira o custo, multiplica o saldo que sobra de soja e milho pelos seus preços, verá que o milho é tão importante quanto soja na composição da receita total anual. Por isso a implantação com investimentos de uma boa safra de milho é extremamente importante.
Na prática
Mais importante do que acompanhar essa mudança, é refletir e avaliar sua operação:
São perguntas e mais perguntas que os consultores da StoneX avaliam e direcionam para seus clientes na rotina. Perguntas que devem ser respondidas e ajustadas diariamente para que ninguém seja pego de “surpresa” pelo mercado.
Dessa forma, temos um novo grão de ouro, dourado, bonito, com diversas funções e destinos que trouxe um novo cenário – e, junto dele, um desafio para o mercado interno brasileiro, pois as mudanças estão apenas começando.
Recapitulando pontos importantes:
Entenda mais sobre os serviços prestados pela consultoria de gestão de riscos da StoneX e como podemos apoiar seu negócio.
Escrito por: Étore Baroni, Consultor em Gerenciamento de Riscos
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