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Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Panorama de câmbio: principais eventos da semana

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Dólar deve refletir decisões de FOMC e Copom, tensões comerciais entre EUA e China e IPCA
  • Fatores baixistas
  • Amenização das tensões comerciais entre Estados Unidos e China pode estimular a demanda por ativos arriscados e favorecer um fortalecimento do real.
  • Alta moderada do IPCA de abril deve manter elevadas preocupações com quadro inflacionário brasileiro e aumentar apostas de novas altas para a taxa básica de juros (Selic), favorecendo o desempenho do real.
  • Fatores altistas
  • FOMC deve sinalizar que juros americanos devem permanecer estáveis por mais tempo, elevando as perspectivas de rendimento de títulos denominados em dólar e favorecendo um fortalecimento global da moeda americana.
  • Possível sinalização de uma postura mais cautelosa pelo Copom no futuro por indícios de desaceleração da economia brasileira e incertezas no cenário global podem prejudicar as perspectivas para o diferencial de juros brasileiro, enfraquecendo o real.

 

Resumo da semana passada

A semana foi marcada pela extensão do alívio nas tensões comerciais globais, com medidas pelo governo americano para suavizar os impactos das tarifas de importação sobre o segmento automotivo e uma aproximação inicial entre Estados Unidos e China elevando o otimismo de um acordo entre os dois países.

A taxa de câmbio do real encerrou a sessão desta sexta-feira (02) cotada a R$ 5,6556, recuo semanal de 0,6%, mensal de 0,4% e anual de 8,5%. Já o Dollar Index (DXY) fechou a semana cotado a 100,0 pontos, variação de +0,4% na semana, +0,5% no mês e -7,5% no ano.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

O MAIS IMPORTANTE: Decisão de juros do FOMC

Impacto esperado no USDBRL: altista

Há praticamente consenso entre analistas de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa básica de juros americana inalterada, no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. Em uma decisão largamente antecipada e sem divulgação de projeções econômicas, o foco dos investidores deve recair sobre a avaliação do cenário de riscos da autoridade monetária e possíveis pistas sobre a trajetória futura dos juros. Na última decisão, o presidente do FOMC, Jerome Powell, destacou que “a incerteza do panorâmico se elevou” e que o balanço de riscos estava mais adverso, ou seja, tanto os riscos de uma inflação mais persistente como os riscos de uma desaceleração econômica parecem ter se elevado. Contudo, os membros do Comitê continuam ressaltando a necessidade de uma postura mais cautelosa na condução da política monetária, buscando afastar qualquer leitura de urgência para novos cortes de juros e sinalizando que os juros americanos ficarão estáveis por algum tempo. Essa sinalização foi reforçada, adicionalmente, por falas recentes de Powell sugerindo que o Fed deve priorizar o objetivo de estabilidade de preços mesmo se enfrentar uma desaceleração do crescimento no país, bem como pelas leituras mais fortes que o esperado para o mercado de trabalho dos EUA em março e abril, diminuindo os temores de uma recessão econômica no país. Dessa forma, a decisão do FOMC pode diminuir as apostas de investidores para reduções dos juros americanos, o que tende a valorizar o dólar globalmente.

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 02 de maio de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

 

Tendência de amenização das tensões tarifárias entre EUA e China

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Nas últimas semanas, o recuo gradativo da Casa Branca em relação às tarifas de importação ajudou a recuperar o apetite por riscos nos mercados financeiros globais, beneficiando o desempenho de ativos arriscados, com o governo americano enfatizando o avanço nas conversas com outras nações para atingir novos acordos comerciais. Evidentemente, estes tipos de acordos são complexos e costumam demorar meses, porém investidores apostam que os Estados Unidos possam alcançar entendimentos iniciais e firmar “memorandos de entendimento” mais rapidamente, o que reforçaria a tendência de recuperação do apetite por riscos. Adicionalmente, investidores antecipam que as tensões comerciais entre Estados Unidos e China possam ser amenizadas, após o governo chinês declarar oficialmente que as conversas entre os dois países começaram. Assim, a possibilidade de avanços adicionais nas negociações entre Washington e outros países, em especial com a China, deve reforçar o otimismo entre operadores do mercado financeiro e favorecer o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.

 

Decisão de juros do Copom

Impacto esperado no USDBRL: altista

No Brasil, a maioria dos analistas projeta que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentará a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 p.p., dos atuais 14,25% para 14,75% ao ano. Na última reunião, o Comitê havia sinalizado a probabilidade de uma nova elevação na reunião marcada para a próxima quarta-feira (7), ainda que em intensidade inferior às três decisões anteriores, nas quais a Selic foi elevada em 1 ponto percentual. Nesse sentido, dado o amplo consenso sobre a magnitude da próxima alta, a atenção dos investidores se concentra nas eventuais sinalizações futuras (“forward guidance”) a respeito da condução da política monetária. No que se refere ao balanço de riscos, a expectativa é de que o comitê reforce a percepção de deterioração do quadro inflacionário, à luz de indicadores recentes, o que tende a sustentar uma postura mais restritiva por parte da autoridade monetária. Em contrapartida, espera-se que destaquem novamente a existência de indícios de desaceleração da atividade econômica, fator que pode induzir o comitê a agir com maior cautela em futuras decisões. Ademais, o comunicado pode trazer referências aos possíveis impactos do recente choque tarifário promovido pelos Estados Unidos, que deve ter repercussões negativas sobre o crescimento global e sobre os preços das commodities, com potenciais efeitos desinflacionários. Assim, mesmo diante de um novo aumento de juros, a possível sinalização de um ritmo mais lento de altas para a taxa Selic ou mesmo de finalização do ciclo de altas pode diminuir a perspectiva de ampliação do diferencial de juros brasileiro, o que pode dificultar a atração de recursos externos e, assim, contribuir para o enfraquecimento do real.

 

Inflação no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: baixista

No cenário doméstico, os investidores também direcionam suas atenções à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de abril. A projeção mediana indica uma desaceleração da inflação na comparação mensal, com alta estimada em 0,44%, inferior aos 0,56% registrados em março e aos 1,31% observados em fevereiro. Em termos anuais, contudo, a expectativa é de que a inflação acumulada em 12 meses permaneça em 5,5% acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, fixada em 4,50% ao ano. Esse cenário reforça a probabilidade de continuidade no ciclo de aperto monetário, com novas elevações da taxa Selic. A perspectiva de juros mais elevados, por sua vez, tende a aumentar a atratividade relativa dos ativos brasileiros, favorecendo a entrada de capital estrangeiro e contribuindo para a valorização do real.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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