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Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Panorama de câmbio: principais eventos da semana

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Dólar deve refletir ata do Copom, RTI, IPCA-15 e PCE
  • Fatores baixistas
  • Ata do Copom, Relatório Trimestral de Inflação e IPCA-15 devem reforçar a expectativa de aumento do diferencial de juros brasileiro e contribuindo na atração de capitais estrangeiros, fortalecendo o real.
  • Alta moderada do PCE de agosto deve manter o otimismo de investidores elevado e reforçar apostas de cortes de juros mais rápidos pelo Federal Reserve, favorecendo o apetite global por ativos arriscados e fortalecendo o real.
  • Fatores altistas
  •  

Resumo da semana passada

A semana foi marcada pelas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central do Brasil (BC). Nos EUA, o Fed optou por um começo mais veloz para sua flexibilização monetária, cortando seu juros em 0,50 p.p., enquanto o BC adotou um tom firme e elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p. A perspectiva de ampliação do diferencial de juros brasileiro ante aos EUA levou a um fortalecimento do real.

O dólar negociado no mercado interbancário terminou a semana em queda, encerrando a sessão desta sexta-feira (20) cotado a R$ 5,5210, variação de -0,8% na semana, -2,0% no mês e de +13,8% no ano. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 100,7 pontos, recuo semanal de 0,4%, mensal de 0,9% e anual de 0,6%.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)image 100967

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

O MAIS IMPORTANTE: Dados econômicos e expectativa para juros no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: baixista

A semana será carregada de indicadores e eventos relevantes para investidores calibrarem suas expectativa para a trajetória da taxa básica de juros (Selic). Além das estimativas atualizadas do boletim Focus para as principais variáveis macroeconômicas brasileiras, na segunda, o Banco Central (BC) irá divulgar a ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) da última semana na terça-feira (24). A curva futura de juros (DI) passou a precificar mais altas para a Selic após o Copom adotar um tom mais forte quanto à necessidade de uma política monetária mais restritiva para lidar com o balanço de riscos inflacionários assimétrico e com viés de alta, bem como projetar uma inflação mais elevada até 2026. No comunicado da decisão, o Copom avaliou que “o cenário, marcado por resiliência na atividade, pressões no mercado de trabalho, hiato do produto positivo, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas, demanda uma política monetária mais contracionista”. Por isso, a ata pode reforçar essa perspectiva de elevações para a taxa básica de juros ao fornecer maior detalhamento sobre a avaliação dos integrantes do BC sobre o balanço de riscos e orientar como o Copom pode decidir em suas próximas reuniões.

Na quarta-feira (25), haverá a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que deve se acelerar de 0,19% em agosto para cerca de 0,25% em setembro, impulsionada pelo retorno da bandeira tarifária vermelha para a energia elétrica e pelo arrefecimento da deflação de alimentos. Adicionalmente, o Banco Central publicará, na quinta-feira (26), o Relatório Trimestral de Inflação, o documento mais completo da instituição de análise do ambiente macroeconômico nacional e externo e com projeções para as principais variáveis para os próximos anos. A publicação será seguida de entrevista coletiva do presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, e do diretor de política econômica, Diogo Guillen. Já na sexta-feira (26), haverá a divulgação de números para o mercado de trabalho brasileiro, que deve manter sua tendência de fortalecimento recente.

De maneira geral, espera-se que tais eventos e publicações reforcem a percepção de que o balanço de riscos inflacionários no Brasil está assimétrico e com viés de alta e que, por consequência, o Banco Central deve repetir novas altas para a taxa básica de juros em suas próximas decisões de política monetária. Como resultado, a expectativa de novas altas para a Selic ao mesmo tempo em que são antecipadas novas baixas de juros pelo Federal Reserve deve ampliar a perspectiva de diferencial de juros brasileiro, tornando os títulos domésticos mais rentáveis e contribuindo na atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real.

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – Focus 13 de setembro de 2024

image 100968Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.   Refere-se à mediana das estimativas apontada pelo boletim Focus na data indicada.

 

PCE e expectativa para juros nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: baixista

A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) de iniciar seu ciclo de flexibilização monetária com um corte de 0,50 p.p. surpreendeu boa parte dos especialistas, visto que não estava totalmente precificada. Conforme mencionado no Panorama Semanal de Câmbio da semana passada, uma redução de 0,25 p.p. parecia mais coerente com a postura cautelosa adotada pelo Comitê ao longo do ano e alinhada aos indicadores mais recentes para a economia americana, que, embora ambíguos, de maneira geral parecem indicar que a economia americana desacelera de maneira gradativa, e não de maneira brusca e intensa. Essa percepção é reforçada pelas Projeções Econômicas Sumarizadas do FOMC, que aponta para um cenário de “pouso suave” da economia, estimando, em sua mediana, que o núcleo do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) deve suavizar gradualmente de 2,6% em 2024 a 2,0% em 2026, meta anual buscada pelo Fed, enquanto a economia americana manteria um crescimento de 2,0% anuais entre 2024 e 2026 e a taxa de desemprego recuaria de 4,4% para 4,2% no período. Em função dessas projeções, os membros do Comitê antecipam, em sua mediana, redução nos juros de 0,50 p.p. em 2024 (dois cortes em duas decisões) e de mais 1,00 p.p. em 2025 (quatro cortes em oito decisões).

Dessa forma, ao decidir por uma redução de 50 pontos-base, investidores interpretaram que o FOMC sinalizou que está muito mais preocupado com o enfraquecimento do mercado de trabalho do que com a resiliência inflacionária, e que as exigências para cortes de juros mais velozes parecem ser menores do que se antecipava. Nesse sentido, a decisão pode ser interpretada como um reconhecimento pelo Federal Reserve de que estava atrasado em sua condução da política monetária e que já deveria ter iniciado sua flexibilização monetária na decisão anterior, em julho. O presidente do Fed, Jerome Powell, se esforçou para conter as expectativas de investidores de que os juros americanos possam cair rapidamente a partir daqui, afirmando que o banco central estadunidense não está atrasado na condução de sua política monetária nem possui pressa em realizar novos cortes e que a decisão de quarta (18) não deve servir de sinalização para decisões futuras. Porém, investidores continuam apostando que o Comitê repetirá mais uma decisão de 0,50 p.p. na sua decisão de novembro.

Assim, a leitura para o índice PCE de agosto deve ter uma importância amenizada em relação a meses anteriores em termos de influenciar as expectativas para a trajetória dos juros americanos. De toda forma, estima-se uma alta de 0,2% tanto no indicador cheio como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, leitura branda e compatível com a percepção de estabilização gradativa de preços nos EUA.

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – 20 de setembro de 2024

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.  Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Expectativa média para a taxa federal de juros dos Estados Unidos ao final de 2024

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à média, ponderada pelas probabilidades, das apostas no mercado futuro de juros nas datas indicada.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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