Panorama de câmbio: principais eventos da semana
- Fatores baixistas
- Fim do prazo para “trégua” nas tarifas de importações dos EUA eleva a incerteza sobre a política comercial americana, o que pode prejudicar a atração de investimentos financeiros ao país e contribuir para o enfraquecimento global do dólar.
- Fatores altistas
- Confronto entre Executivo e Legislativo quanto ao aumento do IOF pode aumentar a percepção de riscos fiscais para ativos brasileiros e prejudicar o desempenho do real.
- Moderação do IPCA de junho pode aumentar as expectativas de um corte da taxa básica de juros (Selic) ainda este ano, o que pode prejudicar a atração de investimentos estrangeiros e enfraquecer o real.
- Ata do FOMC deve reforçar a expectativa de uma postura cautelosa do Federal Reserve, o que tende a diminuir apostas de cortes de juros este ano e favorecer a atração de investimentos financeiros no país, fortalecendo o dólar.
Resumo da semana passada
A semana foi marcada pela divulgação de dados mais fortes para o mercado de trabalho americano e pela continuidade do embate entre Executivo e Legislativo quanto ao aumento do IOF. Ainda assim, a taxa de câmbio do real se reduziu ao menor patamar desde junho do ano passado, impulsionada pelo amplo diferencial de juros brasileiro.
A taxa de câmbio do real encerrou a sessão desta sexta-feira (04) cotada a R$ 5,4245, recuo semanal de 1,1%, mensal de 0,2% e anual de 12,2%. Já o Dollar Index (DXY) fechou a semana cotado a 97,3 pontos, variação de -0,4% na semana, +0,1% no mês e -10,3% no ano.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
O MAIS IMPORTANTE: Fim do prazo da “trégua” nas tarifas de importação americanas
Impacto esperado no USDBRL: baixista
A imprevisibilidade e a incerteza quanto à política comercial americana permanecem elevada, mesmo com quase seis meses de governo de Donald Trump.
Por que isso é importante: A imprevisibilidade e a falta de consistência nas diretrizes das tarifas de importação dos EUA podem aumentar a percepção de risco entre os investidores e favorecer a saída de capitais do país, contribuindo para uma desvalorização global do dólar.
Panorama: O prazo para a redução temporária da maior parte das tarifas de importação americanas para uma alíquota de 10% se encerra nesta quarta-feira, 09 de julho.
- Cabe exceção para a China, cuja alíquota permanecerá reduzida a 30% até 12 de agosto, e para os produtos da cadeia do aço e do alumínio, cuja alíquota foi elevada a 50% em 03 de junho.
E agora? A Casa Branca tem sinalizado que vai voltar a aumentar as tarifas de importação de seus parceiros comerciais após o fim do prazo.
- Trump afirmou a repórteres que vai notificar unilateralmente todas as nações sobre suas novas alíquotas antes de 09 de julho, começando a partir da sexta-feira passada (04).
- Segundo Trump, essas alíquotas entrarão em vigor em 01 de agosto e podem variar entre 10% e 70%.
- Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que “mais ou menos” 100 países terão alíquotas de 10%.
- Mesmo com as falas das autoridades americanas, alguns analistas ainda apostam em um extensão desse prazo a fim de favorecer a negociação de acordos comerciais com outros países.
Ritmo lento: Os EUA atingiram poucos avanços no atingimento de novos acordos comerciais com outros países.
- Isto era amplamente antecipado, visto que acordos comerciais habitualmente demoram anos para serem formalizados por abrangerem uma enorme diversidade de produtos e muitos pontos de interesse para as nações.
- A Casa Branca divulgou um entendimento mais formal apenas com Reino Unido e Vietnã, porém estes acordos mantiveram tarifas de importação bastante elevadas.
- Enquanto a maior parte dos produtos britânicos continuou com uma alíquota de 10%, os produtos vietnamitas terão alíquota de 20% e de 40% no caso de reexportação.
- Adicionalmente, EUA e China negociaram termos para manter o comércio bilateral durante uma redução temporária de tarifas por 90 dias.
- Bessent, por outro lado, acredita que dezenas de novos acordos podem ser formalizados antes de 01 de setembro.
Impacto das tarifas: Embora houvesse quase consenso entre analistas de que o aumento das tarifas deveria acelerar a inflação e desacelerar o crescimento nos EUA, esses impactos se mostram quase imperceptíveis nos indicadores disponíveis até o momento.
- Não há explicação simples para essa contradição: enquanto alguns entendem que os impactos podem ter sido superestimados inicialmente, outros acreditam que eles ainda vão se manifestar, embora mais tarde que o esperado.
Em resumo: O ambiente de incerteza sobre as tarifas americanas e a possibilidade de uma nova elevação generalizadas das alíquotas após 09 de julho deve reforçar a tendência de desvalorização global do dólar, o que tende a favorecer o desempenho de outras moedas, como o real.
Judicialização dos decretos do IOF e reunião entre governo e Congresso
Impacto esperado no USDBRL: altista
Na semana passada, o governo entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Congresso que derrubou o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
- Na sexta-feira (04), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu por suspender todas as decisões, tanto do Executivo quanto do Legislativo.
Por que isso é importante: O embate prolongado entre o executivo e legislativo sobre o tópico, agora com envolvimento do Judiciário, aumenta as incertezas quanto ao atingimento das metas fiscais, ao dificultar um aumento de receitas para o governo.
- Adicionalmente, revela que a capacidade de articulação política do governo está prejudicada, o que pode prejudicar o avanço de outras pautas prioritárias do Palácio do Planalto no Congresso.
Panorama: A equipe econômica do governo argumenta que a aprovação pelo Congresso do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 314/2025, que anulou o aumento das alíquotas do IOF, extrapolou os limites constitucionais.
- Segundo esse argumento, a Constituição reserva ao âmbito federal o direito de instituir impostos sobre “operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários”.
E agora? A decisão do Moraes considerou "indesejável" o contexto atual, sobretudo por contrariar a Constituição, que prega a harmonia e independência dos Poderes.
- Por isso, agendou para o dia 15 de julho uma reunião de conciliação entre o Poder Executivo, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o Poder Legislativo, sob a liderança do senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Em resumo: A incerteza sobre as alíquotas do IOF e o impasse entre os três poderes podem aumentar a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e contribuir para um enfraquecimento do real.
Inflação e dados de atividade econômica no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista
Investidores direcionam suas atenções à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de junho, bem como para as pesquisas mensais de serviços (PMS) e de comércio (PMC) de maio.
Por que isso é importante: Tanto a divulgação do IPCA quanto os dados de atividade econômica ao longo da semana podem influenciar as expectativas em relação à trajetória dos juros brasileiros, o que pode impactar o desempenho do real.
Panorama geral: A expectativa mediana para o IPCA é de que o índice tenha desacelerado em junho, com projeção mediana de alta de 0,25%, após avanço de 0,26% em maio.
- Ainda assim, esse resultado manteria a inflação acumulada em 12 meses em 5,33%, acima do teto da meta de 4,50% ao ano estabelecida pelo Banco Central.
- Ao mesmo tempo, os indicadores de atividade econômica mais recentes, à exemplo do PIB do primeiro trimestre de 2025, têm mostrado um desempenho robusto da economia, o que, por sua vez, pode elevar as pressões inflacionárias.
- Dessa forma, conforme destacado na ata da última reunião do BC, os dados dessa semana deverão ajudar na avaliação dos “impactos acumulados do ajuste monetário já realizado, ainda por serem observados, (...) [ e se são] suficiente[s] para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Em resumo: Caso confirmada a maior moderação no ritmo da inflação, ela deve aumentar as apostas de que o BC pode reduzir a taxa básica de juros (Selic) antes que o imaginado, o que tende a prejudicar o desempenho dos títulos brasileiros e desvalorizar o real.
- Por outro lado, caso a desaceleração do IPCA não se confirme e os dados de atividade econômica permaneçam aquecidos, o efeito pode ser o contrário, com a renovação da expectativa de juros mais altos por mais tempo e fortalecimento da moeda brasileira.
Ata do FOMC
Impacto esperado no USDBRL: altista
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 04 de julho de 2025

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
Investidores devem acompanhar a divulgação da ata da última decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve.
- O documento deve reforçar o tom cauteloso da autoridade monetária em sua decisão, quando manteve sua taxa de juros inalterada entre 4,25% e 4,50% a.a. pela quarta decisão consecutiva.
Por que isso é importante: A postura cautelosa do Fed deve aumentar apostas de que os juros americanos se manterão estáveis por um período mais longo, o que favorece o rendimento de títulos do país e contribui para um fortalecimento global do dólar.
Panorama: No comunicado da decisão, o Comitê reiterou que seus integrantes desejam aguardar pela evolução de dados econômicos para ter maior clareza sobre o panorama econômico.
- O comunicado destacou, também, que as incertezas econômicas se reduziram desde a decisão de maio, porém permanecem bastante elevadas.
- A mediana das Projeções Econômicas Sumarizadas do FOMC para inflação em 2025 subiu de 2,7% para 3,0%, enquanto a mediana para o para o Produto Interno Bruto caiu de 1,7% para 1,4%. Essas alterações são um reflexo dos efeitos esperados pelas tarifas de importação, esperadas para o terceiro trimestre.
- Ainda assim, a mediana das projeções continuou apontando para dois cortes de juros este ano.
- Comentando a aparente contradição, o presidente do Fed, Jerome Powell, minimizou a importância de projeções feitas em momentos tão incertos.
Contexto: Na semana passada, a divulgação de dados mais fortes que o esperado para o mercado de trabalho americano diminuiu as apostas para cortes de juros pelo Federal Reserve, especialmente em sua próxima decisão, em julho.
- O Relatório da Situação do Emprego de junho mostrou um aumento líquido de 147 mil empregos, acima da projeção mediana de 111 mil novas vagas e praticamente igual ao saldo de 144 mil empregos de maio.
- A taxa de desemprego também surpreendeu, ao cair para de 4,2% para 4,1%no período.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





