- Dados econômicos na China devem reforçar a percepção de que a demanda no país está se desacelerando, podendo prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como o real.
- A aprovação da reforma tributária e da Lei do Carf pode melhorar a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e reforçar a percepção otimista com o ambiente de negócios do país, fortalecendo o real.
- Dado de inflação para junho no Brasil deve reforçar a percepção de que a inflação está se desacelerando e que há espaço para o Banco Central iniciar cortes à taxa básica de juros (Selic) em agosto, fortalecendo o real.
- Dado de inflação para junho nos Estados Unidos pode ajudar na interpretação de que a inflação no país está desacelerando, reforçando as apostas de que o ciclo de alta de juros pelo Fed está próximo do fim.
Resumo da semana passada
O dólar negociado no mercado interbancário encerrou a semana em alta, encerrando a sessão desta sexta-feira (07) cotado a R$ 4,865, variação de +1,6% na semana, +1,6% no mês e -7,9% no ano. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 102,0 pontos, recuo semanal de 0,6%, mensal de 0,6% e anual de 1,3%. O mercado de divisas repercutiu a dificuldade do governo em avançar com sua pauta econômica no Congresso, expondo a dificuldade de articulação do Planalto com a Câmara dos Deputados. No exterior, a moeda americana se enfraqueceu em uma semana de menor liquidez por conta de feriado nos EUA e dados para o mercado de trabalho menores que o estimado para o mês de junho.

Impacto esperado no USDBRL: baixista
Na semana passada, os ativos brasileiros experimentaram forte volatilidade por conta da dificuldade da Câmara dos Deputados em conseguir avançar com sua planejada “semana de esforço concentrado” para apreciação de temas econômicos. O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), havia programado a análise do projeto de lei sobre voto de desempate no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf (PL 2.384/2023) para a segunda-feira (03), a análise final do texto do projeto de lei complementar do arcabouço fiscal (PLP 93/2023) para a terça-feira (04) e o resto da semana para a votação em dois turnos da Proposta de Emenda à Constituição que visa à reforma tributária no país (PEC 45/2019). Contudo, em função de desentendimentos entre os parlamentares e dificuldades de articulação do governo federal, nenhum projeto conseguiu ser apreciado até quinta-feira. Na noite de quinta-feira, os deputados aprovaram, em dois turnos, a emenda constitucional da reforma tributária, e havia a previsão de aprovação da lei do Carf na sexta-feira. Já a aprovação final do arcabouço fiscal deve ficar apenas para agosto.
O impasse expôs diversos problemas na forma como se tramitou estes projetos. O texto da lei do Carf só foi disponibilizado horas antes de sua votação e incluía pontos supostamente não combinados entre os líderes de partidos e entre a equipe econômica do governo. Como este projeto estava em regime de urgência, a Constituição afirma que nenhuma outra votação poderia ocorrer antes de sua apreciação em Plenário. Contudo, sem conseguir avançar na solução deste impasse, Lira afirmou que matérias constitucionais poderiam ser votadas e prosseguiu para a votação da PEC, ameaçando uma possível contestação jurídica da sessão que aprovou a reforma tributária. Adicionalmente, o texto da reforma tributária também foi apresentado na véspera de sua votação, sem análise de impacto econômico ou fiscal de suas mudanças. Por fim, o Congresso entrará em um “recesso informal” a partir da semana que vem, embora a Constituição afirme que não pode haver recesso parlamentar de meio de ano enquanto não seja votada a Lei de Diretrizes Orçamentárias – que será apreciada somente em agosto.
De toda forma, a maior parte das análises projeta que a aprovação da reforma tributária e (possivelmente) da Lei do Carf devem contribuir para o fortalecimento do real. O primeiro, por ser uma vitória relevante para o governo federal, uma vez que o projeto pretende aumentar a competitividade fiscal do país e tem potencial para atrair investimentos estrangeiros. E o segundo, por ser uma ferramenta importante para elevar as receitas fiscais (estima-se algo R$ 50 bilhões) e ajudar no atingimento das metas de superávit primário estabelecidas no novo marco fiscal.
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Após surpreender favoravelmente no mês de maio, espera-se que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recue em junho, reforçando a interpretação de as pressões inflacionárias estão se reduzindo no país. A mediana das estimativas aponta para uma variação de -0,10% no valor mensal, acumulando alta de 3,15% em 12 meses. O dado deve contribuir para as apostas de que o Banco Central irá iniciar o seu ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) na próxima decisão, em agosto. Atualmente, o mercado futuro de juros precifica uma redução de 0,50 p.p. em agosto.
Impacto esperado no USDBRL: baixista
A divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho nos Estados Unidos deve reforçar a percepção de que o ciclo de alta de juros do Federal Reserve está próximo do fim (embora seja quase consenso que o banco central elevará a taxa em 0,25 p.p. no final de julho). A mediana das estimativas para o índice cheio é de um aumento de 0,3% no valor mensal, e de uma alta acumulada em 12 meses de 3,1%, ao passo que se espera um aumento de 0,3% no valor mensal do núcleo da inflação (que exclui componentes voláteis, como alimentação e energia), com alta acumulada em 12 meses de 5,0%. O problema inflacionário nos Estados Unidos está mais relacionado à resiliência nos preços de serviços e ao crescimento dos custos do trabalho do que aos bens industriais, cujos preços estão em queda já há alguns meses. Por isso, a queda do índice cheio tem sido mais veloz que a do núcleo da inflação, visto que os preços de energia, em particular, estão em forte queda.
Impacto esperado no USDBRL: altista
A agenda econômica da China nesta semana pode prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como commodities e moedas de países emergentes, como o Brasil. Na segunda-feira, os números de inflação no país devem se manter extremamente reduzidos, sugerindo que a recuperação da demanda no país segue abaixo do projetado. Adicionalmente, os dados de balança comercial também devem sinalizar a desaceleração da demanda global (pela queda das exportações chinesa) e da demanda interna (pela queda das importações). Há muito se especula a possibilidade de autoridades chinesas promulgarem medidas de estímulo econômico para o país, porém, até aqui, elas têm sido raras e bastante insatisfatórias.






