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Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Panorama de câmbio: principais eventos da semana

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Dólar deve refletir postura flexível de Trump, ata do FOMC, negociações entre Rússia e Ucrânia e IBC-Br no Brasil
  • Fatores baixistas
  • Percepção de uma postura mais flexível de Donald Trump em relação às tarifas de importação favorece o apetite global por ativos arriscados, o que tende a enfraquecer o dólar globalmente.
  • Eventuais avanços nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia pode contribuir para uma redução na percepção de riscos geopolíticos, o que tende a enfraquecer o dólar globalmente.
  • Fatores altistas
  • Ata do FOMC deve reforçar postura cautelosa e reforçar expectativas de que os juros americanos se manterão mais altos por mais tempo, fortalecendo o dólar globalmente.
  • IBC-Br deve apontar para desaceleração da economia brasileira em dezembro, o que pode resultar em altas mais moderadas para a taxa básica de juros (Selic) e contribuir para o enfraquecimento do real.

 

Resumo da semana passada

A semana foi marcada pela percepção de uma postura mais maleável e disposta à negociação de Donald Trump em relação às tarifas de importação, após o presidente americano propor tarifas sobre aço e alumínio apenas para março e “tarifas de reciprocidade” apenas para abril.

A taxa de câmbio do real terminou a sessão desta sexta-feira (14) cotada a 5,6974, recuo semanal de 1,6%, mensal de 2,4% e anual de 7,8%. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 106,7 pontos, variação de -1,2% na semana, de -1,6% no mês e de -1,3% no ano.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

O MAIS IMPORTANTE: Incerteza sobre barreiras tarifárias nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Na semana passada, o dólar se enfraqueceu amplamente frente às outras divisas por conta de uma percepção de que o presidente dos EUA, Donald Trump, está apresentando uma postura mais maleável e mais aberta à negociação do que o antecipado em relação à imposição de tarifas de importação sobre outras economias. Primeiramente, porque nenhuma sobretaxa de importação foi imposta até o momento com exceção das importações de produtos chineses, cujo imposto aumentou em 10%. As tarifas propostas sobre a Colômbia foram suspensas indefinidamente, as propostas sobre Canadá e México estão suspensas até 01 de março, as propostas sobre aço e alumínio estão previstas para 12 de março e as chamadas “tarifas de reciprocidade” não entrarão em vigor antes de 01 de abril. Adicionalmente, há uma leitura de que Trump tem utilizado as ameaças de tarifas não apenas com o objetivo de reduzir o déficit comercial dos EUA ou de atrair fábricas estrangeiras para produzir em solo americano, como, também, para obter concessões em outros temas prioritários como imigração e segurança nacional.

Como consequência, investidores acreditam que muitos países podem negociar com os Estados Unidos para atenuar ou anular o aumento de impostos de importações às suas exportações, diminuindo parte dos ganhos acumulados pela moeda americana desde outubro, motivado, entre outros fatores, pela expectativa dos efeitos de uma postura agressiva de defesa comercial pelos Estados Unidos, como um possível impulso inflacionário no país em função do encarecimento das importações e um possível prejuízo ao crescimento econômico das demais economias. Evidentemente, é provável que o governo americano aplique novas barreiras comerciais a outras economias ou setores nos próximos meses, visto que seu presidente menciona o tema quase diariamente e já propôs diversas sobretaxas, ainda que com um prazo mais longo para implantação. Porém, a percepção de uma postura mais moderada de Trump deve continuar prejudicando o desempenho global do dólar no curto prazo.

 

Ata do FOMC

Impacto esperado no USDBRL: altista

Em uma semana mais fraca de indicadores econômicos nos EUA, cabe destaque à divulgação da ata da última decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), que interrompeu uma sequência de cortes à sua taxa de juros, mantendo-a inalterada no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. O documento deve reforçar a postura cautelosa do Comitê em sua decisão, argumentando que não há pressa para novas reduções nos juros visto que os riscos de um enfraquecimento do mercado de trabalho e os riscos de uma inflação mais resiliente estão mais equilibrados. Além disso, as leituras ambíguas para os indicadores econômicos recentes favorecem uma postura mais paciente pelo Fed, que deve observar a evolução de indicadores de emprego, produção e preços nos próximos meses para acumular informações sobre a conjuntura do país. Dessa forma, a expectativa é de que o FOMC evite sinalizar seus próximos passos e reforce apostas de investidores de que os juros americanos se manterão em patamar mais elevado por mais tempo, o que favorece os rendimentos dos títulos denominados em dólar e tende a fortalecer a moeda globalmente.

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – 14 de fevereiro de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.  Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

 

IBC-Br

Impacto esperado no USDBRL: altista

No Brasil, o principal destaque econômico da semana deve ser a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de dezembro, cujas estimativas indicam relativa estabilidade frente ao mês anterior após avanço de 0,1% em novembro. Considerado uma prévia mensal do Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br deve oferecer novos sinais para a avaliação do desempenho da economia brasileira, sobretudo após a divulgação de resultados abaixo do esperado nos indicadores dos setores de varejo e serviços. A avaliação da resiliência econômica brasileira torna-se particularmente relevante após a inclusão de que há “sinais incipientes” de desaceleração da economia no comunicado da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Entretanto, na última quarta-feira (12), o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, ressaltou a necessidade de parcimônia na avaliação dessa desaceleração, lembrando a volatilidade de estatísticas de curto prazo, que "por vezes sinalizam tendências que não se confirmam". Nesse contexto, o IBC-Br configura-se como um importante termômetro para as próximas decisões do BC. Caso seus resultados corroborem a tendência de desaceleração apontada pelos indicadores recentes, devem aumentar as percepções de que de que a autoridade monetária deve adotar uma postura mais moderada em seu ciclo de elevação da taxa básica de juros (Selic), o que, por sua vez, pode contribuir para enfraquecer o real.

 

Negociações entre Rússia e Ucrânia

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Na semana passada, o anúncio de que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia telefonado aos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymir Zelensky, para iniciar negociações para um acordo de paz entre os dois países favoreceu o desempenho de ativos europeus. Embora os diálogos ainda se encontrem em estágios iniciais, eles elevaram as esperanças de investidores de que o conflito de quase três anos possa terminar, um tema que era parte das promessas de campanha de Trump. Com isso, eventuais avanços nas negociações de paz durante a semana por estes países pode contribuir para melhorar o apetite de investidores por ativos arriscados, o que favoreceria um fortalecimento do real.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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