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Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Panorama de câmbio: principais eventos da semana

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Dólar deve refletir ameaças de tarifas americanas, impasse do IOF e inflação nos EUA
  • Fatores baixistas
  • Ceticismo de investidores quanto à magnitude e à duração das tarifas anunciadas pela Casa Branca pode impulsionar a demanda por ativos arriscados, favorecendo o real.
    Inflação moderada e sem impacto das tarifas nos Estados Unidos pode aumentar as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve e prejudicar a atração de investimentos financeiros no país, enfraquecendo o dólar.
  • Fatores altistas
  • Endurecimento da postura comercial americana pode resultar em maior aversão global ao risco, o que tende a desvalorizar o real.
  • Ameaça de tarifas americanas de 50% sobre o Brasil pode aumentar a percepção de riscos para ativos brasileiros e prejudicar o desempenho do real.
  • Confronto entre Executivo e Legislativo quanto ao aumento do IOF pode aumentar a percepção de riscos fiscais para ativos brasileiros e prejudicar o desempenho do real.

 

Resumo da semana passada

•    A Casa Branca voltou a anunciar tarifas para 23 parceiros comerciais e sobre as importações de cobre.
•    As alíquotas variaram entre 20% e 50% e entram em vigor em 01 de agosto.
•    O Brasil recebeu inesperadamente a maior alíquota, de 50%, o que diminuiu a perspectiva de exportações do país e aumentou a percepção de riscos para ativos nacionais, desvalorizando o real.
•    Entretanto, as reações dos mercados financeiros foram discretas, sugerindo que investidores acreditam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteja blefando ao ameaçar tarifas mais elevadas.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Dólar comercial | No dia: +0,11% | Na semana: +2,28% | No mês: +2,08% | No ano: -10,19% | Em 12 meses: +1,95% |
DXY | No dia: +0,29% | Na semana: +0,91% | No mês: +1,06% | No ano: -9,48% | Em 12 meses: -6,28% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Ameaça de tarifas de 50% sobre o Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

Exportações, importações e saldo comercial do Brasil com os Estados Unidos (US$ bi)

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Fonte: Comexstat. Elaboração: StoneX.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

 

Por que isso é importante: Tarifas dessa magnitude podem prejudicar severamente as exportações brasileiras, visto que os EUA são, atualmente, o segundo maior destinos das exportações nacionais. Isto representaria uma redução na entrada de moeda estrangeira, o que tende a desvalorizar o real.

  • Adicionalmente, a decisão eleva a imprevisibilidade e a percepção de riscos para investimentos em ativos brasileiros, o que afasta investimentos estrangeiros e, igualmente, tende a desvalorizar o real.

 

Punindo o Brasil: Dentre as tarifas anunciadas para agosto, a maior delas foi para o Brasil, em 50%.

  • Trump atribuiu sua decisão aos processos judiciais “injustos” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, às “ordens [judiciais] de censura secretas e ilegais às plataformas de mídia social dos EUA” e por “ataques contínuos aos negócios digitais de empresas americanas”.
  • O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, disse que o Brasil vai equiparar qualquer aumento unilateral de tarifas com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada há três meses.
  • A taxação americana é desproporcional e difícil de justificar, visto que os Estados Unidos registram superávit comercial com o Brasil desde 2008.

 

E agora? Fica difícil imaginar uma diminuição nas tensões entre os dois países no curto prazo.

  • Ao enfatizar questões políticas e jurídicas nacionais, Trump dificulta uma solução comercial para o tema.
  • Lula, por sua vez, mostrou-se disposto ao embate ao sugerir que o Brasil vai retaliar a tarifação, o que pode afastar os americanos de uma negociação diplomática.
  • Embora improvável, essas tensões podem ser reduzidas caso Brasil e Estados Unidos consigam retomar o diálogo, o que favoreceria um fortalecimento do real.

 

Nova escalada das tensões comerciais americanas

Impacto esperado no USDBRL: altista

Tarifas de importação americanas por data de anúncio (%)

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Fonte: Casa Branca. Elaboração: StoneX.

Donald Trump voltou a aumentar as tensões comerciais ao anunciar de forma unilateral tarifas de importação mais elevadas para 23 países, bem como para importações de cobre.

  • As alíquotas variaram entre 20% e 50% e entram em vigor em 01 de agosto.
  • Porém, de maneira geral, os mercados financeiros apresentaram movimentos contidos, o que sugere que investidores permanecem céticos quanto à possibilidade de a Casa Branca elevar drasticamente suas tarifas de importação por tempo considerável.

 

Por que isso é importante: Em tese, o endurecimento da postura comercial dos EUA tende a alimentar receios de uma desaceleração mais intensa tanto da economia global quanto da americana, o que, por sua vez, estimula a busca por ativos considerados “portos seguros” para momentos de estresse e tende a desvalorizar o real.

  • Já a interpretação de que as ameaças de Trump não possuem credibilidade pode atuar no sentido contrário e impulsionar o desempenho de ativos arriscados, como o real.

 

Endurecendo as ameaças: Em tese, as alíquotas das tarifas de importação deveriam ter retornado aos valores anunciados em 02 de abril na quinta-feira passada (10).

  • Porém, Trump estendeu o prazo para uma redução temporária de quase todas as tarifas a 10% até o final de julho e voltou a anunciar novas alíquotas para um conjunto de países, sem explicar como se chegou aos novos valores.
  • O presidente americano descartou a possibilidade de uma nova prorrogação do prazo de redução temporária das tarifas, e alertou que aumentará as alíquotas dos países que imponham tarifas sobre produtos americanos como retaliação.
  • Adicionalmente, o presidente americano anunciou uma tarifa de importação de 50% sobre o cobre, também a partir de 01 de agosto.

 

O menino que gritava “lobo”: Entretanto, as reações dos mercados financeiros têm sido discretas, sugerindo que investidores acreditam que o presidente dos Estados Unidos esteja blefando ao ameaçar tarifas mais elevadas, utilizando o tema como instrumento de negociação para pressionar outros países a fecharem acordos comerciais.

  • Essa interpretação é resultado da postura inconsistente da Casa Branca, que já ameaçou, aplicou e recuou na aplicação de tarifas de importação em diversas ocasiões.
  • As novas alíquotas para os países representam, na prática, mais um recuo, visto que o aumento das tarifas foi prorrogado de 10 de julho para 01 de agosto.
  • É importante ressaltar, porém, que essa interpretação representa uma aposta dos investidores, e não há garantias que a Casa Branca não pretenda endurecer sua postura comercial significativamente por um prazo mais longo.

 

Judicialização dos decretos do IOF e reunião entre governo e Congresso

Impacto esperado no USDBRL: altista

Nesta terça-feira (15), representantes da Presidência da República, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal participam de audiência para conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar do embate a respeito do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

  • Em 04 de julho, o ministro do STF Alexandre de Moraes suspendeu tanto os decretos do governo que aumentavam as alíquotas do IOF quanto o decreto parlamentar que anulou esses aumentos.

 

Por que isso é importante: O embate prolongado entre Executivo e Legislativo sobre o tema aumenta as incertezas quanto à condução da política fiscal e resulta em maior percepção de riscos para ativos brasileiros, o que tende a desvalorizar o real.

  • Por outro lado, a possibilidade de uma solução negociada entre os Poderes pode gerar efeito contrário e favorecer o desempenho do real.

 

Panorama: Após a suspensão dos decretos por Moraes, representantes do Executivo e do Legislativo retomaram o diálogo na terça-feira passada (08), porém não chegaram a um consenso.

  • Se, por um lado, a judicialização do tema pelo Palácio do Planalto melhorou suas condições de negociação junto ao Congresso, a manobra também arrisca agravar o descontentamento de parlamentares e reduzir ainda mais a capacidade de articulação política do governo.

 

Contexto: A tentativa de aumentar a arrecadação federal por meio da elevação do IOF provocou desgaste do governo federal, que observou forte resistência de setores produtivos e de parlamentares.

  • A tentativa de uma solução negociada junto aos líderes partidários não obteve sucesso, e o Congresso decidiu anular os aumentos e impor uma derrota ao Executivo.
  • Na sequência, o governo recorreu ao Judiciário para tentar reverter a decisão do Legislativo.

 

Em resumo: A incerteza sobre as alíquotas do IOF e o impasse entre os três poderes podem aumentar a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e contribuir para um enfraquecimento do real.

 

Inflação nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Receita alfandegária mensal dos Estados Unidos (US$ bilhões)

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Fonte: U.S. Treasury Fiscal Data. Elaboração: StoneX.

Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) de junho devem acelerar levemente em junho, porém sem apresentar indícios de impactos significativos das tarifas de importação.

 

Por que isso é importante: A expectativa de uma inflação moderada tanto para o consumidor como para o produtor americano deve reforçar a percepção de que os impactos das tarifas recentemente implementadas pela Casa Branca têm sido limitados sobre os preços domésticos.

  • Esse cenário, por sua vez, tende a fortalecer apostas de possíveis novos cortes de juros pelo Federal Reserve e a contribuir para uma desvalorização global do dólar.

 

Expectativa: A mediana das projeções aponta para uma aceleração mensal do CPI, de 0,1% em maio para 0,3% em junho tanto no índice cheio quanto em seu núcleo, que exclui os itens mais voláteis de alimentação e energia.

  • Para o PPI, as estimativas também apontam leve aceleração, com avanço de 0,2% no mês tanto no índice cheio quanto no núcleo, após alta de 0,1% no mês anterior.

 

Panorama: Os dados ganham relevância adicional por ocorrerem após o “choque tarifário” imposto pelo governo americano em abril.

  • Embora houvesse quase consenso entre analistas de que o aumento das tarifas deveria acelerar a inflação e desacelerar o crescimento nos EUA, esses impactos se mostram tímidos nos indicadores disponíveis até o momento.
  • Tal leitura tende a se consolidar especialmente caso o PPI não revele pressões significativas nos preços de bens industriais, sobretudo os mais expostos ao comércio internacional.
  • Em paralelo, os dados mais recentes divulgados pelo governo americano revelam uma aceleração nas receitas alfandegárias, indicando que as tarifas já repercutem sobre os custos de importação.
  • Nesse sentido, outros indicadores econômicos americanos divulgados ao longo da semana também devem desempenhar função de termômetro importante para investidores, com destaque para os dados de vendas no varejo de junho.

 

Como explicar? A aparente contradição entre o rápido crescimento das receitas alfandegárias e dos impactos modestos sobre a inflação ainda intriga analistas.

  • Uma possibilidade é que as empresas americanas estejam limitando os repasses dos custos mais altos de importação, comprimindo suas margens.
  • É possível, também, que os exportadores estrangeiros tenham aceitado diminuir seus preços para sustentar suas vendas, comprimindo suas margens.
  • É possível, ainda, que as empresas americanas tenham antecipado importações e ampliado estoques antes da adoção das tarifas, e que seus custos de estoques totais ainda não tenham se elevado significativamente.
  • Considera-se, inclusive, a possibilidade que as projeções de impactos das tarifas nos preços finais dos produtos tenham sido superestimadas.

 

Em resumo: Caso a alta limitada dos índices inflacionários se confirmem, podem crescer as apostas para cortes de juros a serem realizados pelo Federal Reserve nas próximas reuniões de política monetária do órgão. Isto, por sua vez, tende a desvalorizar o dólar globalmente, o que favorece o real.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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