
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Risco de calote inédito na dívida soberana americana amplia a aversão global ao risco dos agentes de mercado e estimula a busca por ativos de segurança, fortalecendo o dólar.
Dados econômicos americanos devem sugerir uma tendência geral de desaceleração econômica no país e sugerir a possibilidade de uma recessão no curto prazo, podendo aumentar a aversão aos riscos e fortalecer o dólar.
Expectativa de aprovação do projeto de lei do arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados com melhorias nas garantias de cumprimentos às metas estabelecidas pode reduzir a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiro e contribuir para o fortalecimento do real.
O dólar negociado no mercado interbancário encerrou a sessão desta sexta-feira (12) cotado a R$ 4,922, recuo semanal de 0,4%, mensal de 1,3% e anual de 6,8%. Já o dollar index fechou o pregão cotado a 102,5 pontos, variação de +1,5% na semana, de +1,1% no mês e de -0,7% no ano. A semana foi marcada pelo fortalecimento amplo da moeda americana em função de um ambiente de aversão global aos riscos, provocado, por sua vez, pela divulgação de dados econômicos abaixo do esperado para a China e pelo impasse a respeito do limite de endividamento nos Estados Unidos. Na contramão da maior parte das divisas, o real se fortaleceu ante ao dólar, impulsionado pela entrada expressiva de fluxos comerciais e pela expectativa de aperfeiçoamento do projeto do arcabouço fiscal em sua tramitação pela Câmara dos Deputados.

Impacto esperado no USDBRL: baixista
O foco da atenção dos investidores deve ser para a tramitação do projeto de lei do arcabouço fiscal (PLP 93/23) na Câmara dos Deputados. Embora prometido para a semana passada, o relator do projeto na Câmara, deputado Cláudio Cajado (PP-BA), adiou a apresentação do seu relatório para esta semana após negociar com líderes de partidos, representantes do Palácio do Planalto e com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), modificações ao texto legislativo, em especial no que diz respeito a medidas para garantir o cumprimento das metas estabelecidas pelo marco fiscal. Segundo Cajado, há consenso de que as medidas punitivas em caso de descumprimento da meta devem ser “em cima da gestão”, e não do gestor. “Estou avaliando a melhor forma de tratarmos essa situação específica dos gatilhos”, comentou. Ainda assim, em comentários a repórteres, ele afirmou que a votação não deve atrasar e deve ocorrer nesta semana, pois o texto do projeto já estaria “maduro”. Caso, de fato, estas mudanças ao texto se confirmem e o projeto seja aprovado, a percepção de riscos fiscais a ativos brasileiros devem se reduzir e favorecer um fortalecimento do real.
Impacto esperado no USDBRL: altista
Outro ponto de atenção que tem provocado cautela e aversão ao risco nos mercados de ativos globais é a necessidade da prorrogação do limite de endividamento público nos Estados Unidos, a possibilidade de um inédito calote nos títulos de dívida do Tesouro americano e o (lento) ritmo de progresso nas negociações entre Democratas e Republicanos. Parte da dificuldade para haver um acordo está na indefinição da “data x”, o dia em que efetivamente o governo estadunidense ficaria sem recursos para saldar seus compromissos. De acordo com a secretária do Tesouro do país, Janet Yellen, tal evento pode ocorrer “tão logo quanto primeiro de junho”, e Yellen tem alertado, repetidamente, que não existe alternativa razoável para o problema que não seja suspender ou elevar o limite de endividamento do país, e que um calote seria “uma catástrofe econômica e financeira”.
Após as eleições legislativas de novembro, os Democratas, partido do presidente Joe Biden, conseguiram manter a maioria no Senado, porém perderam o controle da Câmara para os Republicanos. Em um contexto de aprofundamento da polarização política no país, ambos os partidos permanecem em um impasse há semanas, visto que os Republicanos estão buscando extrair concessões políticas dos Democratas ao condicionar que programas estratégicos da agenda do presidente sejam abandonados para que a Câmara aprove o novo limite de endividamento público – algo que os Democratas consideram inaceitável. Desta forma, o spread dos contratos de Credit Default Swap (CDS) para os títulos do Tesouro americano – em teoria, entre os mais seguros do mundo – estão em seu maior patamar histórico. Ou seja, revelam que quem aceita garantir os títulos do Tesouro americano está exigindo prêmios elevados em função da crescente probabilidade de um default (calote). Na última sexta-feira (12), exigia-se um pagamento de 1,77% do valor do título a cada ano como prêmio pelo CDS.
O limite de endividamento é uma lei estabelecida em 1917 que estabelece o máximo que o Departamento do Tesouro americano pode emitir de dívidas para pagar suas despesas. Segundo esse Departamento, desde 1960, o Congresso autorizou em 80 ocasiões a elevação ou a suspensão temporária do limite da dívida. A última elevação do limite de endividamento veio em dezembro de 2021, e ela prorrogou a capacidade de financiamento estadunidense até janeiro de 2023.

Impacto esperado no USDBRL: altista
Após a leitura moderada para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano em abril, a semana trará indicadores voltados para a mensuração da atividade econômica no país, como as vendas do varejo de abril, a produção industrial de abril e alguns índices locais de atividade para maio, calculado por agências regionais do Federal Reserve. A tendência geral para a economia americana tem sido de enfraquecimento, especialmente para a atividade industrial. Dados de alta frequência para vendas de cartão de crédito sugerem que as vendas do varejo podem até ter leve alta, porém não o suficiente para contrabalançar as perspectivas mais pessimistas para o ano. Dado o contexto mais amplo de aversão ao risco, em função do impasse relacionado ao teto da dívida americana, estes dados mais fracos devem favorecer um fortalecimento da moeda americana por sugerirem a possibilidade de uma recessão econômica no país no curto prazo.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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