Panorama de câmbio: principais eventos da semana
- Fatores baixistas
- Alta branda do Índice PCE deve reforçar leituras de “pouso suave” da economia americana e aumentar apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, enfraquecendo o dólar.
- Expectativa de maior sintonia nos discursos de membros do Banco Central do Brasil pode ajudar a reduzir a percepção de riscos para ativos brasileiros e contribuir para o fortalecimento do real.
- Moderação do IPCA-15 de agosto no Brasil pode reduzir receios sobre o desempenho inflacionário do país e contribuir para a redução na exigência de prêmios de risco por investidores, fortalecendo o real.
- Fatores altistas
- Detalhamento do Orçamento de 2025 será acompanhado de projetos para elevação da receita tributária e podem realimentar temores de que o Executivo pode não conseguir equilibrar as contas públicas, o que resultaria em maior percepção de riscos fiscais e pode enfraquecer o real.
Resumo da semana passada
A semana foi marcada pela forte volatilidade na taxa de câmbio, provocada pela oscilação do apetite por riscos de investidores tanto no Brasil como no exterior. Lá fora, o humor flutuou entre forte pessimismo, após uma revisão periódica nos números do mercado de trabalho nos EUA reduzir em 818 mil o número de empregados, e forte otimismo, após a ata da última decisão do Federal Reserve e um discurso de seu presidente, Jerome Powell, sinalizarem claramente para um corte de juros em setembro. No Brasil, falas ambíguas de autoridades do Banco Central sobre a trajetória da taxa básica de juros (Selic) gerou uma percepção de desalinhamento entre seus integrantes e estimulou uma postura mais cautelosa dos agentes de mercado financeiro.
O dólar negociado no mercado interbancário terminou a semana em baixa, encerrando a sessão desta sexta-feira (23) cotado a R$ 5,4795, variação de +0,2% na semana, -3,1% no mês e de +12,9% no ano. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 102,67 pontos, recuo semanal de 1,8%, mensal de 3,3% e anual de 0,7%.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
O MAIS IMPORTANTE: Inflação nos EUA
Impacto esperado no USDBRL: baixista
O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de julho nos EUA deve apresentar um desempenho similar ao Índice de Preços ao Consumidor (CPI), com alta mensal de 0,2% tanto no indicador cheio como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia. Tal leitura é compatível com uma interpretação de “pouso suave” da economia, com moderação gradual e consistente da inflação juntamente com uma desaceleração leve da atividade produtiva e do mercado de trabalho. Na semana passada, investidores consolidaram apostas de um ciclo rápido de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), esperando oito reduções (-2,00 p.p.) em oito encontros, após sinalizações claras de que o Fed deve realizar um corte na sua próxima decisão, em setembro, tanto na ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) quanto no discurso de seu presidente, Jerome Powell, no Simpósio Econômico de Jackson Hole. Assim, se as estimativas se confirmarem, a leitura do PCE deve reforçar a perspectiva de diminuição dos juros americanos e contribuir para um enfraquecimento global de sua moeda.
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – 23 de agosto de 2024

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
Comunicação do Banco Central
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Na semana passada, a taxa de câmbio do par real/dólar oscilou amplamente, com uma cotação mínima intradiária de R$ 5,3780 e máxima de R$ 5,5956, oscilação impulsionada em grande parte por uma percepção de desalinhamento e ambiguidade nas declarações de integrantes do Banco Central do Brasil, que, por sua vez, acabou por aumentar as incertezas dos investidores e resultou em uma elevação na percepção de riscos de ativos brasileiros. Há duas semanas, falas mais firmes do diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, ajudaram a fortalecer o real ao ressaltar o “desconforto” com a elevação das expectativas de inflação e juros no Brasil, sugerindo aos investidores uma possível alta na taxa básica de juros (Selic) no curto prazo. Na semana passada, porém, houve movimento contrário após o presidente do BC, Roberto Campos Neto, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, e do próprio Galípolo sugerirem maior dúvida para a trajetória da Selic, indicando uma leitura menos “desconfortável”. Campos Neto, por exemplo, afirmou que “há opiniões divergentes no grupo [Comitê de Política Monetária] sobre balanço de riscos” e que “os economistas não estão prevendo alta [de juros] para este ano, mas o mercado sim. É importante ter calma, ter cautela nos momentos de muita volatilidade”. A percepção de desalinhamento e ambiguidade nas declarações dos membros do Copom. Dessa forma, a comunicação dos integrantes da instituição, em especial a de seu presidente em eventos na quarta (28) e sexta (30), serão cruciais para tentar realinhar as expectativas dos investidores quanto à trajetória da Selic e, assim, conter a perda de credibilidade da política monetária e reduzir a exigência de prêmios de riscos para ativos nacionais.
Inflação no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista
Em uma semana repleta de indicadores domésticos, cabe destaque à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de agosto, que deve ter desacelerado sua alta de 0,30% em julho para 0,20% este mês. O índice deve mostrar uma queda nos preços de alimentos e energia elétrica se contrapondo a uma alta nos combustíveis. Caso a previsão se confirme, o aumento acumulado em 12 meses deve se reduzir de 4,45% para 4,36%, aliviando suavemente temores de um retorno de pressões inflacionárias no país.
Política fiscal brasileira
Impacto esperado no USDBRL: altista
Nesta semana, a condução da política fiscal também volta ao foco por conta do fim do prazo para o Executivo enviar ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025, na sexta-feira (30). O envio do projeto e entrevista coletiva da equipe econômica do Planalto estão previstos para esse dia. Vale lembrar que a firme deterioração da credibilidade das políticas fiscal e monetária brasileiras teve início em 15 de abril, quando, ao enviar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o governo federal flexibilizou as metas propostas para os anos entre 2025 e 2027. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo vai encaminhar projetos para elevar a tributação do Juros sobre Capital Próprio (JCP) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em conjunto ao PLOA. As duas medidas não foram aceitas pelo Senado Federal para compensação da desoneração da folha de pagamentos neste ano, mas, segundo o ministro, podem ser necessárias para 2025 e, por isso, serão previstas na peça orçamentária. Além do envio do Orçamento previsto para o próximo ano, a semana contará com as estatísticas fiscais consolidadas para julho, detalhando-se receitas, despesas e dívida pública nesse mês.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS






